Parte da cerâmica do naufrágio "Nossa Senhora dos Remédios"

October 13th, 2008

De acordo com Orlins Santana, parte das cerâmicas que foram recuperadas do Nossa Senhora dos Remédios serviram para enfeitar algumas igrejas.

nossa senhora dos remédios

Feira de Santana - Bahia

nossa senhora dos remédios 2

Igreja Nossa Senhora de Belém de Cachoeira - Bahia, 100km de Salvador

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Detalhe editado da data da construção da Igreja

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Detalhes da torre da Igreja

n sa belem de cachoeira 057a

Azulejos, pratos e cacos variados

sao felix

Será que essa igreja em São Felix do Paraguassú também recebeu cerâmica do Nossa Senhora dos Remédios?

detalhes sao felix

Detalhe da torre

Colaboração de Toni Duarte e Orlins Santana.

Uma história fictícia sobre o surf

October 1st, 2008

Poucas décadas atrás alguns surfistas famosos dos EUA, a maioria ligada a instituições de salvamento aquático, resolveram organizar o primeiro curso nacional para formar instrutores de surf. Pois, aquele esporte estava se tornando muito popular nos anos 50, a partir de uma grande melhoria na fabricação e a crescente comercialização das pranchas de surf.

Aquele curso foi grande um sucesso e por isso, em 1960 foi criada uma Associação Nacional dos Instrutores das Ondas, em inglês National Association of Waves Instructors – NAWI, para promover mais treinamentos.

Um dos alunos desse primeiro curso julgava que essa nova Associação tinha um perfil com forte influência militar, logo não adequada para atender o público civil. Por isso em 1966 fundou uma empresa comercial para explorar esse filão de treinamento, a Associação Profissional dos Instrutores de Surf (Professional Association of Surfing Instructors – PASI). E, com o passar do tempo, outras empresas privadas apareceram, a exemplo das Escolas Internacionais de Surf (Surfing Schools International –SSI). Até um pequeno clubinho de mergulhadores entrou na jogada, mas com nome de gente grande: Corporação dos Instrutores Profissionais de Surf (Professional Surfing Instructors Corporation – PSIC).

Por que devo aprender a surfar através de uma escola? A resposta dessa pergunta era antecipada e funcionava para dar credibilidade àquele nova indústria e, associada a outras ações de propaganda, contribuía para captar novos clientes.

“Há riscos inerentes às atividades de surf. Você pode se machucar com ondas, corais, animais marinhos potencialmente perigosos, é preciso conhecer sobre marés e correntezas para escolher os melhores “picos”, ter noções de primeiros socorros, estudar os tipos de fundo marinho... Enfim aprender técnicas, desenvolver habilidades e ter alguns conhecimentos para surfar com relativa segurança.”

No decorrer do desenvolvimento desse mercado, seguindo uma lógica capitalista e evolucionista, essas empresas, que preferiam ser chamadas de Agências de Treinamento (dava um caráter menos comercial e mais de educação), subdividiram os cursos. Cada agência utilizava seus termos, mas era algo tipo Curso Surfista Básico, Curso Surfista Avançado... até chegar ao nível Instrutor de Surf.

Outra “evolução” dessa indústria (do entretenimento ou educação) foi o surgimento dos cursos de especialização. Afinal surfar em pororocas* era um surf altamente especializado. Não era para qualquer “maroleiro” de praia. Era preciso saber as técnicas adequadas, conhecer mais profundamente sobre aquele tipo de ambiente... SEMPRE PENSANDO NA SEGURANÇA DO SURFISTA!

Num determinado momento (anos 80), para aumentar a credibilidade dessas agências, foi criado um Conselho de Treinamento do Surf Recreativo. Nada mais do que uma organização privada que elaborou normas (também privadas) de padronização. Na verdade até aproveitou normas (ANSI Z86.3) já elaboradas pela American National Standards Institute (ANSI).

Algumas agências chegaram a oferecer dezenas de cursos de especialização, sempre respeitando o limite de ondas de 4 metros de altura. Esse número foi um consenso do mercado, pois considerava que o risco de acidente a partir daí era muito grande para um surfista recreativo.

