Água

July 6th, 2008

escritos


Como o mar,
meu amor é imprevisível,
por vezes lindo e calmo,
transmitindo paz,
por vezes nervoso,
despertando medo,
mas sem nunca deixar de ser amor.

Como uma onda,
meu amor começa em silêncio,
cresce rapidamente,
arrebenta num estrondo
mostrando todo o seu poder e majestade,
mingua e morre calado na praia.

Como a água de um copo,
meu amor é translúcido,
puro e cristalino,
saciando a sede
de quem vai esquecer que bebeu.

Como uma gota,
meu amor brilha,
chamando atenção
apenas de quem consegue percebe-lo.

Como um átomo,
meu amor existe,
e me constitui.

Como eu,
é amor.

Junho de 1994

Saída inaugural do Delfin (pós-reforma)

July 5th, 2008

delfin

A embarcação da Dive Bahia (Delfin) foi reformada e a saída inaugural será domingo (06/07/08) às 9:30h.

Primeiro mergulho: Blackadder
Segundo mergulho: Quebramar Norte

Gian avisa que:

"Apesar da visibilidade não contribuir muito, por apenas R$ 80,00 você poderá RESPIRAR DEBAIXO D’AGUA incluindo dois cilindros S-80 conexão yoke + lastro + lanche + guia.

Na oportunidade, estaremos discutindo uma forma de viabilizar para todos o mergulho autônomo com maior freqüência e por um valor mais flexível, para os (as) mergulhadores(as) locais além de palestras dos instrutores durante a navegação, sobre primeiros socorros e resgate."

Obs: A foto acima é do Delfin antes da reforma.

Peixes Incompletos

July 5th, 2008

salema

Salema (Anisotremus virginicus) no naufrágio Blackadder (Salvador/Bahia), foto por Léia em 29 de junho de 2008.

budiao azul

Budião-azul (Scarus trispinosus) no naufrágio Cavo Artemides (Salvador/Bahia), foto por André Lima em 14 de março de 2008.

Quer saber mais sobre o budião-azul?
http://www.nectonsub.com.br/item/223/

Tipos de mergulhador

July 4th, 2008

Marcos Vitória, mais conhecido como Abelha, é peça-chave na história do mergulho recreativo na Bahia. Mergulhador de longa data, ele já teve alguns barcos, operadora, empresa de mergulho profissional...

Com um jeitão divertido e espontâneo Abelha criou algumas classificações de mergulhador. Nas palavras do autor, complementadas por Mário Mukeka:

Frango:
É o acompanhante (bofe) do mergulhador (gringo sempre traz um a tiracolo).

Pardal:
O cara que você acredita que está aprendendo tudo (ou já aprendeu em outra escola) da sua aula e na hora da verdade só faz asneiras na água, se atrapalha todo.

Boneco:
O boneco não tem vida. Você coloca na água e ele fica paradinho. Ele não faz nada, você tem que fazer tudo por ele.

boneco mergulhador

E com a ajuda de Jomar Souza:

Mergulhador carona:
Aquele que usa o dupla como scooter sem o conhecimento dele.

Mergulhador à milanesa:
Aquele que fica todo sujo de areia num mergulho de praia.

Mergulhador surfista:
Aquele que responde um sinal de "ok" com um "hangloose".

Mergulhador chumbo:
Aquele que vai direto para o fundo.

Mergulhador bunda de cortiça:
Aquele que não afunda. Os apneístas e pescadores submarinos também conhecem como "rala-calhau", korongo...

Mergulhador io-io:
Esse todo mundo sabe!

E Artur Barrio chutando o balde:

Mergulhador babaca:
Ou seja, os que designaram essa listinha, iniciando pelo Mukeka, claro!

E finalizando: Mergulhador "Seu Lunga", Fodão, Consciente, Lascador, Fodolão, Medroso... (ver abaixo em Comentários).

* * *


Há arte sub no Japão há 40 anos!

July 3rd, 2008

arte no japão 2

arte no japão 1

* 1968 Tokyo, Japan. Lives in Ho-Chi-Minh-City, Vietnam.

Dica de Lica Moniz.

O Hélice do ARTEMIDI

July 2nd, 2008

Estávamos no estaleiro Bonfim arrumando os equipamentos no aguardo de algum serviço que aparecesse. Estavam também o José Lauro, um mergulhador dos bons, mas muito louco e o Mario Magalhães que tinha comprado uma lancha e estava reformando para levá-la para o Maranhão e que inclusive tinha trabalhado para mim no Pandellis em Itaparica em 1979.

