A sacanagem da caranha
September 8, 2008
Se leis, artigos e parágrafos não impedissem o Comandante em Chefe e Capitão de Toda-Guerra Dortas de falar o que ele sabe sobre caranhas, dentões, dobrões, colares, gargantilhas, pulseiras e anéis. Sem falar nas barras e lingotes de ouro. A Bahia se transformaria no maior centro de arqueologia subaquática do mundo.
Dez por cento da carga do naufrágio Santa Clara, que foi resgatada na época do naufrágio, forrou de ouro a Igreja de São Francisco do chão ao teto. Com 20% que do que ainda permanece nos seus destroços poderíamos tirar da rua todos os pivetes num raio de 100km do Pelourinho. Com os 3.000 dentes de elefante da nau indiana que desceu na parte mais funda da Baía de Todos os Santos poderíamos dar um laptop a cada criança carente de todo recôncavo.
Existe uma dívida social e carmática com as almas que se perderam com todas essas fortunas incalculáveis. Novas tecnologias estão disponíveis a pequenos capitais e ninguém faz nada! Um impasse, nitidamente provocado pela desumana lei do momento, leva a uma ridícula observação: O que a arqueologia subaquática vai estudar se não sobrar nada?
Como os canhões de bronze que foram cortados, porque inteiros não se poderia vender, a coroa da rainha também foi vendida separada de suas pedras preciosas para ser derretida. Não seria melhor parar para acertar? Com quem? Comigo, conosco, composto, com quem sabe e ensina. Nós temos a fina flor do samba: Arqueólogos, historiadores, biólogos marinhos, aglomeradores matemáticos e mergulhadores que viram e ouviram falar. Talvez os bisnetos dessa gente precisem de uma moeda de ouro, dá pra acertar ou é pra deixar como está?
Da fortaleza do corsário,
Mukeka, o Piratão (um personagem de Mário Cortizo Andión)

Complemento por André Lima:
Quando Mário me mostrou esse artigo, logo combinamos que eu faria uns comentários sobre um ponto de vista oposto. Na verdade representa somente meus questionamentos sobre o texto.
Nem precisa dizer que o texto dele nada tem a ver com o da Caranha de Dortas. O poeta Mukeka confessou que usou essa introdução apenas para rimar dentões com dobrões. Uma boa sacada.
Mas, em essência Mukeka quer a liberação das explorações, para fins comerciais, dos navios afundados. E para ganhar simpatizantes ele usou frases de impacto:
“A Bahia se transformaria no maior centro de arqueologia subaquática do mundo.”
Mas desde quando retirar peças (valiosas comercialmente) de navios é arqueologia?
“Com 20% que do que ainda permanece nos seus destroços poderíamos tirar da rua todos os pivetes num raio de 100km do Pelourinho.”
Por que temos que destruir um patrimônio cultural (submerso) para atender as necessidades sociais das crianças carentes? Não seria melhor tirar o dinheiro da corrupção, da malversação do dinheiro público?
“O que a arqueologia subaquática vai estudar se não sobrar nada?”
Bem intimidador. Ou paga minha parte em valor de mercado negro ou fica sem nada! É assim que tem que ser? Quem trabalha merece receber uma remuneração, não há dúvida. Mas, não se pode pagar esse trabalhador (mergulhador) baseado em leilão de patrimônio da humanidade no mercado negro.
“Talvez os bisnetos dessa gente precisem de uma moeda de ouro, dá pra acertar ou é pra deixar como está?”
Como se houvesse uma única saída para as futuras gerações: Se apropriar do tesouro da humanidade e vender como nosso fosse para saldar nossas dívidas sociais. E se não der para saldar, que tal depois vender a Amazônia?
Clicando aqui assista o filme sobre a Convenção da UNESCO para a Proteção do Patrimônio Cultural Subaquático
Inegavelmente Mário, meu grande amigo, continua sendo um dos melhores contadores de estória que já conheci.
Dez por cento da carga do naufrágio Santa Clara, que foi resgatada na época do naufrágio, forrou de ouro a Igreja de São Francisco do chão ao teto. Com 20% que do que ainda permanece nos seus destroços poderíamos tirar da rua todos os pivetes num raio de 100km do Pelourinho. Com os 3.000 dentes de elefante da nau indiana que desceu na parte mais funda da Baía de Todos os Santos poderíamos dar um laptop a cada criança carente de todo recôncavo.
Existe uma dívida social e carmática com as almas que se perderam com todas essas fortunas incalculáveis. Novas tecnologias estão disponíveis a pequenos capitais e ninguém faz nada! Um impasse, nitidamente provocado pela desumana lei do momento, leva a uma ridícula observação: O que a arqueologia subaquática vai estudar se não sobrar nada?
