Walter Souza "Waltinho"
March 8, 2008
Numa justa homenagem e honra para o blog do Necton Sub, Waltinho inaugura a seção Entrevistas. Apesar de alguns motivos para essa escolha, basta citar que foi ele quem deu nome ao Necton. Vamos lá!
Walter Sousa é filho do veterano mergulhador Walter Andrade. Mas, foi com o apelido Waltinho que ele fez sua fama de instrutor de mergulho, biólogo e amigo. São trinta anos de história e estórias só de mergulho autônomo, que num bate-papo descontraído, Waltinho contou bem resumidamente nesta entrevista, enquanto o compressor enchia vários cilindros para o período de Carnaval.

Foto recente (março de 2008) tirada na plataforma de popa do Necton Sub.
Necton Sub - Waltinho, quando foi que você começou a mergulhar?
Waltinho - Minha primeira máscara eu ganhei aos 6 anos de idade. Era uma máscara de criança, de cor laranja, arredondada (tipo Zero), vendida em supermercado. Nesta época eu já acompanhava meu pai nas atividades não comerciais de mergulho. Mas, foi aos 11 anos que experimentei o mergulho autônomo. Era um cilindro pequeno, daqueles usados em indústria para quando há vazamento de gás tóxico.
Necton Sub - Você falou em atividades não comerciais de mergulho. Isso quer dizer nos naufrágios? O que era exatamente que se fazia nesses mergulhos? Era pirataria?
Waltinho - Basicamente os mergulhos eram nos naufrágios. Mas, não era pirataria. Tudo que fizemos era oficializado mediante licença concedida pela Capitania dos Portos da Bahia. Conseguimos colaborar muito com subsídios para a história de cada navio naufragado que mergulhamos.
Necton Sub - Mas há quem considere tudo feito até então, incluindo a própria expedição da Marinha no Galeão Sacramento, como simples resgate de peças. E resgate dessas peças para benefício financeiro próprio pode receber o rótulo de pirataria?
Waltinho - Vale a pena esclarecer isso. Pirataria é roubo! Veja no dicionário. Como já disse, havia oficialização de todas as atividades. Nada foi feito sem autorização da Marinha do Brasil. Está tudo documentado nos Relatórios gerados periodicamente durante toda a vigência da licença, reportagens nos jornais escritos na época, fotos. Talvez a grande maioria dos mergulhadores tente buscar tesouros desses navios afundados. O que é uma grande ilusão. Não há mercado para peças históricas. O investimento em explorar um naufrágio é muito maior que o retorno. Só se o mergulhador encontrar metal ou pedra preciosa (risos). Até hoje temos peças sem comprador que pague o valor do investimento feito. Na minha opinião, o maior retorno é a emoção de você durante os trabalhos de escavações encontrar uma peça e imaginar qual a sua origem, como ela veio a bordo, pra que ela servia, onde estava antes do afundamento e como chegou até ali. A viagem que cada descoberta nos proporciona a construção da hitória, e é o que mais vale.

Waltinho fazendo pose de capitão no que viria a ser o comando do Necton Sub, ainda em construção (ano 1999).
Necton Sub - E o início do mergulho recreativo? Como foi essa transição?
Waltinho - Começo de 1990, o mercado de mergulho profissional estava ficando cada vez mais difícil. Andrew Kemp, que já era colega desse mercado, já visualizava essa janela. Ele já era instrutor PADI e usava colete equilibrador e octopus em 1986. Que eu saiba ninguém usava esse equipamentos nessa época. Então a gente juntou 6 equipamentos e 12 cilindros e estava formada a escola, ainda sem nome.
Necton Sub - Foi a Salvador Dive? E Luizinho (atual Sun Dive) também fazia parte da equipe?
Waltinho - Sim. Luizinho sempre fez parte. Ele também trabalhava no mergulho comercial. A Salvador Dive foi fundada em 1993/4. Fizemos uma pesquisa de nomes entre os amigos, familiares e profissionais na área de marketing. Assim como a logomarca, que foi muito bem pensada. Em 1996 compramos o barco "Ken" e um compressor. A Salvador Dive, então estava completa.
Necton Sub - Já que esse site é de um barco de mergulho, fale mais sobre o "Ken"...
Waltinho - Foi o nosso mascote. O popopó mais gostoso de Salvador (risos). Era o primeiro a sair e o último a chegar... (risos). Era uma Traineira de 8,5 m muito confortável.