Certo dia José Lauro me disse que o hélice, por um processo natural das correntes marinhas, estava todo desenterrado. Então a partir desta data, as 14 toneladas de bronze já não saiam da cabeça, e agora ela tinha de vir todinha e embarcada.

Efetuamos um mergulho inicial de vistoria quando a encontramos solta no espaço e apenas presa pelo eixo, embora fosse de aço e com 50 cm de diâmetro. Era só soltá-la, explodi-la em pedaços, embarcá-la e pronto.

Sabendo da nossa intenção, Mário Magalhães com um papel timbrado da Oceaneering, solicitou uma permissão à Capitania dos Portos com prazo de trinta dias para efetuar um levantamento. Isto praticamente nos criou um impedimento. Mas, já estávamos com tudo arrumado, já havíamos mergulhado e retirado o cap de proteção da porca de fixação em formato de ogiva e o tínhamos trazido para o estaleiro, quando inclusive na volta com o mesmo a reboque e amarrado em um lift bag, fomos interpelados pela lancha da Capitania comandada pelo sargento Pitombo, e que foi contornado. Os tempos eram outros e valia mais a amizade.

Restava retirar a porca desenroscando-a, sacar o hélice e detoná-la, partindo agora em quatro pedaços que seriam embarcados pela noite.

gilberto dinamite artemides

Gilberto preparando a dinamite.

Solicitei uma licença legal na Capitania, embora soubesse ser praticamente impossível, apenas para ganhar tempo e ir tocando. Quando viesse a resposta já teria tudo terminado.
Aí foi que o Mário entrou atrapalhando tudo, já se filiando ao Alaim, que mandava recado que se eu não ia tirar que ele ia. Eu já estava querendo encontrá-lo no "apertado" para resolver este assunto, e eles por baixo sabotando, quando então o dia chegou.

Foi em uma manhã no escritório do estaleiro que nos encontramos. Fechei as duas portas, a que dava para a rua e a que dava para a oficina e interroguei sobre o assunto e ele me disse que o hélice estava lá e era de quem tirasse primeiro.

Com os funcionários do estaleiro apreensivos então eu lhe disse que tinha riscado o meu nome lá e que a partir de então era minha. E, para finalizar a conversa, falei que se ele não dissesse em voz clara que ele era descarado eu ia lhe mostrar no braço. "Tá veio, sou descarado mesmo e deixe só é eu sair daqui", ele respondeu. Daí acabou meu problema com o Mário. Ele até teve sorte que meu amigo Bugudinho, cuja mão era de chumbo e estava na "parada", não se fazia presente.

DINAMITE, HÉLICE, PERU E CAPITANIA

De novo eu e Gilberto fomos lá e eu dei um tiro de 20 bananas (4 kg) distribuídos em quatro trouxas de cinco bananas acomodadas nos quatro cantos da porca no sentido de folgá-la e amarrei tudo com cordel e fogo! A porca, com mais de 50 kg saiu na mão e caiu com estrondo no chão, coisa que nem conseguimos com as que prendem a roda do carro. Agora era sacá-la e detoná-la.

Retornamos em outra empreitada, agora com o restante da caixa de dinamite, cerca de 21 kg, em um início de tarde e ficamos esperando dia esfriar mais um pouquinho, porque eles estavam nos vigiando para denunciar à Capitania, quando lá já tínhamos um informante.

Mergulhei e dei um tiro para retirar o protetor de cabos e então, eu e o Bugudinho arrumamos os vinte quilos restantes, com Gilberto segurando a ponta do fio para detonar e fogo.
A Baleeira tremeu toda com o estampido seco e forte e então em seguida, subiu uma coluna de água com uma enorme mancha de óleo fino e com um cheiro diferente mais para lubrificante, que inicialmente nos apavorou, porque pensamos ter arrombado o tanque do navio, quando então mergulhamos e constatamos ter sido o leme, que sob o efeito da explosão teve sua chapa rompida e o hélice lá , fora do eixo e meio encostado no casco, apoiado em duas das pás.

Partir o hélice foi rápido, um tiro seco de 100 kg para quebrá-la e mais um de 5 quilos para separar os pedaços e pronto. Viríamos agora buscá-la.