Como os canhões de bronze que foram cortados, porque inteiros não se poderia vender, a coroa da rainha também foi vendida separada de suas pedras preciosas para ser derretida. Não seria melhor parar para acertar? Com quem? Comigo, conosco, composto, com quem sabe e ensina. Nós temos a fina flor do samba: Arqueólogos, historiadores, biólogos marinhos, aglomeradores matemáticos e mergulhadores que viram e ouviram falar. Talvez os bisnetos dessa gente precisem de uma moeda de ouro, dá pra acertar ou é pra deixar como está?
Da fortaleza do corsário,
Mukeka, o Piratão (um personagem de Mário Cortizo Andión)

Complemento por André Lima:
Quando Mário me mostrou esse artigo, logo combinamos que eu faria uns comentários sobre um ponto de vista oposto. Na verdade representa somente meus questionamentos sobre o texto.
Nem precisa dizer que o texto dele nada tem a ver com o da Caranha de Dortas. O poeta Mukeka confessou que usou essa introdução apenas para rimar dentões com dobrões. Uma boa sacada.
Mas, em essência Mukeka quer a liberação das explorações, para fins comerciais, dos navios afundados. E para ganhar simpatizantes ele usou frases de impacto:
“A Bahia se transformaria no maior centro de arqueologia subaquática do mundo.”
Mas desde quando retirar peças (valiosas comercialmente) de navios é arqueologia?
“Com 20% que do que ainda permanece nos seus destroços poderíamos tirar da rua todos os pivetes num raio de 100km do Pelourinho.”
Por que temos que destruir um patrimônio cultural (submerso) para atender as necessidades sociais das crianças carentes? Não seria melhor tirar o dinheiro da corrupção, da malversação do dinheiro público?
“O que a arqueologia subaquática vai estudar se não sobrar nada?”
Bem intimidador. Ou paga minha parte em valor de mercado negro ou fica sem nada! É assim que tem que ser? Quem trabalha merece receber uma remuneração, não há dúvida. Mas, não se pode pagar esse trabalhador (mergulhador) baseado em leilão de patrimônio da humanidade no mercado negro.
“Talvez os bisnetos dessa gente precisem de uma moeda de ouro, dá pra acertar ou é pra deixar como está?”
Como se houvesse uma única saída para as futuras gerações: Se apropriar do tesouro da humanidade e vender como nosso fosse para saldar nossas dívidas sociais. E se não der para saldar, que tal depois vender a Amazônia?
Clicando aqui assista o filme sobre a Convenção da UNESCO para a Proteção do Patrimônio Cultural Subaquático
Inegavelmente Mário, meu grande amigo, continua sendo um dos melhores contadores de estória que já conheci.
Léia escreveu:
September 8, 2008 @ 18:36 — Responder
Falando em Mário Mukeka... alguém sabe me dizer quando sai a tão esperada música do Cocoricó? Beijos, abraços e águas claras.
Gabriel escreveu:
September 9, 2008 @ 13:52 — Responder
Caro André e Marcos , após ler as 79 paginas do site, quero dizer que vocês estão de parabéns... Só existe matérias e contos espetaculares. Já mergulhei com vocês algumas vezes e estou me planejando para as próximas. Um abraço e sucesso!!!
Dortas escreveu:
September 10, 2008 @ 15:10 — Responder
Ai Marão. O vírus da pirataria está no sangue véio. Quem não tem fica só pensando e sonhando. Tirar peças para museu não é pirataria, que só existe se tiver botim. Surrupiar, vender e gastar o dinheiro com as muié. Agora vamos ver como fazer os procedimentos pois tem muita gente na área contra este tipo de operação. Vejo de vez em quando ' Os piratas do Caribe´ e vibro com a frescura de John Depp, ladrão, cruel, destemido e ainda tirando onda de ' pirata bicha´, e comendo as muié. Já fui, porque agora estou falando pouco. Temos sangue daqueles tempos ou não? O que nos fascina não é navio boiando e navegando, todo pintadinho e bonito, e sim ´sifu ´, e afundando, aí é que começa a ficar interessante Dortas!
André Lima escreveu:
September 10, 2008 @ 18:00 — Responder
Conversa, conversa e mais conversa. Quantas vezes vi Dortas com imenso carinho com a lancha Sesmaria. Raspa casco, bota ânodo, pinta, passa tinta venenosa, regular bico injetor, não entra molhado na cabine...