Alguns surfistas mais radicais (big riders) nunca obedeceram a essa regra e a outras também. E por isso, eram taxados de loucos, imprudentes, exemplos que não deveriam ser seguidos. Porém, com o passar do tempo, a quantidade de surfistas que queriam surfar as “morras, big waves” aumentou consideravelmente. Surgiram então novas agências de treinamento especializadas em cursos rigorosíssimos para esses surfistas que queriam ir além das atividades recreativas, mas sempre procurando manter um nível de risco aceitável (parecia algo mais seguro).

Para não misturar com o surf de caráter recreativo, essa atividade era chamada de Surf Técnico (mesmo sendo para fins recreativos). As mais velhas agências vendo que o filão era bom, também entraram nessa nova onda. E, por sua vez, algumas agências de surf técnico entraram no negócio do surf recreativo.

No início do milênio foi sentida queda da fidelidade do surfista. Agora ele (o surfista) às vezes surfa, mas também gosta de rappel, cannoying, rafting, kite surf, mergulho...
Qual será a próxima onda?

Mais duas perguntas:
Será que posso aprender a surfar com nível aceitável de risco sem necessariamente pagar por um curso?
Quais são todos os interesses em barrar um surfista não certificado num Surf Boat (excetuando quando o cliente estiver fazendo um Surfing Experience)?

Por André Lima

*Pororoca (do tupi "poro'roka", de "poro'rog", estrondar) é um fenômeno natural produzido pelo encontro das correntes fluviais com as águas oceânicas.
Wikipédia, a enciclopédia livre.

"Mergulho bom é aquele em que nos divertimos"

September 29th, 2008

jomar souza

Foto por Ludmila Senna

Acabei de chegar depois de 2 mergulhos excelentes pela experiência de tê-los feito. O primeiro nas Paredes, a cerca de 30m (de profundidade), com visibilidade de 3m ou menos e com forte correnteza de enchente. O segundo no Quebra-mar, com 9 a 10m de profundidade e "visibilidade" de meio metro!!! O tipo de experiência que vou repetir, com certeza!!! Em ambos fizemos paradas de descompressão embora o perfil não pedisse.

... Não esqueçam de me chamar novamente quando a previsão for de visibilidade abaixo dos 3 metros. Estou falando
sério!!!

Segundo o amigo Genser, "mergulho bom é aquele em que nos divertimos"!!!

Abraços e boa semana a todos,

Jomar.
Em 28 de setembro de 2008.

Neandertais comiam frutos do mar

September 24th, 2008

23/9/2008

matéria fapesp


Agência FAPESP – Os neandertais (Homo neanderthalensis), que habitaram a Europa e parte da Ásia entre cerca de 130 mil a 30 mil anos atrás, não se alimentaram apenas de animais terrestres como o mamute, sua caça favorita. Um novo estudo aponta uma dieta mais diversificada.

Nas cavernas de Vanguard e Gorham, na parte leste de Gibraltar, um grupo de paleontólogos europeus descobriu restos de criaturas marinhas que teriam sido comidas por neandertais, que ocuparam a região há mais de 32 mil anos.
Ao lado de ossos de animais terrestres, Yolanda Fernández-Jalvo, do Museu Nacional de Ciências Naturais da Espanha, e colegas identificaram resquícios de peixes, mariscos e focas em camadas sedimentárias que correspondem ao período em que grupos de neandertais viveram nas cavernas.
O trabalho será publicado esta semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas).

Segundo os pesquisadores, a descoberta representa a mais clara evidência até o momento de que os neandertais, que foram extintos, buscavam e consumiam peixes e frutos do mar, da mesma forma que os humanos pré-históricos.
O estudo indica que alguns dos ossos de animais encontrados nas cavernas apresentam sinais de que a carne foi retirada com a ajuda de ferramentas de pedra, o que estaria associado com hábitos usados pelos neandertais no paleolítico superior.

Os resquícios das focas consumidas pertenceram a exemplares jovens, o que indica que os caçadores perseguiram os animais durante a época de procriação. O estudo aponta que os neandertais não habitavam as cavernas em Gibraltar o ano inteiro, mas apenas durante determinada época do ano, quando a oferta de alimento era maior.

O artigo Neanderthal exploitation of marine mammals in Gibraltar, de Yolanda Fernández-Jalvo e outros, poderá ser lido em breve por assinantes da Pnas em www.pnas.org.

