A HISTÓRIA
O Projeto Andorinhas da Barra do Garcez ganhou um grande facilitador. Um caiaque Brudden “Omega3”. Na verdade não foi bem um presente ... foi comprado mesmo! Dica de Cláudio “El Cabra” do Fórum Caiaque Net (http://caiaque.net/forum/).

Esquerda: O Caiaque repousando no píer do Píer Salvador. Direita: Andorinhas-do-mar sobrevoando o banco.
O objetivo: facilitar o acesso ao banco de areia da Ponta do Garcez, local onde desenvolvemos um trabalho de monitoramento ambiental. O banco é local de descanso de andorinhas-do-mar migratórias e também é um berçário para diversas espécies marinhas recifais e estuarinas.
Banco de areia da Ponta dos Garcez ou Banco das Andorinhas.
As andorinhas vêm das ilhas costeiras da costa da América do Norte e Europa e utilizam o banco como parada obrigatória todos os anos, entre setembro e março. Os peixes recifais, em geral alevinos e indivíduos jovens, e outros organismos marinhos utilizam as lagoas e enseadas formadas pelo banco, como área de alimentação e abrigo. O Banco de Areia é sem dúvida um importante ambiente a ser conservado (Em breve lançarei aqui mais fotos do local!).
O PLANEJAMENTO DO TRANSPORTE
Caiaque comprado, tudo certinho ... mas e o transporte?! Teríamos que transportá-lo até a vila de Cacha-Pregos, na Ilha de Itaparica, de onde sempre partimos para o banco e onde ele ficará guardado no Canto Ecológico (www.cantoecologico.org), projeto sócio-ambiental desenvolvido por Carlos e Gabriela com a comunidade local.
Inicialmente se pensou em colocá-lo em cima de um carro e pronto tudo resolvido, porém na prática não foi bem assim. Conseguimos um rack para colocar no carro do Projeto Olho-de-fogo-rendado, um Uno Mile, porém o rack era para um carro quatro portas, portanto não serviu para esta finalidade. Ainda que servisse, percebemos que não poderíamos transportar o caiaque no Uno devido ao seu 3,90m de comprimento. Certamente teríamos problemas com a Polícia Rodoviária.
A solução veio de diversas cabeças pensantes (André Lima, Jaelson Castro e Francisco Pedro)! Basicamente remar do Píer Salvador até o Terminal Náutico da Bahia (ex-Centro Náutico da Bahia) e transportar o caiaque em alguma lancha que estivesse seguindo para Mar Grande, onde a Equipe do Canto Ecológico daria uma logística de transportá-lo até a vila de Cacha-Pregos. Enquanto eu estivesse articulando o barco para a travessia, o caiaque ficaria hospedado no barco Necton Sub. E assim foi feito!
A partida.
A SAÍDA
Iniciei a remada no sábado, dia 13 de setembro de 2008, às 7:30h, com o fundamental apoio de Zé de Anchieta, o velejador solitário do veleiro “Minha Ilha”. Peguei o finalzinho de uma maré vazante e o início de uma enchente, com direito a breves paradas para registrar a paisagem e marcar pontos no GPS. Remei ora num ritmo forte, ora mais lentamente, testando o sistema de leme controlado por pedais e sentindo o desenvolvimento da embarcação.
Zé de Anchieta se encontra agora no Mar-Oceano rumo à cidade do Recife (22/09/08). Foto do dia 13 de setembro de 2008.
O leme é de fato uma grande ajuda para manter o rumo e controlar as mudanças de rota. Antes disso eu havia remado apenas em caiaques de fibra comuns, sem leme, e sei o que é pegar uma deriva provocada pelo vento ou por alguma correnteza. É necessário remar diversas vezes em um mesmo bordo, para compensar a deriva. Com o leme isto não é necessário. Basta uma remada de cada lado e uma boa coordenação com os pés e você nunca sairá do rumo!
Passando pela Pedra Furada (bairro), avistando o Farol da Ponta de Humaitá.
Em menos de uma hora e meia, já estava atrás do Forte de Monte Serrat. Esse é um trecho onde ainda se prática muita pesca com bomba na região. Felizmente neste dia não tive a tristeza de presenciar essa barbárie contra nosso ambiente marinho. O pior é que fica bem atrás da sede do Centro de Recursos Ambientais – CRA. Quando aproei em direção ao quebra mar de fora e o Mercado Modelo eram exatamente 08:50h, havia acabado de falar com André Lima ao telefone e queria pegar o Necton Sub ainda atracado no píer do Terminal Náutico da Bahia, pois teríamos ainda que colocar o caiaque para cima da embarcação, o que imaginei que daria um certo trabalho. O Necton Sub teria que sair às 09:30h, sem atrasos, por conta do compromisso com os mergulhadores (as) que se encontravam a bordo. Tentei ser o mais rápido possível na remada. Após cruzar a rota por onde passam os Ferries Boats, entrei mais um pouco para a costa e remei por dentro do quebra mar.
