André Weber Carneiro

June 8, 2008

Conheci André Weber Carneiro, ainda estudante de engenharia civil, como mergulhador da Belov Engenharia. Muitas vezes conversávamos sobre mergulho enquanto os cilindros da empresa dele estavam sendo recarregados na minha estação de recarga. Daí surgiu nossa amizade e o acerto para ele participar do curso de treinamento de instrutor. E o "NAUI Instructor Training Course" foi fácil para ele, pois além de mergulhar com freqüência e dominar o conteúdo teórico, André tinha alguma experiência de ensino e de apresentar trabalhos aos clientes da Belov. Lembro que, em certa ocasião, o vi subindo totalmente equipado (mergulho autônomo) na plataforma de popa da embarcação, sem auxílio de uma escada. "Putz! Para esse cara não existe obstáculo!", comentei com os outros mergulhadores que estavam embarcados. Em 2003, a Belov contratou André como engenheiro. E ele continuou participando de diversas obras e serviços subaquáticos, especialmente inspeções. Há quase três anos me encontrei com ele e Aleixo Belov ("his Big Boss") em uma festa na Capitania dos Portos da Bahia. E, numa conversa descontraída, comentei com Aleixo a "manobra ninja" que André havia realizado para embarcar totalmente equipado no Necton Sub, sem auxílio da escada. Aleixo me respondeu que confiava muito nele porque (para André) não havia tempo ruim. Dois meses depois André viajou para o Rio de Janeiro, pois a Belov Engenharia havia conquistado o maior contrato de mergulho raso do Brasil. E o nosso amigo foi como o Gerente do Contrato. Resolvi, então, entrevistá-lo para saber as novidades...

AWC


AML - Quais são os números desse contrato?

AWC- Hoje temos cerca de 110 funcionários aqui em Macaé dedicados a este contrato. Destes, temos aproximadamente 15 engenheiros, 20 supervisores de mergulho e 60 mergulhadores. A previsão é que até o final deste ano o número total de profissionais a serviço do contrato seja de 180 pessoas. Quanto aos equipamentos a Belov tem hoje operacionais em Macaé para atendimento à Petrobras cerca de 15 compressores, 4 câmaras hiperbáricas, 8 máquinas de solda (diesel e elétricas), diversos contêineres, 12 unidades hidráulicas movidas a ar, 50 torqueadeiras hidráulicas, diversos instrumentos de inspeção submarina (medidores de espessura, potencial eletroquímico, analisadores multigás portáteis) e muitos outros equipamentos, totalizando um investimento inicial em equipamentos acima de R$ 4.000.000,00.

AML - Muitos mergulhadores recreativos pensam em trabalhar com o mergulho profissional. Quais conselhos você pode dar para esse pessoal? Como é o trabalho do mergulhador profissional?

AWC - As diferenças entre o mergulho recreativo e comercial são enormes, principalmente nas exigências. Para o mergulhador comercial não adianta somente ser bom de água. Precisa ter outras utilidades ou especialidades, tais como qualificações em inspeção, solda submarina, eletricidade, mecânica, manobras de carga (rigger) e até mesmo operação de guinchos. O objetivo não é o mergulho e sim a tarefa a ser realizada (solda, inspeção, montagem, etc...). O mergulho é apenas um meio. Por isso o mergulhador que quer entrar no pólo offshore, que é a Bacia de Campos, deve possuir habilitações e qualificações além das de mergulhador profissional.

AML - O que mais você gostou de sua experiência de instrutor? O que a NAUI representa ou representou para sua bagagem de mergulhador?

AWC - Uma das minhas mais gratificantes experiências no mergulho recreativo foi minha temporada em Fernando de Noronha (durante minhas férias pela Belov) trabalhando como instrutor por uma operadora local. Além de conhecer praticamente todos os pontos de mergulho da Ilha, foi a primeira vez que realizei muitos mergulhos recreativos consecutivos. Isso permitiu que eu melhorasse minha técnica de respiração controlada (coisa que no mergulho comercial não é difundido devido ao suprimento ilimitado de ar mandado da superfície) e minhas técnicas descompressivas.

Meus treinamentos pela NAUI (instrutor, mergulho técnico, Nitrox, etc...) me deram conhecimento de técnicas e práticas difundidas e reconhecidas no mergulho recreativo, tais como Nitrox (de fundo e para descompressão acelerada), parada de segurança e parada intermediária que estou tentando divulgar no mergulho comercial raso. Estas técnicas certamente vão acrescentar muito nas margens de segurança e operacionalidade das tarefas executadas aqui na Bacia de Campos.

Por André Lima, em 5 de junho de 2008.


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