A baleeira saiu bem antes da lancha e ficou com os cabos de amarração do flutuante prontos, equipada com um flash fotográfico que nos dava a sua posição, toda comandada por walks talks. A lancha rebocando o flutuante saia no fim da tarde e bem por fora do banco da Panela, com o sol de poente por trás encobrindo a sua visualização. A tripulação pirata era composta de sete elementos e a partilha seria de 30 partes para o investidor, neste caso eu, e 10 partes para cada membro participante. Era composta de eu, Bugudinho, Tula, Cabeça, Nego Gato, Gilberto e Carlos Souza, o Lassie.
Amarrado o flutuante, na lancha ficaram Gilberto e Cabeça rodando, no guincho eu e Nego Gato, Tula no compressor e umbilical e Bugudinho e Lassie mergulhando.

Amarramos e embarcamos logo o primeiro pedaço que veio todo fluorescente pelos organismos marinhos aderentes. No segundo já veio confusão. Sobe o Lassie na frente e sobe rápido na baleeira e o Bugudinho logo atrás brigando. Era que apareceu um cação quando estavam amarrando o segundo pedaço e assim que terminaram, o Lassie que estava com a lanterna a apagou e subiu de sacanagem, deixando meu amigo Bugudinho no escuro e entregue a fera . Não saíram na mão porque sacanagem se paga com sacanagem, este é o lema.

Retornamos em reboque para o porto do Bonfim para desembarcar os dois pedaços que já pesavam 7 toneladas, em um reboque penoso, pegando maré de vazante, piorado quando um navio saindo de Salvador nos obrigou a passar próximo ao Farol da Barra e ai foi um sufoco. Chegamos ao bairro Bonfim pela manhã. E pela tarde deste dia desembarcamos os dois pedaços na praia. Durante aquela noite ninguém deve ter dormido com os ladrões batendo com marreta e talhadeiras em debalde esforço para levar algum pedaço do bronze exposto na praia.

No desembarque, o guincho quebrou o freio e teve de ser consertado, mais iria viajar assim mesmo e iríamos montando no caminho.

O comboio seguiu junto no meio da tarde do dia seguinte a operação anterior, com a baleeira um pouco a frente e a lancha com o flutuante, aonde eu ia montando o guincho mais atrás, agora mais perto da costa, porque a noite já vinha chegando e atracar lá com ela seria um problema.
Nas imediações do Solar do Unhão então, nas constantes vigílias que eu fazia com o binóculo, vi cortando por dentro e velozmente a água uma lancha cinza. Tão logo atracou, meu amigo Pitombo interpelou e disse que estava tudo preso e que teríamos de ir para a Capitania. A ordem tinha vindo do Distrito Naval. Os descarados por sentirem-se bloqueados na Capitania, tinham vindo por cima e de forma anônima, conforme soube mais tarde.

Lá foi um vexame. Era uma sexta feira, todo mundo de branco em formatura e um comboio de piratas presos.
Fui interpelado pelo Tenente Ajudante, meu amigo, que formulou a denúncia que eu neguei dizendo que ia movimentar uma poita no Iate e ficou uma situação embaraçosa.
Então eu o chamei no canto e lhes disse a verdade, que íamos tirar o hélice e como seria a partilha com o pessoal todo composto de quem precisava de ganhar alguma coisa, e que não estava subestimando sua inteligência e sim, teria de ser esta minha posição legal, porque não houve flagrante.
Ele, como naquele tempo os oficiais de Marinha tinham outro comportamento, mandou fazer uma vistoria chamada de determinada, onde deveria ser citado tudo de errado nas embarcações, autuadas e depois então nos liberaria, quando na segunda feira teria de ir lá.

Na segunda feira compareci, assinei o Auto de Infração e então tive conhecimento de tudo como se passou em relação a denúncia feita.

Ao sair, passei em uma casa comercial na Conceição, comprei quatro chupetas, na terça pela noite resgatamos os dois pedaços restantes e deixei as mesmas amarradas no eixo, quando lhes mandei o recado. Não teve mais confusão porque nada mais falaram.

helice artemides

Foto já publicada vendo-se da esquerda para a direita Gilberto, Nego Gato, Tula, Ivo ainda menino que não participou e hoje é do SALVAMAR, e Cabeça.

O hélice foi vendido e o Butim dividido.

Tentamos mais tarde retirar as correntes, porém se tornou uma operação perigosa e aí então encerramos por definitivo, o Cavo Artemidi.

José Dortas

Para reflexão

July 1st, 2008

De acordo com a nova lei seca do Brasil, está vetada a embriaguez das profundidades para mergulhadores que estiverem navegando com bússola.

Camisa de força é um tipo de colete equilibrador.

