"Regra dos Meios" da NAUI
August 22, 2008
A mudança do protocolo "Regra dos Meios" da NAUI foi baseada em um estudo da UHMS em 2007.
A “Regra dos Meios” era assim: Em qualquer mergulho mais fundo que 12 metros, fazer uma parada funda por 1 minuto na metade da maior profundidade alcançada MAIS 3 a 5 minutos na faixa dos 3 aos 6 metros de profundidade, como parada rasa (de segurança). A parada de segurança pode ser considerada neutra para contagem de tempo de mergulho ou de tempo de intervalo de superfície.
Porém esse estudo realizado por Peter Bennett(1), A. Marroni(2,3), F.J. Cronje(4), R. Cali-Corleo(2,3), P. Germonpre(2,5), M. Pieri(2), C. Bonuccelli(2), M.G. Leonardi(2) e C. Balestra(2,6) demonstrou que em mergulhos simples e repetitivos com perfis 25m/25min e 25m/20min respectivamente, as paradas de segurança (funda e rasa) devem ser mais demoradas, sob avaliação do "Precordial Doppler Detectable Bubbles (PDDB)". Numa tradução livre PDDB seria Bolhas Detectáveis no Precórdio por Efeito Doppler. Precórdio é a porção do corpo sobre o coração e à esquerda da porção inferior do esterno
Em resumo, o estudo analisou 209 mergulhos realizados a 25m de profundidade por 25 e 20 minutos, com 15 diferentes tempos de parada funda (15m de profundidade) e de rasa (6m de profundidade). Velocidade de subida 10m por minuto.
Tabela simplificada - Bubbble Score Index - BSI*
Perfil/ Parada funda (min) / Parada rasa (min) / BSI
Perfil 1 / 0 / 0 / 7.98
Perfil 2 / 0 / 5 / 6.23
Perfil 3 / 0 / 10 / 5.48
Perfil 4 / 1 / 3 / 8.04
Perfil 5 / 2 / 3 / 3.98
Perfil 6 / 2.5 / 5 / 2.23
Perfil 7 / 2.5 / 4 / 2.71
Perfil 8 / 2.5 / 3 / 3.58
Perfil 9 / 2.5 / 2 / 2.58
Perfil 10 / 2.5 / 1 / 3.36
Perfil 11 / 3 / 2 / 4.94
Perfil 12 / 3 / 1 / 5.63
Perfil 13 / 5 / 5 / 2.14
Perfil 14 / 5 / 2.5 / 5.5
Perfil 15 / 10 / 0 / 2.89
BSI menor = melhor. Um sistema único de pontuação das bolhas mapeadas por efeito Doppler, usado extensivamente por esses autores em pesquisas dessa natureza.
Além do BSI, todos os mergulhadores utilizaram computadores UWATEC. Assim foi possível acompanhar as leituras dos compartimentos (tecidos) de 5, 10, 20 e 40 minutos de meio-tempo. E as porcentagens de saturação desses compartimentos estavam mais baixas em BSI também mais baixos.
As conclusões desse estudo apontam para 2.5 minutos o tempo ótimo da parada funda (15m), após um mergulho a 25m de profundidade por 20 a 25 minutos, na prevenção do “PDDB”. Tempos longos na parada rasa não são tão eficazes. A faixa de tempo de 3 a 5 minutos na parada de segurança a 6m de profundidade não parece ser tão importante. Nem tampouco aumentar este tempo na parada de segurança parece surtir efeito benéfico em relação à prevenção do “PBBD”.
Adiante Peter Bennet e demais pesquisadores prosseguiram esse estudo em diversas profundidades até 40m. E apresentaram os resultados no evento da UMS patrocinado pela NAUI Worldwide e outras entidades da indústria do mergulho “Decompression and Deep Stop Workshop”.
A “Regra dos Meios” da NAUI mudou então para: Em qualquer mergulho mais fundo que 12 metros, fazer uma parada funda por 2 a 3 minutos (sendo considerado 2.5 minutos o tempo ideal) na metade da maior profundidade alcançada MAIS 1 minuto na faixa dos 3 aos 6 metros de profundidade, como parada rasa (de segurança). A parada de segurança pode ser considerada neutra para contagem de tempo de mergulho ou de tempo de intervalo de superfície.
(1) Duke University Medical Center
(2,3) DAN Europe Foundation Research Division, Division of Baromedicine, University of Baromedicine, University of Malta Medical School
(4) DAN Southern Africa
(5) Center for Hyperbaric Oxygen Therapy, Military Hospital, Bruxelles
(6) Haute Ecole, Paul Henry Spaak, Occupational and Environmental Physiology Department, Bruxelles, Belgium
A “Regra dos Meios” era assim: Em qualquer mergulho mais fundo que 12 metros, fazer uma parada funda por 1 minuto na metade da maior profundidade alcançada MAIS 3 a 5 minutos na faixa dos 3 aos 6 metros de profundidade, como parada rasa (de segurança). A parada de segurança pode ser considerada neutra para contagem de tempo de mergulho ou de tempo de intervalo de superfície.
