Uma história de pescador (submarino)
August 2, 2008
Nos meus quarenta e poucos anos de mergulhador tive a particularidade de participar de quase a totalidade de obras e acontecimentos relacionados ao mergulho que aqui (na Bahia) se desenvolveram, e que geraram histórias, no que citarei agora um caso simples, que gerou uma polêmica na revista de mergulho "MERGULHAR".
Era início dos anos 70, eu estudava engenharia na Escola Politécnica e trabalhava nas sondagens do emissário da TIBRÁS com a Christiani Nielsen, já como mergulhador profissional, quando em Arembepe conheci o José Maria Rebelo, o Juca, que lá praticava a caça submarina e mais tarde tornou-se um grande profissional e o descobridor do Galeão Sacramento com o Chico Diabo, e no segredo, de outros navios mais.

Arduíno Colasanti durante a sua palestra "Mergulho no Brasil - Os primórdios", em Sorocaba (SP), 2 de agosto de 2008.
Era comum vir a Bahia mergulhadores do Rio de Janeiro para praticarem a caça submarina, e dentro deles de certa feita veio o Arduíno Colasanti, que conheci pessoalmente de forma superficial. Ele trabalhou em filmes e novelas e em especial no "Como era gostoso o meu francês", onde representava um francês prisioneiro dos índios Tamoios que habitavam as ilhas do Rio de Janeiro, aliado dos portugueses, e que no fim é comido. Casou-se com Sônia Braga e aqui esteve anos mais tarde com uma escuna que veio da Guiana, agora casado com outra linda mulher, provavelmente encantada com as suas conversas de marinheiro.
Arduíno foi um dos maiores matadores de peixe na época e veio aqui na Bahia justamente para isto. Enturmando-se com os amigos do Eraldo Gama Lobo, saiu certo dia para uma pescaria, quando foram levados por um marcador da ilha de Itaparica, para uma pedra onde ele dizia existir muitos peixes.
Após um mergulho, sobe o Arduíno com o arpão em aço inox quebrado, alegando ter dado um tiro na cabeça de um mero bem brande, que disparou para a areia, saindo da pedra em que mergulhavam.
A história ficou como acontecido, outros peixes foram mortos, e a pescaria terminou. Tiveram outras e o Arduino voltou ao Rio.

Da esquerda para direita: Alvanir Oliveira "Jornada" (the guy of NAUI Mercosul), Randal Fonseca (que foi sócio de Arduino) e a própria lenda viva do mergulho brasileiro.
Ano de 1970, em abril ia se realizar um torneio Universitário de Caça Submarina em Cabo Frio, no Rio de Janeiro. Contatei o Chico Diabo, e então eu e ele iríamos em meu carro, um Karmann Ghia, e lá juntaríamos com o Fernando Phileto para formar a equipe. Como apoio local, o Chico tinha lá um amigo, farrista da pesada, chamado Chico Botelho.
Próximo ao dia da viagem o Eraldo da Gama Lobo nos chamou, pois queria nos dar uma encomenda para levarmos.
Aconteceu que, após o dia da pescaria em que o Arduíno estava presente, o marcador que os tinha levado, retornou a pedra e jogou uma linha pegando um grande mero.
Ao tratá-lo para a venda, encontrou encravado na cabeça uma peça metálica que retirou e viu tratar-se de uma ponta de arpão e quando levantou a barbela viu gravado o nome Arduíno.
Reencontrando-se com o Eraldo no Porto da Barra, o entregou, e agora iríamos levá-lo para o italiano lá no Rio de Janeiro, no que o colocamos na bagagem.
Chegando ao Rio, o Chico procurou o Arduíno por telefone quando soubemos que estava fora e entregamos a encomenda a um amigo seu.
Muitos anos mais tarde abro a revista MERGULHAR e lá estava uma polêmica na qual estava citada em tom de chacota o caso da ponta de arpão.
O caso havia sido deturpado, criando a história que o mero foi capturado no Rio e o Santarelli, que acredito ter sido amigo do Arduíno e agora o atacava, pois tomara, após ser um grande matador de peixe uma posição preservacionista, que ia de encontro com o objetivo comercial da COBRA, empresa de sociedade do Santarelli, que vendia boas armas óleo pneumáticas.
Tentei corrigir os fatos mediante um comunicado, mas a polêmica estava lançada e mais tarde vierem muitas e muitas outras, inclusive de umas ânforas fabricadas no Rio à réplica das romanas encontradas no Mediterrâneo, e afundadas na baia da Guanabara para envelhecimento e incrustações de organismos marinhos, para qual motivo ignoro, que foram achadas por um mergulhador, criando a polêmica da existência de navegação romana nas nossas paragens, e que gerou muita conversa e ataque pessoais.

André Lima encontra Arduíno Colasanti para tirar a dúvida.
Aproveitando que no encontro da NAUI em São Paulo pedi ao André para confirmar e corrigir este relato, caso fuja um pouco da verdade dos fatos.
Dortas
André Lima complementa:
Infelizmente só consegui conversar por pouco tempo com Arduíno. Mas, uma questão primordial ao caso é que ele só recebeu o pedaço do arpão anos depois, com a notícia que o mero havia sido pescado no Rio de Janeiro. E, por último, disseram para ele que havia uma protuberância anormal na cabeça do mero, exatamente no local da ponta do arpão. Ou seja, parece que aprontaram uma brincadeira com o nosso pioneiro mergulhador.
Era início dos anos 70, eu estudava engenharia na Escola Politécnica e trabalhava nas sondagens do emissário da TIBRÁS com a Christiani Nielsen, já como mergulhador profissional, quando em Arembepe conheci o José Maria Rebelo, o Juca, que lá praticava a caça submarina e mais tarde tornou-se um grande profissional e o descobridor do Galeão Sacramento com o Chico Diabo, e no segredo, de outros navios mais.