A embarcação Necton Sub se aproximando.
A HOSPEDAGEM
Às 09:25h já estava remando na altura do farolete de boreste (verde) do quebra mar, porém já sabia que não chegaria às 09:30h como desejava. Liguei para André e eles tinham acabado de sair do Terminal. Como de onde eu estava tinha uma ampla e boa visão do Forte de São Marcelo e da enseada, imaginei que em poucos segundos eu estaria com o Necton Sub em minha visão. Assim que André me viu aproou na minha direção e nos encontramos por volta das 09:35h. Decidimos rebocar o caíque até o ponto do mergulho, mais ou menos no meio do quebra mar, e subi-lo assim que o grupo de mergulhadores entrasse na água. Marquinhos Conspirador amarrou o caiaque e seguimos. A operação de colocá-lo para cima foi bem planejada e executada por Marquinhos e André, minha contribuição neste ponto foi mínima. Após o grupo subir do mergulho, ainda seguimos para outro ponto, o Farol da Barra, onde eles fariam mais uns minutos de mergulho. Nesse momento aproveitei a proximidade da Ondina e me despedi de André. Caí no mar e nadei na direção da escada do coco, aproveitando para mergulhar e fazer algumas fotos-sub da ictiofauna do navio “Maraldi”, afundado em 1875. Os peixes estavam nadando ao redor da caldeira.
Peixe recifal no Maraldi. Excelente ponto para mergulho livre: água limpa, quente, raso e muita vida. Porém, só na maré de enchente.
A TRAVESIA NA LANCHA
O caiaque ficou em cima do Necton Sub durante todo o domingo. Na segunda-feira, 15 de setembro de 2008, encontrei André por volta das 14:00h para desembarcarmos o caiaque. Mais uma vez contei com a prestimosa ajuda de Zé de Anchieta, que se encontrava no Terminal Náutico da Bahia aguardando para sair em viagem num veleiro que ia para Recife. Zé foi como tripulante de apoio, certamente uma boa experiência para ele.
O transporte foi realizado na lancha “Diamante” da empresa “Cavalo Marinho”, pagando o valor de cinco reais pelo volume. A lancha saiu às 15:30h. Quando cheguei em Mar Grande, Carlos, do Canto Ecológico, já estava esperando, junto com Gabi, Mel e Daniel para colocarmos o caiaque em cima do carro.
O caiaque ficou bem acomodado na proa da lancha Diamante. Por apenas "cinco pratas", melhor impossível!
A POLÍCIA RODOVIÁRIA
Resolvemos driblar a fiscalização desta vez...não que o caiaque oferecesse qualquer perigo, mas sobrava no comprimento do carro. As andorinhas não podiam correr o risco de ficar sem caiaque... rs. Por isso optamos por coloca-lo na água antes da PR. Remei para o ‘batismo na Ilha’ e fomos ‘resgatá-lo’ um km depois.
Na Ilha de Itaparica.
CACHA PREGOS
Finalmente, por volta das 18:00h, chegamos ao Canto Ecológico em Cacha-Pregos, onde o caiaque ficará hospedado e de onde partirá muitas vezes para o monitoramento do banco de areia e do estuário do Rio Jaguaripe. Ainda haverá muita história para contar por aqui!
Destino final.
Valeu André e Marquinhos! Valeu Anchieta! Valeu Carlos, Gabi, Daniel e Mel! Sem o esforço de vocês seria mais difícil (Imagine! Remar direto da Ribeira para Cacha-Pregos! Outro dia quem sabe?). Obrigado também Ângelo “das cobras”, Jaelson Castro, Sidnei e Silênio, pelo empenho em contribuir para as soluções de transporte. Um forte abraço a todos!! E vamos remar!! Se Amyr Klink fez, porque a gente não pode?!
Francisco Pedro é biólogo, integrante da ONG Associação Baiana para Conservação dos Recursos Naturais - ABCRN e Coordenador do Projeto Andorinhas da Barra do Garcez. Contatos: (71) 8892-3542 ou 8765-0708
fpedrofonseca@yahoo.com.br
http://www.olhares.com/FranciscoPedro