* * *


Será que foram os primeiros (homens) praticantes da caça submarina?


O caiaque do Projeto Andorinhas da Barra do Garcêz

September 22nd, 2008

A HISTÓRIA

O Projeto Andorinhas da Barra do Garcez ganhou um grande facilitador. Um caiaque Brudden “Omega3”. Na verdade não foi bem um presente ... foi comprado mesmo! Dica de Cláudio “El Cabra” do Fórum Caiaque Net (http://caiaque.net/forum/).

o caiaqueandorinhas

Esquerda: O Caiaque repousando no píer do Píer Salvador. Direita: Andorinhas-do-mar sobrevoando o banco.

O objetivo: facilitar o acesso ao banco de areia da Ponta do Garcez, local onde desenvolvemos um trabalho de monitoramento ambiental. O banco é local de descanso de andorinhas-do-mar migratórias e também é um berçário para diversas espécies marinhas recifais e estuarinas.

o banco das andorinhas

Banco de areia da Ponta dos Garcez ou Banco das Andorinhas.

As andorinhas vêm das ilhas costeiras da costa da América do Norte e Europa e utilizam o banco como parada obrigatória todos os anos, entre setembro e março. Os peixes recifais, em geral alevinos e indivíduos jovens, e outros organismos marinhos utilizam as lagoas e enseadas formadas pelo banco, como área de alimentação e abrigo. O Banco de Areia é sem dúvida um importante ambiente a ser conservado (Em breve lançarei aqui mais fotos do local!).

O PLANEJAMENTO DO TRANSPORTE

Caiaque comprado, tudo certinho ... mas e o transporte?! Teríamos que transportá-lo até a vila de Cacha-Pregos, na Ilha de Itaparica, de onde sempre partimos para o banco e onde ele ficará guardado no Canto Ecológico (www.cantoecologico.org), projeto sócio-ambiental desenvolvido por Carlos e Gabriela com a comunidade local.

Inicialmente se pensou em colocá-lo em cima de um carro e pronto tudo resolvido, porém na prática não foi bem assim. Conseguimos um rack para colocar no carro do Projeto Olho-de-fogo-rendado, um Uno Mile, porém o rack era para um carro quatro portas, portanto não serviu para esta finalidade. Ainda que servisse, percebemos que não poderíamos transportar o caiaque no Uno devido ao seu 3,90m de comprimento. Certamente teríamos problemas com a Polícia Rodoviária.

A solução veio de diversas cabeças pensantes (André Lima, Jaelson Castro e Francisco Pedro)! Basicamente remar do Píer Salvador até o Terminal Náutico da Bahia (ex-Centro Náutico da Bahia) e transportar o caiaque em alguma lancha que estivesse seguindo para Mar Grande, onde a Equipe do Canto Ecológico daria uma logística de transportá-lo até a vila de Cacha-Pregos. Enquanto eu estivesse articulando o barco para a travessia, o caiaque ficaria hospedado no barco Necton Sub. E assim foi feito!

a partida

A partida.

A SAÍDA
Iniciei a remada no sábado, dia 13 de setembro de 2008, às 7:30h, com o fundamental apoio de Zé de Anchieta, o velejador solitário do veleiro “Minha Ilha”. Peguei o finalzinho de uma maré vazante e o início de uma enchente, com direito a breves paradas para registrar a paisagem e marcar pontos no GPS. Remei ora num ritmo forte, ora mais lentamente, testando o sistema de leme controlado por pedais e sentindo o desenvolvimento da embarcação.

ze de anchieta 1

Zé de Anchieta se encontra agora no Mar-Oceano rumo à cidade do Recife (22/09/08). Foto do dia 13 de setembro de 2008.

O leme é de fato uma grande ajuda para manter o rumo e controlar as mudanças de rota. Antes disso eu havia remado apenas em caiaques de fibra comuns, sem leme, e sei o que é pegar uma deriva provocada pelo vento ou por alguma correnteza. É necessário remar diversas vezes em um mesmo bordo, para compensar a deriva. Com o leme isto não é necessário. Basta uma remada de cada lado e uma boa coordenação com os pés e você nunca sairá do rumo!

remando

Passando pela Pedra Furada (bairro), avistando o Farol da Ponta de Humaitá.