Arduíno Colasanti durante a sua palestra "Mergulho no Brasil - Os primórdios", em Sorocaba (SP), 2 de agosto de 2008.
Era comum vir a Bahia mergulhadores do Rio de Janeiro para praticarem a caça submarina, e dentro deles de certa feita veio o Arduíno Colasanti, que conheci pessoalmente de forma superficial. Ele trabalhou em filmes e novelas e em especial no "Como era gostoso o meu francês", onde representava um francês prisioneiro dos índios Tamoios que habitavam as ilhas do Rio de Janeiro, aliado dos portugueses, e que no fim é comido. Casou-se com Sônia Braga e aqui esteve anos mais tarde com uma escuna que veio da Guiana, agora casado com outra linda mulher, provavelmente encantada com as suas conversas de marinheiro.
Arduíno foi um dos maiores matadores de peixe na época e veio aqui na Bahia justamente para isto. Enturmando-se com os amigos do Eraldo Gama Lobo, saiu certo dia para uma pescaria, quando foram levados por um marcador da ilha de Itaparica, para uma pedra onde ele dizia existir muitos peixes.
Após um mergulho, sobe o Arduíno com o arpão em aço inox quebrado, alegando ter dado um tiro na cabeça de um mero bem brande, que disparou para a areia, saindo da pedra em que mergulhavam.
A história ficou como acontecido, outros peixes foram mortos, e a pescaria terminou. Tiveram outras e o Arduino voltou ao Rio.

Da esquerda para direita: Alvanir Oliveira "Jornada" (the guy of NAUI Mercosul), Randal Fonseca (que foi sócio de Arduino) e a própria lenda viva do mergulho brasileiro.
Ano de 1970, em abril ia se realizar um torneio Universitário de Caça Submarina em Cabo Frio, no Rio de Janeiro. Contatei o Chico Diabo, e então eu e ele iríamos em meu carro, um Karmann Ghia, e lá juntaríamos com o Fernando Phileto para formar a equipe. Como apoio local, o Chico tinha lá um amigo, farrista da pesada, chamado Chico Botelho.
Próximo ao dia da viagem o Eraldo da Gama Lobo nos chamou, pois queria nos dar uma encomenda para levarmos.
Aconteceu que, após o dia da pescaria em que o Arduíno estava presente, o marcador que os tinha levado, retornou a pedra e jogou uma linha pegando um grande mero.
Ao tratá-lo para a venda, encontrou encravado na cabeça uma peça metálica que retirou e viu tratar-se de uma ponta de arpão e quando levantou a barbela viu gravado o nome Arduíno.
Reencontrando-se com o Eraldo no Porto da Barra, o entregou, e agora iríamos levá-lo para o italiano lá no Rio de Janeiro, no que o colocamos na bagagem.
Chegando ao Rio, o Chico procurou o Arduíno por telefone quando soubemos que estava fora e entregamos a encomenda a um amigo seu.
Muitos anos mais tarde abro a revista MERGULHAR e lá estava uma polêmica na qual estava citada em tom de chacota o caso da ponta de arpão.
O caso havia sido deturpado, criando a história que o mero foi capturado no Rio e o Santarelli, que acredito ter sido amigo do Arduíno e agora o atacava, pois tomara, após ser um grande matador de peixe uma posição preservacionista, que ia de encontro com o objetivo comercial da COBRA, empresa de sociedade do Santarelli, que vendia boas armas óleo pneumáticas.
Tentei corrigir os fatos mediante um comunicado, mas a polêmica estava lançada e mais tarde vierem muitas e muitas outras, inclusive de umas ânforas fabricadas no Rio à réplica das romanas encontradas no Mediterrâneo, e afundadas na baia da Guanabara para envelhecimento e incrustações de organismos marinhos, para qual motivo ignoro, que foram achadas por um mergulhador, criando a polêmica da existência de navegação romana nas nossas paragens, e que gerou muita conversa e ataque pessoais.

André Lima encontra Arduíno Colasanti para tirar a dúvida.
Aproveitando que no encontro da NAUI em São Paulo pedi ao André para confirmar e corrigir este relato, caso fuja um pouco da verdade dos fatos.
Dortas
André Lima complementa:
Infelizmente só consegui conversar por pouco tempo com Arduíno. Mas, uma questão primordial ao caso é que ele só recebeu o pedaço do arpão anos depois, com a notícia que o mero havia sido pescado no Rio de Janeiro. E, por último, disseram para ele que havia uma protuberância anormal na cabeça do mero, exatamente no local da ponta do arpão. Ou seja, parece que aprontaram uma brincadeira com o nosso pioneiro mergulhador.
Artur Barrio escreveu:
August 8, 2008 @ 05:30 — Responder
Ha muito tempo que nao tinha noticias de Arduino,vejo que esta bem, Andre voce nao conseguiria enviar-me as coordenadas de Arduino? Perdi-as e gostaria de recontacta-lo, conheco o endereco e a casa em Jurujuba mas nao o fone. Obrigado.