Porém esse estudo realizado por Peter Bennett(1), A. Marroni(2,3), F.J. Cronje(4), R. Cali-Corleo(2,3), P. Germonpre(2,5), M. Pieri(2), C. Bonuccelli(2), M.G. Leonardi(2) e C. Balestra(2,6) demonstrou que em mergulhos simples e repetitivos com perfis 25m/25min e 25m/20min respectivamente, as paradas de segurança (funda e rasa) devem ser mais demoradas, sob avaliação do "Precordial Doppler Detectable Bubbles (PDDB)". Numa tradução livre PDDB seria Bolhas Detectáveis no Precórdio por Efeito Doppler. Precórdio é a porção do corpo sobre o coração e à esquerda da porção inferior do esterno
Em resumo, o estudo analisou 209 mergulhos realizados a 25m de profundidade por 25 e 20 minutos, com 15 diferentes tempos de parada funda (15m de profundidade) e de rasa (6m de profundidade). Velocidade de subida 10m por minuto.
Tabela simplificada - Bubbble Score Index - BSI*
Perfil/ Parada funda (min) / Parada rasa (min) / BSI
Perfil 1 / 0 / 0 / 7.98
Perfil 2 / 0 / 5 / 6.23
Perfil 3 / 0 / 10 / 5.48
Perfil 4 / 1 / 3 / 8.04
Perfil 5 / 2 / 3 / 3.98
Perfil 6 / 2.5 / 5 / 2.23
Perfil 7 / 2.5 / 4 / 2.71
Perfil 8 / 2.5 / 3 / 3.58
Perfil 9 / 2.5 / 2 / 2.58
Perfil 10 / 2.5 / 1 / 3.36
Perfil 11 / 3 / 2 / 4.94
Perfil 12 / 3 / 1 / 5.63
Perfil 13 / 5 / 5 / 2.14
Perfil 14 / 5 / 2.5 / 5.5
Perfil 15 / 10 / 0 / 2.89
BSI menor = melhor. Um sistema único de pontuação das bolhas mapeadas por efeito Doppler, usado extensivamente por esses autores em pesquisas dessa natureza.
Além do BSI, todos os mergulhadores utilizaram computadores UWATEC. Assim foi possível acompanhar as leituras dos compartimentos (tecidos) de 5, 10, 20 e 40 minutos de meio-tempo. E as porcentagens de saturação desses compartimentos estavam mais baixas em BSI também mais baixos.
As conclusões desse estudo apontam para 2.5 minutos o tempo ótimo da parada funda (15m), após um mergulho a 25m de profundidade por 20 a 25 minutos, na prevenção do “PDDB”. Tempos longos na parada rasa não são tão eficazes. A faixa de tempo de 3 a 5 minutos na parada de segurança a 6m de profundidade não parece ser tão importante. Nem tampouco aumentar este tempo na parada de segurança parece surtir efeito benéfico em relação à prevenção do “PBBD”.
Adiante Peter Bennet e demais pesquisadores prosseguiram esse estudo em diversas profundidades até 40m. E apresentaram os resultados no evento da UMS patrocinado pela NAUI Worldwide e outras entidades da indústria do mergulho “Decompression and Deep Stop Workshop”.
A “Regra dos Meios” da NAUI mudou então para: Em qualquer mergulho mais fundo que 12 metros, fazer uma parada funda por 2 a 3 minutos (sendo considerado 2.5 minutos o tempo ideal) na metade da maior profundidade alcançada MAIS 1 minuto na faixa dos 3 aos 6 metros de profundidade, como parada rasa (de segurança). A parada de segurança pode ser considerada neutra para contagem de tempo de mergulho ou de tempo de intervalo de superfície.
(1) Duke University Medical Center
(2,3) DAN Europe Foundation Research Division, Division of Baromedicine, University of Baromedicine, University of Malta Medical School
(4) DAN Southern Africa
(5) Center for Hyperbaric Oxygen Therapy, Military Hospital, Bruxelles
(6) Haute Ecole, Paul Henry Spaak, Occupational and Environmental Physiology Department, Bruxelles, Belgium
Marcelo Adães escreveu:
August 24, 2008 @ 21:44 — Responder
André, Isso implica parada "profunda" para mergulhadores certificados básicos. Um mergulho a 18 metros requer uma parada de 150 segundos a 9 metros e outra de 1 minuto a 3 / 6 metros. E isso provoca um maior consumo de ar, especialmente para mergulhadores com SAC muito alto, como muitos mergulhadores básicos. Como isso altera o treinamento e certificação NAUI? Dá para programar algum computador de mercado com essa regra? Qual? Acredito que isso torne o mergulho básico mais complicado. O que você acha?
André Lima escreveu:
August 25, 2008 @ 09:00 — Responder
Sim, é um pouco mais complicado. Mas não muito, pois apenas foi acrescida a parada funda por 2.5 minutos e reduzida a rasa. A diferença de consumo de gás é mínima. Se um cara respirar 25 l/min (SAC) gastará 118 litros para a parada funda, mas economizará em média 112,5 litros da rasa, que ficou menor em tempo. A certificação NAUI do mergulhador básico não sofrerá alteração, apenas essa informação será incluída no programa, como várias outras já foram incorporadas, retiradas ou modificadas. Não sei se há computador de mergulho que permita programar tal parada. Boa pergunta.
