Mergulho do dia 17 de junho de 2007
“Descemos, minha dupla localizou um dos cabos, amarrei a carretilha com a bóia na superfície e seguimos no sentido da Ilha de Itaparica. A dupla seguia uns 10 a 15 metros à minha frente quando ouvi um estouro e um barulho parecido com um motor de popa sobre minha cabeça. Como havia deixado a bóia amarrada mais atrás parei de nadar, perdendo contato visual com minha dupla, esperando a “lancha” passar mas o barulho continuava. Coloquei minha mão direita sobre o primeiro estágio e ela começou a balançar com o forte fluxo de ar que escapava do cilindro: o o-ring foi pro espaço quando eu estava aos 15,4m e com 10 minutos de TF (tempo de fundo)! Olhei para o manômetro e a agulha começou a descer rápido. Não tendo a dupla no meu campo de visão tomei a decisão de fazer uma subida controlada de emergência. Procurei ir mais lento que as menores bolhas que eu ainda exalava, ignorando os alarmes do meu computador pois a esta profundidade ele pede uma subida a 7m/min. Não ia dar tempo de fazer isso. Mantive minha mão direita na fivela do cinto de lastro durante a subida caso eu percebesse que não iria chegar à tona antes do cilindro esvaziar e fazendo isso pude controlar um pouco melhor minha velocidade de subida pois estava usando neoprene 5mm. Quando cheguei à superfície ainda tive ar para inflar o colete e depois fechei a torneira do cilindro parando aquele barulho ensurdecedor atrás da minha cabeça. Logo em seguida tirei meu decomarker/sinalizador do bolso e o inflei com a boca pois eu estava bem no trajeto de vários barcos. Nadei até a bóia que havia amarrado num dos cabos e aguardei minha dupla que logo em seguida subiu para me encontrar. Expliquei o que havia acontecido e pedi a ela que descesse para pegar a carretilha e trazer a bóia até a saída.
Tenho a certeza que a boa freqüência de mergulhos que tenho feito e o treinamento de Rescue Diver me ajudaram a manter tranqüilidade suficiente para fazer as escolhas corretas e chegar à superfície inspirando e expirando normalmente. Além disso foram várias ações tomadas uma após a outra em prol da minha segurança e todas aconteceram automaticamente: parar, identificar o problema, decidir entre procurar a dupla ou subir, esvaziar o colete, respirar normalmente, manter os olhos no profundímetro e no manômetro, seguir as menores bolhas, manter a mão na fivela do cinto de lastro, inflar o colete na superfície, inflar o decomarker, sair da rota dos barcos e aguardar minha dupla.
Imagino que teria sido muito complicado chegar à superfície antes do ar acabar se estivesse mergulhando a 30, 40, 45 metros como já fizemos diversas vezes. Sem treinamento adequado e redundância no sistema de ar não dá pra desgrudar do dupla pessoal!!! Como disse, agradeço a oportunidade de estar mergulhando freqüêntemente e ter o treino de rescue. Dizer que não fiquei assustado seria uma grande mentira. Mas posso dizer com certeza que tive o controle necessário para tomar as decisões certas e não entrar em pânico.”

Dr. Jomar Souza – Cremeb 11.443 – Especialista em Medicina do Esporte – Médico de Referência e Membro DAN – Rescue Diver PADI – Diretor Técnico da Clínica SportMed Saúde Desportiva (www.sportmed.com.br)
Jomar Souza, M.D. – Primary Care Sports Medicine – DAN Member and Referral Physician – Rescue Diver PADI – Technical Director SportMed Clinic – Salvador/BRAZIL
JUNTE-SE À DAN / JOIN DAN
A dupla olha p/ trás e se pergunta… onde estará Tio Jomar c/ sua linda carretilha???????
Já pensou se isso acontece nas Paredes do Beto, à 55 m???
Ainda bem q o rescue é ele! rsrs…
Feliz Aniversário Tio Jomar!!! Que Deus te D muitos anos de vida, c/ saúde e essa tranquilidade que vc leva aonde vai… qualquer coisa sua buddy tá sempre aqui! rsrsrs…
Grande colega, competentissimo. trabalhamos juntos na S. Helena em Camaçari. parabens, amigo. Alfredo Athayde. (CARDIO)
Grande Dr. Alfredo! Uma satisfação receber mensagem do amigo. Forte abraço.