A pressão que experimentamos sentados numa cadeira de praia à beira mar é de uma atmosfera. Somos sensíveis a mudanças em relação a este valor. Do ar rarefeito ao comprimido, ou seja, mergulhar ou escalar montanhas nos afeta fortemente de várias maneiras. O que fazer para não sofrer danos nessas viagens movidas pela curiosidade? No mergulho gerenciamos nossa viagem com as “tabelas de mergulho”, e como vocês sabem, tabela é uma questão de fé. Quem está familiarizado com a tabela recreativa da NAUI poderá ler impresso e destacado o aviso “MESMO COM RIGOROSO CUMPRIMENTO DAS TABELAS NÃO HÁ GARANTIA DE NÃO OCORRER DOENÇA DESCOMPRESSIVA. A PRÁTICA CONSERVADORA É FORTEMENTE RECOMENDADA”. Sempre gostei desse toque, acho sincero. Ao final das contas é algo ainda sob estudo e pesquisa. O quebra-cabeça descompressivo ainda não está completamente montado…
Como mergulhador não me sinto atraído por recordes de profundidade ou de outros tipos. Mas, sempre quis dar uma olhada nos atratores de Praia do Forte. E lá fomos fundo, 73.5 metros. Dia perfeito de sol e água “blue”, completamos o planejado sem inconvenientes. Com meu dupla Eurípedes, parceiro de muitos mergulhos, cumprimos o programa do “slate” de forma relaxada… Não tinha praticamente correnteza e utilizamos o cabo do atrator para descer, e na subida, para cumprir nossa descompressão. Quando completei o programa da minha prancheta, olhei para a escada do barco e subi vagarosamente. Por se tratar de um barco de pesca, subir equipado precisou de algum malabarismo. Mais tarde, fiquei culpando esta manobra enquanto uma dor no ombro ia se instalando aos poucos.
O dia acabou num “rango” de confraternização na praia de Guarajuba… O ombro estava incomodando de leve. Voltei de carona com Mac, estava cansado e fui dormir. André me ligou no outro dia antes das seis, já que a operação da gente para o Cavo Artemides sairia às sete. O ombro já estava doendo pra valer. Agora com certeza eu estava com DD!
Marquinhos até estranhou eu dispensar o mergulho no Cavo com aquela água roxa… Mas, eu estava f…! Liguei pra o Dr. João David e na segunda feira à tarde fui atendido no Centro de Medicina Hiperbárica do Nordeste pelo Dr. Paulo, que me aplicou a Tabela 5 da US NAVY. Após a recompressão fiz durante a semana várias sessões de oxigenioterapia hiperbárica.
Agora estou refletindo sobre o que me aconteceu, enquanto escrevo estas linhas. O plano foi gerado em um “software” de última geração e rechecado após o mergulho procurando respostas; teoricamente não devia dar nada errado. Sobrou gás… Praticamente a metade do suprimento que carreguei para esse mergulho. Foi uma bem organizada operação de amigos que contou com dois mergulhadores “safe” e três duplas que atingiram a profundidade máxima. Em uma última análise sou levado a pensar que eu estava desidratado. Apesar das condições perfeitas do mergulho, NÃO HOUVE A GARANTIA DE NÃO OCORRER A DOENÇA DESCOMPRESSIVA.
Essa experiência me deu a convicção de que mesmo com um bom plano de mergulho, devo ser mais cauteloso e conservador; mantendo, por exemplo, sempre alto o meu nível de hidratação, consumindo sobre tudo ÁGUA PURA.
Quero aproveitar para agradecer ao Dr. João Davi que cuidou de mim com muita competência e generosidade, incluindo a equipe toda do Centro de Medicina Hiperbárica do Nordeste.
Que bom esse relato , mostra que qualquer um pode sofrer uma DD ou algo parecido , alem dos planejamentos e equipamentos ,tem a maquina que operatudo isso , essa maquina (o corpo) tem que acima de tudo estar em totais condiçoes p/ o esporte , agora algumas perguntas ?Vc poderia mostrar o perfil detalhado do mergulho?antecipadamente agradeço a forma de mostrar que mesmo os mergulhadores mais experientes podem sofrer problemas , só os nobres tem a coragem de mostrar os problemas e realidades do mergulho.
Rafhal, esse relato de Ricardo é realmente muito legal, pois ele consegue contar com transparência e até alegria um problema de mergulho que lhe aconteceu. Depois disso “Chango” já fez mais de 500 mergulhos sem qualquer problema. Se quiser saber mais detalhes, entre em contato direto com ele: ricardodevill@hotmail.com
Pois é, eu realmente gostei do relato, também dos primeiros comentários que aqui estão antes ao meu! Mais fica minha dúvida sobre o perfil e a tabela usados na ocasião, gostaria de ve-las p/ comparar com as minhas, já que as vezes realizo mergulhor parecidos como este. Fica minha dúvida: se aconteceu com ele, pode acontecer comigo também?
640,00 reais vegonhas
ss