Água suja vem aí... tra-la-la-la-la-lá

July 16, 2008

Ontem, 15 de julho de 2008, ocorreu uma Audiência Pública para discussão do Estudo de Impacto Ambiental (EIA boi) e o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA com água suja) do empreendimento denominado "Ampliação do Porto Organizado* de Salvador".

(É melhor começar todas as palavras com letras maiúsculas para não incorrer no risco de diminuir a importância de algum procedimento ou pessoa) Após A Abertura Oficial, Houve A Fala do Presidente E Demais Componentes Da Mesa. Foram Discursos Políticos, Chegando A Ter Conteúdo Sutilmente Intimidativo, Caso Houvesse discordantes (discordantes não merecem letras maiúsculas) Desse Ilustre Projeto.

Sempre importante lembrar que audiência pública faz parte do processo de licenciamento ambiental de obras dessa natureza. É a oportunidade de soltar a voz de quem se sente prejudicado.

Depois houve uma apresentação de um representante do IBAMA, que, independente de sua capacitação técnica, nunca aprendeu como falar em público, sobre o estado do processo desse licenciamento. Em seguida, uma apresentação do empreendedor (CODEBA), na figura do Diretor de Infra-estrutura e Gestão Portuária, Marcelo da Gama Lobo, que se apresentou como mergulhador há 30 anos. Talvez ele quisesse dizer que foi mergulhador há 30 anos. E, por último, foi dada a voz à responsável pela elaboração do EIA/RIMA para uma exposição técnica em linguagem clara e objetiva (está escrito bem assim no Art. 7° do regulamento).

Por fim foi dada vez ao povo. Pouquíssimas perguntas/reclamações, quase todas rebatidas na hora, ficando apenas uma sem uma resposta satisfatória: Por que nesse EIA/RIMA não foram contemplados os estudos arqueológicos no patrimônio cultural subaquático da Bahia de Todos os Santos, conforme estabelece a Portaria do IPHAN n° 230/2002?

Entendendo a obra e suas razões

A grosso modo, a obra é para aumentar a profundidade (15m) na área de acesso e manobra de navios de carga, aumentar para o norte o terminal de contêiner através de aterro hidráulico (pintado de amarelo à direita) e ampliar, a partir da extremidade norte, em aproximadamente 405 metros o quebra-mar existente (ver imagem abaixo). E a justificativa é que o Porto de Salvador para se tornar competitivo, precisa comportar os navios de quarta geração. São aqueles monstros de ferro, que os velejadores morrem de medo, com quase 300 metros de comprimento e 14,5m de calado (navios Post-Panamax).

codeba ampliação
Uma obra estimada em R$ 220 milhões.

*Antes era desorganizado e hoje não? Como assim?

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