Em menos de uma hora e meia, já estava atrás do Forte de Monte Serrat. Esse é um trecho onde ainda se prática muita pesca com bomba na região. Felizmente neste dia não tive a tristeza de presenciar essa barbárie contra nosso ambiente marinho. O pior é que fica bem atrás da sede do Centro de Recursos Ambientais – CRA. Quando aproei em direção ao quebra mar de fora e o Mercado Modelo eram exatamente 08:50h, havia acabado de falar com André Lima ao telefone e queria pegar o Necton Sub ainda atracado no píer do Terminal Náutico da Bahia, pois teríamos ainda que colocar o caiaque para cima da embarcação, o que imaginei que daria um certo trabalho. O Necton Sub teria que sair às 09:30h, sem atrasos, por conta do compromisso com os mergulhadores (as) que se encontravam a bordo. Tentei ser o mais rápido possível na remada. Após cruzar a rota por onde passam os Ferries Boats, entrei mais um pouco para a costa e remei por dentro do quebra mar.

necton chegando

A embarcação Necton Sub se aproximando.

A HOSPEDAGEM

Às 09:25h já estava remando na altura do farolete de boreste (verde) do quebra mar, porém já sabia que não chegaria às 09:30h como desejava. Liguei para André e eles tinham acabado de sair do Terminal. Como de onde eu estava tinha uma ampla e boa visão do Forte de São Marcelo e da enseada, imaginei que em poucos segundos eu estaria com o Necton Sub em minha visão. Assim que André me viu aproou na minha direção e nos encontramos por volta das 09:35h. Decidimos rebocar o caíque até o ponto do mergulho, mais ou menos no meio do quebra mar, e subi-lo assim que o grupo de mergulhadores entrasse na água. Marquinhos Conspirador amarrou o caiaque e seguimos. A operação de colocá-lo para cima foi bem planejada e executada por Marquinhos e André, minha contribuição neste ponto foi mínima. Após o grupo subir do mergulho, ainda seguimos para outro ponto, o Farol da Barra, onde eles fariam mais uns minutos de mergulho. Nesse momento aproveitei a proximidade da Ondina e me despedi de André. Caí no mar e nadei na direção da escada do coco, aproveitando para mergulhar e fazer algumas fotos-sub da ictiofauna do navio “Maraldi”, afundado em 1875. Os peixes estavam nadando ao redor da caldeira.

peixe recifal

Peixe recifal no Maraldi. Excelente ponto para mergulho livre: água limpa, quente, raso e muita vida. Porém, só na maré de enchente.

A TRAVESIA NA LANCHA

O caiaque ficou em cima do Necton Sub durante todo o domingo. Na segunda-feira, 15 de setembro de 2008, encontrei André por volta das 14:00h para desembarcarmos o caiaque. Mais uma vez contei com a prestimosa ajuda de Zé de Anchieta, que se encontrava no Terminal Náutico da Bahia aguardando para sair em viagem num veleiro que ia para Recife. Zé foi como tripulante de apoio, certamente uma boa experiência para ele.

O transporte foi realizado na lancha “Diamante” da empresa “Cavalo Marinho”, pagando o valor de cinco reais pelo volume. A lancha saiu às 15:30h. Quando cheguei em Mar Grande, Carlos, do Canto Ecológico, já estava esperando, junto com Gabi, Mel e Daniel para colocarmos o caiaque em cima do carro.

travessia no diamante

O caiaque ficou bem acomodado na proa da lancha Diamante. Por apenas "cinco pratas", melhor impossível!

A POLÍCIA RODOVIÁRIA

Resolvemos driblar a fiscalização desta vez...não que o caiaque oferecesse qualquer perigo, mas sobrava no comprimento do carro. As andorinhas não podiam correr o risco de ficar sem caiaque... rs. Por isso optamos por coloca-lo na água antes da PR. Remei para o ‘batismo na Ilha’ e fomos ‘resgatá-lo’ um km depois.

na ilha de itaparica

Na Ilha de Itaparica.

CACHA PREGOS

Finalmente, por volta das 18:00h, chegamos ao Canto Ecológico em Cacha-Pregos, onde o caiaque ficará hospedado e de onde partirá muitas vezes para o monitoramento do banco de areia e do estuário do Rio Jaguaripe. Ainda haverá muita história para contar por aqui!

destino final

Destino final.