A bexiga natatória permite que o peixe beba cerveja enquanto nada.

Relato de um mergulho no Blackadder

June 30th, 2008

Já havíamos desistido de mergulhar devido ao vento e chuva que castigam Salvador desde a última quinta-feira. Então, fui acordado hoje por um telefonema de Léia dizendo que o vento havia diminuindo e que a chuva havia parado, o que já tinha observado desde ontem à noite.

jomar com asa

Jomar em terra firme, com asa e pronto para mergulhar. A frase faz algum sentido?

Resolvemos ir para o Blackadder onde encontramos Laura. Apesar da zona de arrebentação na Boa Viagem estar agitada, conseguimos passar por entre as ondas e fizemos um ótimo mergulho que durou 75 minutos. Visibilidade padrão para o Blackadder: 5 a 7 metros. Muitos peixes com algumas espécies em grandes cardumes e o avistamento de cavalos marinhos.

cavalo marinho

Desde 1996, os cavalos marinhos estão na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas de Extinção da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza).

Foi realmente uma agradável surpresa e ainda aproveitei para testar minha nova configuração de asa + backplate. Agradeço ao André Lima e Bruno Fagundes pelas dicas na configuração do conjunto asa+backplate+adaptador de cilindro; ao Gustavo Paixão pelas pedras de lastro que se adaptaram muito bem ao conjunto; a Laurinha pela companhia; e a Léia por não ter deixado passar a oportunidade (rs)!!!

Abraços a todos e vamos ficar de olho no tempo. Quarta é feriado!!!

Jomar.

Fotos: Léia

12° Encontro de Instrutores NAUI

June 28th, 2008

logo 12 encontro naui mercosul

Caro Membro NAUI


Venha participar do 12° Encontro Anual de Instrutores NAUI, nos dias 30 de julho a 3 de agosto. Os dias 2 e 3 de agosto serão dedicados às partes principais do evento: as atividades em plenária, mesa redonda e update.

A sua presença é motivo do nosso encontro!!!

imagem 11 encontro naui


- Clínicas de equipamentos, ministradas pelos representantes das marcas;
- Palestras com apresentação de produtos e prestadores de serviço do mercado de mergulho;
- Workshops de cursos NAUI (mergulho técnico, especialidades, habilitação e qualificação de novos procedimentos);
- Atualização de standards e educação continuada;
- Palestras técnicas, científicas e de gestão de negócios;
- Lançamento de novos guias de instrutor;
- Mesa redonda;
- Update com a presença do representante da NAUI Worldwide, Mr. Randy Shaw.

Aproveite as vantagens de se inscrever antecipadamente:

valores 12 encontro naui


Obs: Os valores para o encontro, hospedagem e dos cursos para inscrição até 30 de Junho serão válidos até 04 de Julho.

Inscrição Evento Principal:


A inscrição inclui: um kit evento, crachá de acesso às palestras e clínicas, coffee-breaks (sábado e domingo) e coquetel de confraternização.

A inscrição para hóspedes é válida para o mínimo duas diárias (sexta e sábado).

A diária inclui: TV a cabo 20" com controle remoto, telefone, ar condicionado, frigobar, som ambiente, janelas anti-ruídos, café da manhã, estacionamento e Internet wireless gratuita. Não é cobrada taxa de serviço. Bussiness Center com computadores com acesso à Internet sem custo adicional.

Horário de check-in e check-out: 12 horas.

Temas


Fabricação e Normatização de Câmaras Hiperbáricas (Walmir Fogliene);
Resultados da Pesquisa Mercado Brasileiro de Mergulho (Alcides Falanghe - Revista Mergulho);
Mergulho Livre e Apnéia (Karol Meyer);
Pelos Mares do Mundo (Lawrence Wabba - Mormaii);
Software NAUI GAP Diveplanner (Daniel Millikovski);
Conquistas e Rumos do Programa NAUI de Mergulho Adaptado (Sylvana Farhat Paiva, Walter Marchini Filho e Maria Lúcia Hares Fongaro);
História do Mergulho no Brasil (Arduíno Colasanti);
Educação Continuada e Produtos NAUI na Geração de Demanda e Incremento de Negócios nos Dive Centers (Alvanir Silveira de Oliveira "Jornada");
Panorama dos Destinos de Mergulho: Aspectos Turísticos e Administrativos (Sandro Cesar - Arribatur);
Destinos Exóticos de Turismo (Amilton Diniz - Adventure Travel).

patrocinadores 12 encontro naui


Palestras e Clínicas de Forncedores de Equipamentos


Acontecerão no dia 1 de agosto.
Acesso gratuito aos inscritos no Evento.