Waltinho no comando do Ken que estava alugado para Yá Scuba Center (ano 1998).
Necton Sub - O que mudou no mergulho recreativo da época que você começou a mergulhar para hoje?
Waltinho - Há mais profissionalismo hoje. Também há mais conhecimento. O mergulho recreativo estagnou na receita da década de 50 até os anos 80. O curso básico de mergulho no Brasil era todo baseado no esquema militar. A PDIC, ao meu ver, fez o diferencial, no final dos anos 80. Vale citar também os textos de Mauricio Carvalho. Notava-se a mudança de foco para as técnicas de mergulho. Outra coisa interessante era que não existia Manual de Mergulho em português. Na Bahia, Andrew Kemp deu esse pontapé inicial para a nova vertente do mergulho recreacional, com o trabalho da PADI.
Necton Sub - E dá pra fazer alguma previsão para daqui a 20 anos?
Waltinho - Salvador tem um bom potencial ambiental e de recursos humanos para crescer. Falta investimento de porte, tanto politico como financeiro, no setor do mergulho recreativo. Se isto não acontecer, continuaremos a oferecer a nossa receita caseira, que ainda encanta muita gente, com o nosso jeito baiano de ser (risos).
Walter Sousa é filho do veterano mergulhador Walter Andrade. Mas, foi com o apelido Waltinho que ele fez sua fama de instrutor de mergulho, biólogo e amigo. São trinta anos de história e estórias só de mergulho autônomo, que num bate-papo descontraído, Waltinho contou bem resumidamente nesta entrevista, enquanto o compressor enchia vários cilindros para o período de Carnaval.

Foto recente (março de 2008) tirada na plataforma de popa do Necton Sub.
Necton Sub - Waltinho, quando foi que você começou a mergulhar?
Waltinho - Minha primeira máscara eu ganhei aos 6 anos de idade. Era uma máscara de criança, de cor laranja, arredondada (tipo Zero), vendida em supermercado. Nesta época eu já acompanhava meu pai nas atividades não comerciais de mergulho. Mas, foi aos 11 anos que experimentei o mergulho autônomo. Era um cilindro pequeno, daqueles usados em indústria para quando há vazamento de gás tóxico.
Necton Sub - Você falou em atividades não comerciais de mergulho. Isso quer dizer nos naufrágios? O que era exatamente que se fazia nesses mergulhos? Era pirataria?
Waltinho - Basicamente os mergulhos eram nos naufrágios. Mas, não era pirataria. Tudo que fizemos era oficializado mediante licença concedida pela Capitania dos Portos da Bahia. Conseguimos colaborar muito com subsídios para a história de cada navio naufragado que mergulhamos.
Necton Sub - Mas há quem considere tudo feito até então, incluindo a própria expedição da Marinha no Galeão Sacramento, como simples resgate de peças. E resgate dessas peças para benefício financeiro próprio pode receber o rótulo de pirataria?
Waltinho - Vale a pena esclarecer isso. Pirataria é roubo! Veja no dicionário. Como já disse, havia oficialização de todas as atividades. Nada foi feito sem autorização da Marinha do Brasil. Está tudo documentado nos Relatórios gerados periodicamente durante toda a vigência da licença, reportagens nos jornais escritos na época, fotos. Talvez a grande maioria dos mergulhadores tente buscar tesouros desses navios afundados. O que é uma grande ilusão. Não há mercado para peças históricas. O investimento em explorar um naufrágio é muito maior que o retorno. Só se o mergulhador encontrar metal ou pedra preciosa (risos). Até hoje temos peças sem comprador que pague o valor do investimento feito. Na minha opinião, o maior retorno é a emoção de você durante os trabalhos de escavações encontrar uma peça e imaginar qual a sua origem, como ela veio a bordo, pra que ela servia, onde estava antes do afundamento e como chegou até ali. A viagem que cada descoberta nos proporciona a construção da hitória, e é o que mais vale.