Valeu André e Marquinhos! Valeu Anchieta! Valeu Carlos, Gabi, Daniel e Mel! Sem o esforço de vocês seria mais difícil (Imagine! Remar direto da Ribeira para Cacha-Pregos! Outro dia quem sabe?). Obrigado também Ângelo “das cobras”, Jaelson Castro, Sidnei e Silênio, pelo empenho em contribuir para as soluções de transporte. Um forte abraço a todos!! E vamos remar!! Se Amyr Klink fez, porque a gente não pode?!

Francisco Pedro é biólogo, integrante da ONG Associação Baiana para Conservação dos Recursos Naturais - ABCRN e Coordenador do Projeto Andorinhas da Barra do Garcez. Contatos: (71) 8892-3542 ou 8765-0708 fpedrofonseca@yahoo.com.br
http://www.olhares.com/FranciscoPedro

Como você pode reconhecer um bom mergulhador:

September 14th, 2008

- Tem marcas de sol em lugares inacreditáveis.
- Usa relógio grande.
- Tem os bancos do carro estragados.
- Entende tudo sobre descongestionantes, anti-histamínicos, antieméticos...

Como você pode reconhecer um mergulhador bem antigo:

- Usa relógio grande e caro.
- Tem um carro velho e com os amortecedores destruídos.
- É surdo de pelo menos uma orelha.
- Tem diversas cicatrizes.
- Tem garrafas de mergulho mais antigas do que você.
- Manca por osteonecrose disbárica.

Como você pode reconhecer um mergulhador novato:

- Está queimado de sol.
- Usa um relógio CASIO.
- Os bancos (do carro) são bonitos.
- Preenche todas as partes do Livro de Registro de Mergulho.
- Diz com freqüência "Você viu aquela...?".
- Tem um equipamento bonitinho.
- Ouve com perfeição.

A sacanagem da caranha

September 8th, 2008

Se leis, artigos e parágrafos não impedissem o Comandante em Chefe e Capitão de Toda-Guerra Dortas de falar o que ele sabe sobre caranhas, dentões, dobrões, colares, gargantilhas, pulseiras e anéis. Sem falar nas barras e lingotes de ouro. A Bahia se transformaria no maior centro de arqueologia subaquática do mundo.

Dez por cento da carga do naufrágio Santa Clara, que foi resgatada na época do naufrágio, forrou de ouro a Igreja de São Francisco do chão ao teto. Com 20% que do que ainda permanece nos seus destroços poderíamos tirar da rua todos os pivetes num raio de 100km do Pelourinho. Com os 3.000 dentes de elefante da nau indiana que desceu na parte mais funda da Baía de Todos os Santos poderíamos dar um laptop a cada criança carente de todo recôncavo.

Existe uma dívida social e carmática com as almas que se perderam com todas essas fortunas incalculáveis. Novas tecnologias estão disponíveis a pequenos capitais e ninguém faz nada! Um impasse, nitidamente provocado pela desumana lei do momento, leva a uma ridícula observação: O que a arqueologia subaquática vai estudar se não sobrar nada?

Como os canhões de bronze que foram cortados, porque inteiros não se poderia vender, a coroa da rainha também foi vendida separada de suas pedras preciosas para ser derretida. Não seria melhor parar para acertar? Com quem? Comigo, conosco, composto, com quem sabe e ensina. Nós temos a fina flor do samba: Arqueólogos, historiadores, biólogos marinhos, aglomeradores matemáticos e mergulhadores que viram e ouviram falar. Talvez os bisnetos dessa gente precisem de uma moeda de ouro, dá pra acertar ou é pra deixar como está?

Da fortaleza do corsário,
Mukeka, o Piratão (um personagem de Mário Cortizo Andión)

mario caderneta


Complemento por André Lima:

Quando Mário me mostrou esse artigo, logo combinamos que eu faria uns comentários sobre um ponto de vista oposto. Na verdade representa somente meus questionamentos sobre o texto.

Nem precisa dizer que o texto dele nada tem a ver com o da Caranha de Dortas. O poeta Mukeka confessou que usou essa introdução apenas para rimar dentões com dobrões. Uma boa sacada.