Deep Diving - Palestra Reguladores de Alta Performance

Fun Dive - Clínica de Equipamentos: Reguladores e Power inflators

Fun Dive - Teste Dive de Máscara Full Face

Seasub - Lançamento de Produtos

contatos naui


Ata da Fundação da Escola de Samba Marinheiro da Lua

June 26th, 2008

Samba, rock, salsa, merengue e tcha-tcha-tchá sempre fizeram parte do universo musical de Mário Mukeka (O Irrecuperável). Mesmo na época da Gang-Bang, seu som já era African-Pop. Tanto que, durante seu retiro espiritual na Ilha de Itaparica, ele também se dedicou ao estudo da percussão.

Mukeka, amigo de Fia Luna, tocava nos gigantescos tambores que Juvená mandara construir e que atualmente se encontram no Museu do Ritmo (Carlinhos Brown). Eram noitadas intermináveis, na Cabana do Juvená, que "mandava descer todas" (as bebidas) para incentivar o toque do tambor. Fia Luna subia em um tamborete para tocar no maior, pois conhecia todos os ritmos e não escondia como soltar os dedos em cima do couro. Com ele, Mukeka aprendeu que o tambor é um instrumento harmônico, além de percussivo, e pode ser dedilhado como se faz em um piano.

Nessa época, morava em Itapuã e andava nos ensaios do Malê de Balê, o primeiro bloco a sacar a batida dobrada do reggae. Mukeka relata: "Me debrucei muitas noites na banda, observando as suas evoluções e seus compassos variáveis. E hoje, muitas músicas nascem primeiro no tambor e só depois vem a harmonia do violão."

A busca de uma levada corporal, uma ginga, uma transcendência de a gravidade no ir e vir de cada compasso levou Mukeka a descobrir a banda Buena Vista, um toque mais elegante que Fia Luna não o ensinara. Bem diferente da frenética música do Haiti, corrente que seu mestre mais se debruçara. A partir daí Mukeka deixou de fazer canções. "Talvez minhas músicas sejam mantras", avalia o compositor.

A partir de um convite para tocar todas as quintas no Porto da Barra (o berçário de muitos), Mário Mukeka fundou a Escola de Samba Marinheiro da Lua. E está usando esse espaço, The Dubliners – Irish Pub, para ensaio da banda. Quem sabe ensina, quem não sabe pode aprender.

geronimo e mario

Gerônimo Santana e Mário Mukeka na apresentação do dia 19 de junho de 2008.

Ainda não foi definido, nem talvez seja, o tamanho da banda. Pois, a intenção é aglutinar os maravilhosos percussionistas da Bahia e formar novos Fias Lunas. No contrabaixo, o menino de ouro dos Novos Baianos, Didi Gomes. Na guitarra, Kaito Marques, dublê de músico e mergulhador. Na voz e violão, o próprio Mukeka. E canjas de Toni Duarte da Banda Mont Serrat, que também empresta o grande percussionista Tião Oliveira, além do Capitão Gerônimo, cantando a música do Holandês. E já se tem a promessa de Jauperi, Ed Fran, Renato Pasquacio e Orlandinho.

orlandinho

O percussionista Orlandinho já tocou com grandes nomes da MPB.

No aconchegante ambiente, além do som, você poderá jogar sinuca ou mesmo ficar navegando em seu laptop. Um lugar para encontrar a galera que gosta de misturar música com o mar. E se quiser "tomar umas", setenta tipos de cervejas do mundo constam no cardápio da casa.

Cidade da Bahia, primeiro quartel do século XXI.

ED FRAN

Ed Fran. Até Caetano Veloso já pediu a benção a esse cara.

mario e didi

Mukeka e Didi Gomes.

toni e tiao

Toni Duarte e Tião Oliveira são peças-chave da banda Mont' Serrat.

Fotos por Ludmila Senna e André Lima

* * *


IMPORTANTE

Esta Ata também serve como convite aos mergulhadores interessados em assistir ou participar da Escola de Samba Marinheiros da Lua.

Os ensaios-shows da Escola de Samba Marinheiros da Lua começarão às 20:30h, todas as quintas.

O acesso ao The Dubliners - Irish Pub, durante os ensaios-shows custará apenas R$ 5,00.

Os preços das bebidas e comidas também preços diferenciados (a menor do que os praticados no cardápio).

1 2 3 4 5 6 ... Próxima