Waltinho fazendo pose de capitão no que viria a ser o comando do Necton Sub, ainda em construção (ano 1999).
Necton Sub - E o início do mergulho recreativo? Como foi essa transição?
Waltinho - Começo de 1990, o mercado de mergulho profissional estava ficando cada vez mais difícil. Andrew Kemp, que já era colega desse mercado, já visualizava essa janela. Ele já era instrutor PADI e usava colete equilibrador e octopus em 1986. Que eu saiba ninguém usava esse equipamentos nessa época. Então a gente juntou 6 equipamentos e 12 cilindros e estava formada a escola, ainda sem nome.
Necton Sub - Foi a Salvador Dive? E Luizinho (atual Sun Dive) também fazia parte da equipe?
Waltinho - Sim. Luizinho sempre fez parte. Ele também trabalhava no mergulho comercial. A Salvador Dive foi fundada em 1993/4. Fizemos uma pesquisa de nomes entre os amigos, familiares e profissionais na área de marketing. Assim como a logomarca, que foi muito bem pensada. Em 1996 compramos o barco "Ken" e um compressor. A Salvador Dive, então estava completa.
Necton Sub - Já que esse site é de um barco de mergulho, fale mais sobre o "Ken"...
Waltinho - Foi o nosso mascote. O popopó mais gostoso de Salvador (risos). Era o primeiro a sair e o último a chegar... (risos). Era uma Traineira de 8,5 m muito confortável.

Waltinho no comando do Ken que estava alugado para Yá Scuba Center (ano 1998).
Necton Sub - O que mudou no mergulho recreativo da época que você começou a mergulhar para hoje?
Waltinho - Há mais profissionalismo hoje. Também há mais conhecimento. O mergulho recreativo estagnou na receita da década de 50 até os anos 80. O curso básico de mergulho no Brasil era todo baseado no esquema militar. A PDIC, ao meu ver, fez o diferencial, no final dos anos 80. Vale citar também os textos de Mauricio Carvalho. Notava-se a mudança de foco para as técnicas de mergulho. Outra coisa interessante era que não existia Manual de Mergulho em português. Na Bahia, Andrew Kemp deu esse pontapé inicial para a nova vertente do mergulho recreacional, com o trabalho da PADI.
Necton Sub - E dá pra fazer alguma previsão para daqui a 20 anos?
Waltinho - Salvador tem um bom potencial ambiental e de recursos humanos para crescer. Falta investimento de porte, tanto politico como financeiro, no setor do mergulho recreativo. Se isto não acontecer, continuaremos a oferecer a nossa receita caseira, que ainda encanta muita gente, com o nosso jeito baiano de ser (risos).
Gustavo Paixão escreveu:
March 9, 2008 @ 19:54 — Responder
Mestre sempre será Mestre. " E em duplas, passamos a ter equipes, e estas passam a ser cada vez maiores e mais unidas. E assim entendemos que somos todos velhos amigos mesmo que não nos conheçamos. E esse elo que nos une é maior que todos os outros que já encontramos. E isso faz com que nós mais do que amigos, sejamos irmãos. Faz de nós, mergulhadores."
Dylton Lima escreveu:
March 10, 2008 @ 23:01 — Responder
Valtinho Parabens pelo sucesso alcancado. Valeu pela companhia nos trabalhos que realizamos juntos. Voce com sua eterna forca de vontade ...em levantar aquelas dragas....Afinal voce é filho de um grande homen do mar. Junto com Dortas seu pai fez historia no fundo do mar...... Grande abraco Dyltinho