Quando o mar não está pra peixe

11 de janeiro de 2008 por Leonardo Fialho

- Alô. Marquinhos?
- Não. Aqui é André. Marquinhos está todo equipado na plataforma de popa do barco e vai mergulhar. Você quer deixar algum recado?
- Peça pra ele ligar pra mim. Tão logo ele termine o mergulho. É urgente! É que eu tô à deriva, o motor do barco quebrou.
- Onde você está?
- Afastado de terra um pouco, entre o Farol da Barra e o Cristo.
- Ok, a gente volta a se falar daqui a pouco.

Ainda com certa tranquilidade o mergulhador praticante de pesca submarina Marcos Tessier, apelido “Ameba”, velho amigo de Marcos de Paula “O Conspirador”, e estudante de biologia da Católica, lidava com aquela maré de azar, que havia começado desde cedo.

Uma casa de veraneio, pescarias e paz de espírito

Ameba alugou uma casa em Itaparica. A sua intenção era ficar pescando com sua pequena lancha. Para tanto organizou tudo que tinha que fazer e, na sexta-feira 4 de janeiro de 2008, faltava apenas levar o barco para Ilha.

Acordou bem cedo e foi para o Porto da Barra descer o barco na rampa. Mas, nem sempre a maré alta está de acordo com as nossas conveniências de horário. E naquele dia a maré estava baixa e a água do mar não chegava até a rampa. Era preciso descer com o carro até uma zona de areia para que a carreta que transportava o barco alcançasse o mar. Ameba sabia disso, mas estava confiante que sua Ford Ranger 4×4 daria conta do recado.

Se burro empaca, Ford Ranger também pode

Barco flutuando. Primeira etapa foi efetuada com sucesso. Bastava subir o carro da rampa para guardá-lo e seguir viagem com sua lancha para Itaparica. Ameba engrenou a tração e pimba. Tração 4×4 quebrada.

Tudo bem. Isso acontece. Marcos “Prudente” Tessier acinou, por segurança, o freio de mão e ligou para a assistência (reboque). Enquanto isso, a maré ia subindo.

O caminhão da assistência chegou, fez o “link” para o reboque e pisou no acelerador, mas o carro não saía do lugar. Além do peso do carro, da inclinação da rampa, das rodas atoladas na areia, da tração quebrada… o freio de mão travou. Enquanto isso, a maré ia subindo, já alcançando uma boa parte do carro. Foi até notícia para televisão (BA TV), Jornal A Tarde e outros.

Ameba convocou os curiosos para “carregar” sua Ford Ranger. Foram mais de vinte homens e reboque para conseguir resolver o problema. Mas, essa etapa, com alguns percalços, também foi vencida.

Quem vai pro mar se avia em terra

Marcos “Azarado” Tessier mandou fazer uma revisão do motor do barco, mas não testou. Até porque o mecânico disse com convicção: – O motor agora tá zero. Pode ir para qualquer lugar!

Com a ajuda de um amigo, embarcou as últimas coisas e ligou o motor de popa para seguir viagem. Inclusive com rota planejada. Pois, para ele, fazer a travessia por fora da Baía de Todos os Santos é melhor do que por dentro e depois ir costeando (próximo da costa) até Aratuba, seu destino final.

O motor não estava legal. Estava trabalhando em operação tartaruga. Apesar do atraso de várias horas, por causa da sua Ranger Empacada 4×4, e do motor em baixa rotação, Ameba resolveu seguir viagem.

Santo Antônio, o banco que já afundou até o poderoso Galeão Santíssimo Sacramento

Mal contornou o Farol da Barra, o motor morreu de vez. Estavam à deriva, ao sabor das ondas, do vento e da maré (principalmente a de azar). O barco de 16 pés (menos que 5 metros) de comprimento total foi sendo levado para o Banco de Santo Antônio, um dinâmico banco de areia, que com vento fica arrebentando ondas perigosas. E, no verão, o vento sempre começa a soprar mais forte depois do meio dia.