Jomar escreveu:
August 25, 2008 @ 10:00 — Responder
Ontem tive oportunidade de utilizar estas novas recomendações pela primeira vez sendo as profundidades máximas de 45,7m e de 30,8m na região da Praia do Forte para 1° e 2° mergulhos, respectivamente. Uso um computador Uwatec Aladin Prime com algoritmo Bulmhan ZH-L8. No primeiro mergulho ele indicou deco obrigatória e durante a parada de meio o tempo desta deco aumentou mas foi zerado ainda durante a subida até a parada rasa. No segundo mergulho o Uwatec entrou em deco obrigatória durante o curso da parada de meio e novamente zerou antes de chegar à parada rasa.
Bruno Fagundes escreveu:
August 25, 2008 @ 16:06 — Responder
Oi Marcelo, tudo bem ? É muito boa essa recomendação da NAUI sobre as paradas profundas nos perfis recreativos. No mergulho técnico a DSAT já recomendava essas paradas profundas um pouco mais longas (2 minutos ou mais) há algum tempo. Quanto à questão dos computadores, a maioria dos modelos que já usei (Suunto Vytec, Dive Rite Nitek DUO e Nitek 3) não atribuem paradas profundas ao perfil de mergulho. Recentemente eu passei a mergulhar com um computador mais sofisticado, o VR3 da Delta P, que usa um algoritmo de controle de micro bolhas incorporado ao Buhlmann ZHL 16. Em alguns perfis ele tem atribuído patamares até mais fundos que as tabelas que eu gero no VPlanner, que usa o algoritmo bifásico VPM B/E. Mas ainda são pouco os computadores que incorporam paragens fundas. Todavia, não vejo como algo tão difícil assim o mergulhador, mesmo básico, fazer esse procedimento.
André Lima escreveu:
August 25, 2008 @ 19:36 — Responder
O fato de atribuir paradas fundas nos computadores de mergulho não significa que o usuário possa inserir essas paradas. As mesmas são resultado do algoritmo, ou seja do programa embutido. Em outro caso, programas para planejamento de mergulho que rodam em PCs, MACs, PALMs... podem inserir paradas fundas, mas a depender do algoritmo (baseados em Haldane, incluindo DSAT, DCIEM, Buhlmann), o programa vai entender como uma extensão do mergulho. O programa precisa ser ou incorporar um algoritmo do gás em fase livre. Parece que é assim que funciona, por enquanto.
Bruno Fagundes escreveu:
August 25, 2008 @ 21:16 — Responder
Andre e Marcelo, quando eu mergulhava somente com a informação fornecida por computadores que não atribuem paradas fundas (Vytec, Nitek DUO e Nitek 3), sempre procurei fazer, por minha conta, essas paradas, mesmo que não pedidas pelo computador. O resultado prático é que o computador vai entender como uma extensão do mergulho, aumentando o tempo de descompressão nas paradas rasas. Na minha opinião isso é bom, pois você acaba usando uma estratégia de descompressão que diminui a tensão dos tecidos rápidos, o que preserva o mergulhador contra uma DD do Tipo II, e ao mesmo tempo você também faz paradas descompressivas rasas mais longas, o que também é bom do ponto de vista da eliminação de gases de tecidos lentos. Os algoritmos bifásicos são considerados os mais eficientes e modernos, mas tem uma tendência perigosa de diminuir muito as paradas rasas, o que pode levar ao aparecimento da DD. Por isso eu ainda acho que o algoritmo mais seguro atualmente ainda é o Bulhmann ZHL 16 com o ajuste de Gradient Factor, que é o usado no Decoplanner por exemplo. Ele é uma solução de compromisso entre os dois mundos: os neo-haldesianos e os modernos bifásicos. Assim, apesar de atribuir aos perfis as necessárias paradas fundas, não peca diminuindo as rasas. Atualmente, nos meus últimos mergulhos profundos (Parede do Beto - 80,4 m e Pedreira de Salto de Pirapora - 77 m), tenho usado o Vplanner, com o seu algoritmo VPM, mas sempre uso algum grau de conservadorismo para não correr o risco de uma DD por falta de paradas rasas. Na Pedreira de Salto de Pirapora já passei a usar, em conjunto com as tabelas do Vplanner, o computador VR3 e acabei mergulhando com um mix de informações descompressivas, que aliás é uma tendência em alguns setores do mergulho técnico, principalmente os que se propõem a fazer mergulhos extremos. O VR3, com o seu algoritmo de micro bolhas em conjunto com o Bulhmann ZHL 16, não deixa também de ser uma solução de compromisso entre os dois mundos. Ele se mostrou muito mais conservador que as minhas tabelas baseadas no VPM, principalmente nas paradas rasas. E estou gostando da segurança que isso está me trazendo.
Marcelo Adães escreveu:
August 26, 2008 @ 16:34 — Responder
Grandes informações. Obrigado André, Jomar e Bruno.