A descoberta casual do Queen
July 9, 2008
Em um dia de outubro de 1984 saímos para uma avaliação no mar (check-out) com nossa turma de mergulho iniciada em julho e comandada por Pedro Santana e Zé Lauro (in memorian). Nosso grupo era de aproximadamente 20 pessoas entre alunos, instrutores e divemasters da Submersa (Escola de Mergulho). O mergulho, chamado de qualificação, era realizado a 30m de profundidade, na Baía de Todos os Santos.

Marcos Vitória ganhou o apelido Abelha por usar nesse curso uma máscara que o fazia lembrar os olhos de uma abelha. Foto da inauguração da reforma do barco de mergulho Thunder.
Terminado o mergulho com todos os presentes já embarcados na baleeira Moby Dick seguimos viagem de volta ao píer da Capitania dos Portos (Quebramar Sul), local aonde realizamos as aulas práticas. Quando, durante o trajeto, a escada do barco caiu e, ainda com este em movimento de retorno ao possível local da queda, Pedro Santana gritou... “Para água Abelha”. Não sei por que ele me escolheu, mas tive que mostrar serviço e rapidamente me equipei e desci. Cheguei ao fundo muito rápido e comecei a procura. De repente avistei louças inteiras (pires, pratos, canecas...), coletei algumas, quando senti alguém me tocando e pedindo para ver o que tinha em mãos. Era Robson (divemaster), que assim que viu o que eu tinha coletado tomou tudo e me mandou subir imediatamente. Como bom soldado cumpri a ordem.
Em seguida Robson subiu com as louças e a escada. Encostou-se a Pedro para cochichar num canto e começaram a olhar para terra, na intenção de marcar o local, pois não existia GPS.
Alguns dias depois Pedro me ligou e pediu para ir à sua casa na Mouraria. Ao chegar lá ele me disse que era um destroço de navio afundado e eles já tinham voltado lá para coletar mais peças. E me mostrou muitas louças e garrafas com mercúrio (muito pesadas face a densidade do elemento). De pronto perguntei-lhe “Vão realmente explorar, já que estão sobre as barbas da Marinha? E como fazer para não serem notados?”. Foi quando Pedro me disse: “Abelha, o Cézar Freitas (seu sócio) tem um tio que ocupa o cargo de Ministro da Previdência”. Na época que era o Carlos Santana. E, somente por isso, tudo ia correr bem. Ou seja, iriam conseguir a licença de exploração do achado e por confiar nisso já tinham até marcado entrevista na televisão.
Achei tudo muito fantasioso e cantei a pedra “Se ocorrer isso que você está dizendo pode considerar o achado embargado!” Pedro disse “Que nada, o homem é ministro”. Eu retruquei: “... da Previdência!”.
Dito e feito, foram para televisão falar do achado e poucos dias depois o Gastão Moutinho, na época era o barco de salvamento de submarinos da Marinha postou-se no local e só saíram de lá meses depois. O que retiraram só eles sabem.
Pedro não parava me dar razão após o embargo.
Essa é a história do achado casual do Queen navio inglês naufragado dia 1º de julho de 1800.
Abraços,
Abelha
Marcos Vitória
Saiba mais sobre o Queen:
http://www.nectonsub.com.br/item/193/

Marcos Vitória ganhou o apelido Abelha por usar nesse curso uma máscara que o fazia lembrar os olhos de uma abelha. Foto da inauguração da reforma do barco de mergulho Thunder.
Terminado o mergulho com todos os presentes já embarcados na baleeira Moby Dick seguimos viagem de volta ao píer da Capitania dos Portos (Quebramar Sul), local aonde realizamos as aulas práticas. Quando, durante o trajeto, a escada do barco caiu e, ainda com este em movimento de retorno ao possível local da queda, Pedro Santana gritou... “Para água Abelha”. Não sei por que ele me escolheu, mas tive que mostrar serviço e rapidamente me equipei e desci. Cheguei ao fundo muito rápido e comecei a procura. De repente avistei louças inteiras (pires, pratos, canecas...), coletei algumas, quando senti alguém me tocando e pedindo para ver o que tinha em mãos. Era Robson (divemaster), que assim que viu o que eu tinha coletado tomou tudo e me mandou subir imediatamente. Como bom soldado cumpri a ordem.
Em seguida Robson subiu com as louças e a escada. Encostou-se a Pedro para cochichar num canto e começaram a olhar para terra, na intenção de marcar o local, pois não existia GPS.
Alguns dias depois Pedro me ligou e pediu para ir à sua casa na Mouraria. Ao chegar lá ele me disse que era um destroço de navio afundado e eles já tinham voltado lá para coletar mais peças. E me mostrou muitas louças e garrafas com mercúrio (muito pesadas face a densidade do elemento). De pronto perguntei-lhe “Vão realmente explorar, já que estão sobre as barbas da Marinha? E como fazer para não serem notados?”. Foi quando Pedro me disse: “Abelha, o Cézar Freitas (seu sócio) tem um tio que ocupa o cargo de Ministro da Previdência”. Na época que era o Carlos Santana. E, somente por isso, tudo ia correr bem. Ou seja, iriam conseguir a licença de exploração do achado e por confiar nisso já tinham até marcado entrevista na televisão.
Achei tudo muito fantasioso e cantei a pedra “Se ocorrer isso que você está dizendo pode considerar o achado embargado!” Pedro disse “Que nada, o homem é ministro”. Eu retruquei: “... da Previdência!”.
Dito e feito, foram para televisão falar do achado e poucos dias depois o Gastão Moutinho, na época era o barco de salvamento de submarinos da Marinha postou-se no local e só saíram de lá meses depois. O que retiraram só eles sabem.
Pedro não parava me dar razão após o embargo.
Essa é a história do achado casual do Queen navio inglês naufragado dia 1º de julho de 1800.
Abraços,
Abelha
Marcos Vitória
Saiba mais sobre o Queen:
http://www.nectonsub.com.br/item/193/
Gustavo Paixao escreveu:
July 9, 2008 @ 22:05 — Responder
A velha Marinha como sempre.......... Parabens o relato ta massa.
Marcos "conspira" escreveu:
July 10, 2008 @ 13:55 — Responder
Massa Abelha, vc tem muitas historias para contar vamos lá abraço
DORTAS escreveu:
July 22, 2008 @ 19:00 — Responder
É Zabelê (é assim como eu e o amigo irmão Abelha nos chamamos) é que o pior de tudo é de que eles agem assim e nos tratam com desprezo. Não tem consideração nem o preparo social, cultural de chamar quem acha os navios convocado-os para participarem, e posteriormente não são nem sequer citados nos relatos oficiais que eles publicam. Aconteceu um fato com o Chico Diabo creio, que um Almirante expondo publicamente o material resgatado do Sacramento, alegou ser um achado feito pela Marinha, quando o Luiz Viana Filho interpelou, como homem e homem público, (foi senador, Gov. da Bahia e grande historiógrafo), daí a imunidade, identificando o achado como do Chico Diabo, que creio ser seu afilhado. Constrangimento Geral! Vou mandar mais tarde uma bomba sobre navios e Bob Marx, mas hoje, eu não quero é mais achar nada, é só frustração velho. No fim você é pirata ou depredador de sítio arqueológico. Abraço Dortas