Âncora ao mar na intenção de não se afastar da costa, naquela maré de vazante na boca da Baía de Todos os Santos. E providenciar ajuda através do celular, pois seu futuro rádio VHF ainda estava na loja à espera de sua decisão de compra. A notícia se espalhou e Ameba já atendia, com certa apreensão, aos telefonemas dos amigos preocupados para que não acabasse a bateria do seu celular: – Eu tô bem, mas preciso economizar a bateria do celular. Ou você vem me buscar ou tchau.

Resgatando o 11 de dezembro

Falei para Marquinhos “Conspirador” e clientes do Necton Sub: – Pessoal. A situação é a seguinte… Então podemos mudar de ponto de mergulho para que o Necton Sub possa dar uma assistência aos dois rapazes?

Deixei os mergulhadores no ponto de mergulho Reliance (um naufrágio colado às pedras do Morro do Cristo – na Barra) e fui dar assistência à “11 de dezembro”, uma pequena lancha, sem toldo para proteção do sol, que estava balançando muito naquelas malestrosas ondas que vinham de sudeste.

Ameba subiu a âncora e jogou um cabo para que eu amarrasse no Necton Sub e viabilizasse o reboque. E assim aconteceu, mas não exatamente como Ameba gostaria. Pois, com o balanço das ondas, o cabo de reboque “fisgou” e derrubou no mar a âncora com a corrente de aço inox da lancha “11 de dezembro”. Mais um prejuízo. Soube só depois do acontecido, porque olhei para trás e ví Ameba acenando para atender ao telefone celular.

O azar resvala no Necton Sub

Quando em zona menos agitada, pedi que os dois amigos embarcassem no Necton Sub, pois além de mais seguro e confortável, poderiam estar precisando de água potável, um lanchinho e fugir do sol. Nessa manobra, fora da Baía de Todos os Santos, porque eu ainda iria buscar os mergulhadores no Reliance, a lanchinha encostou num bordo do Necton Sub, ferindo um pouco o novo adesivo.

O primeiro a embarcar foi o amigo de Ameba, em tese o menos entendido da arte da marinharia, mas de certa forma auxiliado pelo contrapeso de Marcos “Férias-Furadas” Tessier. Na vez de Ameba, o barquinho, agora leve, desequilibrou, levando-o para água. Detalhe: Com o telefone celular bacaninha no bolso.

Depois de deixá-los no Porto da Barra, seguimos viagem para o Terminal Náutico da Bahia. Ameba, porém, havia esquecido seu telefone celular no Necton Sub.

Já ao anoitecer, Marcos “Depressivo” Tessier liga para Marquinhos pedindo para levar o celular esquecido no Porto da Barra. Pois Ameba ainda estava lá resolvendo a guarda do barco e outros pertences. Marquinhos responde prontamente: – É melhor mesmo eu passar aí. Pois, do jeito que você está azarado hoje, é capaz de aparecer um ladrão para lhe roubar, você responder qualquer coisa, o cara não gostar e lhe dar um tiro.

5 comentários para “Quando o mar não está pra peixe”

  1. Jomar disse:

    Profissional de bordel que deu a luz!!! Vai ter azar assim lá na casa do Carvalho (rs)!!!

  2. Bruno Ribeiro disse:

    heheh!
    É esse não foi um bom dia para meu amigo “AMEBA”.Acho que ele pagou por todos os atos cometidos a seus amigos durante esses tempos parados.
    Ninguém merece isso, mais para ele foi bem feito para deixa de tanta preguiça e negar as coisas aos amigos.

    Imagine : carro atolado, motor folgado, âncora de R$ 400.00 mais celular de R$ 600.00. Só um banho de água salgada para animar o clima …

    Bruno Ribeiro ATLETA PKsub …

  3. flavia disse:

    rssss…o melhor de tudo é a narração de André!
    Perfeita!
    Vcs são ótimos, meninos!
    BJs!!

  4. Rodrigo disse:

    Hauahuahauhahaua
    O mar sempre da um jeito de se vingar ahuhuahauhauhau!!!
    Rapaz, va se benzer ameba heheheheh

  5. Juieta disse:

    Huahuahuahua… essa história ta demais. Meu amigo Ameba, pare de pescar, vc não esta percebendo que o mar não esta pra peixe?! Hehehehe…

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