Mas, em essência Mukeka quer a liberação das explorações, para fins comerciais, dos navios afundados. E para ganhar simpatizantes ele usou frases de impacto:

“A Bahia se transformaria no maior centro de arqueologia subaquática do mundo.”
Mas desde quando retirar peças (valiosas comercialmente) de navios é arqueologia?

“Com 20% que do que ainda permanece nos seus destroços poderíamos tirar da rua todos os pivetes num raio de 100km do Pelourinho.”
Por que temos que destruir um patrimônio cultural (submerso) para atender as necessidades sociais das crianças carentes? Não seria melhor tirar o dinheiro da corrupção, da malversação do dinheiro público?

“O que a arqueologia subaquática vai estudar se não sobrar nada?”
Bem intimidador. Ou paga minha parte em valor de mercado negro ou fica sem nada! É assim que tem que ser? Quem trabalha merece receber uma remuneração, não há dúvida. Mas, não se pode pagar esse trabalhador (mergulhador) baseado em leilão de patrimônio da humanidade no mercado negro.

“Talvez os bisnetos dessa gente precisem de uma moeda de ouro, dá pra acertar ou é pra deixar como está?”
Como se houvesse uma única saída para as futuras gerações: Se apropriar do tesouro da humanidade e vender como nosso fosse para saldar nossas dívidas sociais. E se não der para saldar, que tal depois vender a Amazônia?

Clicando aqui assista o filme sobre a Convenção da UNESCO para a Proteção do Patrimônio Cultural Subaquático


Inegavelmente Mário, meu grande amigo, continua sendo um dos melhores contadores de estória que já conheci.

Vivendo (com alto astral) embarcado. Relato de Zé de Anchieta.

August 29th, 2008

Fotos por Buia, Karina Casé e Zé de Anchieta

... a Ribeira é bem tranqüila, não tem moscas e nem mosquitos. No entanto é preciso estar sempre atento na hora de entrar e sair. Essa semana um veleiro ficou encalhado por mais de duas horas no banco, isso sem falar que a bóia é cega (sem iluminação), entrar no escuro é só para os experientes.

...muito bacana, paz total. O Pier Salvador tem uma estrutura atrativa.

ze de anchieta 2

Zé de Anchieta muitas vezes precisa mergulhar para atender às consultorias de biologia marinha

Eu sou Biólogo, foquei meus estudos na Biologia Marinha e trabalho com consultor. Fiz um curso de vela que durou três meses há dez anos atrás, depois disso velejei poucas vezes em um Marreco 16, ou seja minha vida como velejador está apenas começando!

Já pensava em morar em um veleiro há muito tempo, só faltava mesmo o barco. Muito provavelmente essa vontade nasceu ou se fortaleceu através das minhas leituras, família Schurman, Amyr Klink, André Melo, Aleixo Belov, Joshua Slocum, Hélio Setti e outros...

Escolhi a Ribeira por conta do preço e localização, Aratú é muito longe, Bahia Marina é muito caro, mas reconheço que preciso visitar o pier da cidade baixa e do Bonfim.

Tento limpar meu barco semanalmente, aqui tem muita matéria orgânica na água, as algas e cracas são danadas.

karina casé

Karina Casé e Cláudio Sampaio "Buia" em visita à "Minha Ilha"

Um barco pode ser comparado de forma simples com uma casa: você pode ter dinheiro e morar em uma mansão, ou em um barraco no meio de uma favela. Na água você pode viver em um 40 pés (tamanho do barco = 12,2 metros) luxuoso, ou em um 19 pés sem banheiro. No meu caso moro em Atol 23 pés, minha maior dificuldade é que o pé direito (altura do barco) é baixo, quando entro na cabine preciso fazer tudo sentado, caso contrário a coluna vai passear na lua!

Minha casa é pequena, mas minha piscina é a maior de todas. As alegrias são muitas, contato constante com a natureza, canto das sereias, possibilidade de viajar com baixo custo, pra mergulhar é só pular na água, exercício constante, etc.

buia em minha ilha

Cláudio Sampaio "Buia" no preparo de sua famosa moqueca

Passei todo o mês de agosto boiando aqui na Ribeira, realizando algumas manutenções, o vento aqui refresca, mas não balança quase nada. Nas primeiras noites acordava a toda hora, pois não estava acostumado com os barulhos dos veleiros, são muitos cabos batendo nos mastros, botes batendo nos cascos, cataventos cantando e o vento uivando nos estais. Nestes dias meu motor estava na popa, toda hora eu pensava que tinha alguém 'mexendo' no meu motor, sei lá.

No quinto dia já estava acostumado com os barulhos, meu motor eu guardei na marina e as noites agora estão mais tranqüilas do que no AP que eu morava.

Nos temporais o que faz barulho mesmo é a chuva que dá pra acostumar.

Na primeira semana a bordo estava sem luz na cabine, fazia tudo apenas com uma lanterna minúscula, como São Pedro não estava de brincadeira, eu me enrolava no saco de dormir e ficava quietinho curtindo o micro balanço. Micro porque aqui é muito tranqüilo, balança menos que uma plataforma que já trabalhei. Quando passa uns "lancheiros" sem vergonha é que balança tudo.

A possibilidade de viver uma vida sem muito consumismo, pra mim, é uma grande alegria, a natureza agradece!

... para aqueles que estão na dúvida ou para aqueles que faltam coragem, tem que ter muita força de vontade, nem tudo é mil maravilhas, mas vale à pena.

Hoje em dia é até possível alugar veleiros para conhecer esta experiência e partir daí se decidir realmente.

Basta pronunciar o nome do veleiro (Minha Ilha) que vai ver que a ilha é sua também... !!

Zé de Anchieta

Uma fria que vale à pena: icebergs estriados

August 21st, 2008

Os icebergs da Antártida por vezes apresentam estrias, faixas formadas por camadas de gelo que reagem a diferentes condições.

iceberg 1


As faixas azuis são criadas quando uma falha na folha de gelo é preenchida com água derretida que congela tão rapidamente que nem chega a formar bolhas.

iceberg 2


Quando o iceberg cai no mar, a água salgada pode congelar na parcela inferior. Esta água, rica em algas, pode formar uma faixa esverdeada. As faixas castanhas, pretas e amareladas, podem ser causadas por sedimentos, coletados enquanto o pedaço de gelo desliza na direção do mar.

iceberg 3


iceberg 4


A água congelou no momento em que a onda estourava sobre o gelo. É assim que acontece na Antártida, que tem tido o tempo mais frio das últimas décadas. A água congela no momento que entra em contato com o ar. A temperatura da água já está nesse momento alguns graus abaixo do ponto de congelamento. Veja a onda congelada no ar.

iceberg 5


Dica de Lica Moniz (gente que sabe das coisas)

Pontos notáveis

August 21st, 2008

Ponto notável é aquele que serve como referência visual durante uma navegação. Todo mergulhador (até os distraídos) de Salvador sempre vê vários desses pontos listados abaixo, quando embarca no Necton Sub ou no Cruzeiro do Sul.

Em Salvador, alguns pontos são notáveis também pelo aspecto estético que ajudam a compor o belo visual de quem vê a cidade pelo mar.

pontos notáveis

Imagem do Atlas dos Monumentos Históricos e Artísticos do Brasil

1. Igreja de Nossa Senhora da Penha
2. Igreja do Senhor do Bonfim
4. Igreja de Nossa Senhora de Monte Serrat
5. Forte de Nossa Senhora de Monte Serrat
6. Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem
8. Forte de Santo Antônio (ou Forte da Capoeira)
9. Igreja de Nossa Senhora do Pilar
10. Convento com capela e Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo
17. Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia
18. Museu de Arte Sacra - Igreja e Convento de Santa Teresa
20. Casa e Igreja do Unhão
21. Forte de São Pedro da Gamboa
22. Forte (bateria) de São Paulo da Gamboa
26. Igreja Nossa Senhora da Vitória
27. Igreja Santo Antônio da Barra
30. Forte de São Marcelo ou do Mar

E muito mais:
Igreja de Santo Antônio Além do Carmo (próxima ao 8), Igreja de Nossa Senhora da Conceição do Boqueirão (próxima ao 9), Igreja do Santíssimo Sacramento da Rua do Passo (próxima ao 10), Catedral Basílica (próxima ao 11), Elevador Lacerda, Mercado Modelo...


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