Fialho pergunta, Fagundes responde e todos aprendem

24 de janeiro de 2008 por Leonardo Fialho

Bruno,

Tudo bom meu velho? Descreva aí sua opinião sobre o equipamento (rebreather circuito fechado).

Abraços,
Leonardo Fialho

***

Fialho, o Megalodon é muito bem construído. A qualidade de construção é algo que se nota de cara, mesmo para aquele que não conhece sobre rebreather. Ele é um equipamento concebido por um ex-integrante das Forças Especiais do Exército dos EUA e foi construído como um equipamento militar, para ser operado em lugares remotos e com manutenção de campo facilitada.

No início do treinamento é comum o mergulhador apanhar um pouco do rebreather, principalmente porque a flutuabilidade é bem diferente do circuito aberto. Mas, depois de mais de 9 horas mergulhando com ele, já me senti bem mais confortável e capaz de executar qualquer mergulho com segurança. Estou muito satisfeito e acredito que a minha decisão em partir para o rebreather foi acertada. O equipamento é muito superior a qualquer rig (equipamento customizado) de circuito aberto e no caso específico do Megalodon, ele se ajusta muito bem à nossa realidade brasileira, pois já há disponível no mercado nacional material absorvente de CO2 compatível com o scrubber dele, não havendo necessidade de importação.

Talvez o único ponto negativo do Meg seja o eletrônico, pois a versão atual (Apecs 2.5) ainda não possui algoritmo de deco (descompressão) incorporado. Mas a Innerspace já está trabalhando há algum tempo numa nova versão, a Apecs 3.0, que promete muito e que poderá ser alcançada através de upgrade da cabeça do rebreather. Além disso, isso é algo muito fácil de ser contornado com tabelas de mergulho, bottom timers, adaptação de computadores de fração de O2 constante para operar com o rebreather ou mesmo com a aquisição de um computador novo de PpO2 constante, como o VR3, Liquivision X1 ou Sherwater Pursuit.


Bruno Fagundes no Galeão Sacramento, o mais famoso naufrágio “mergulhavél” do século XVII.


Na popa do Cavo Artemides, aproximadamente 30m de profundidade. Vê-se boa parte do leme da embarcação.


O Cavo Artemides afundou em 1980. Muitas estruturas já desabaram, descaracterizando o formato original do navio.


“O Mundo Silencioso” do mergulho com circuito fechado.


Três cilindros: um branco com oxigênio, outro com gás diluente (nesse mergulho foi ar comprimido) e, por último o amarelo com gás reserva para emergência (bailout).

“As fotografias foram tiradas pelo instrutor trainer e membro do Board of Advisors da IANTD, Michael Silva Netto”, complementa Bruno Fagundes.

9 comentários para “Fialho pergunta, Fagundes responde e todos aprendem”

  1. Léia disse:

    Caramba!!! Não solta bolhas, claro! E eu nem tinha pensado nesse detalhe! rsrsrs… Como diria Dr. Jomar: ” Quando eu crescer, quero ser igual ao Bruno” e haja água pela frente!
    Lindas fotos!!!

  2. Bruno Fagundes disse:

    Pessoal, as fotografias foram tiradas pelo instrutor trainer da IANTD e membro do Board of Advisors dessa operadora, Michael Silva Netto.

  3. Bruno Fagundes disse:

    A IANTD é uma certificadora de mergulho e não uma operadora. Houve erro na msg anterior.

  4. Jomar disse:

    Bruno, já vi em fotos e na TV alguns rebreathers em uma espécie de “case” onde os 2 cilindros e a peça central não ficam visíveis. Serve neste modelo que você tem?

  5. Bruno Fagundes disse:

    Jomar, há vários modelos de rebreathers que possuem suas partes montadas dentro de uma cobertura plástica. O exemplo mais comum são os Inspiration/Evolution, fabricados na Inglaterra pela AP Valves.

    A Innerspace, contudo, preferiu não dotar o Megalodon desse tipo de caixa plástica porque ao projetar o Meg ela pensou num rebreather que fosse modular, com o fim de atender as exigências de diversos tipos de mergulhadores, desde o recreacional até o explorador de cavernas e naufrágios profundos.

    A adoção dessa cobertura plástica inviabilizaria a colocação no Meg de cilindros de maior capacidade, com o fim de permitir que o rebreather fosse usado em mergulhos extremos, tanto em termos de profundidade como de tempo de mergulho.

    O Megalodon vem de fábrica com cilindros de 19 pés cúbicos de alumínio, fabricados pela Luxfer. No meu rebreather eu pedi à fábrica que fosse feito um upgrade dos cilindros para os FX 23 de aço da Faber, que me dão 3 litros de capacidade e pressão de trabalho de 3444 PSI. A minha decisão em pedir esse tipo de cilindro se deu em função deles serem mais pesados e adequados para uso em água salgada.

    Há outros mergulhadores, como o Cedric Verdier, que já alcançou a profunidade de 230 metros com o Megalodon explorando uma caverna na Ásia, que nesses mergulhos exploratórios usam até mesmo S80 como cilindros onboard no Meg.

    Como você pode ver, o projeto é modular e possibilita atender vários tipos de mergulhos e mergulhadores, sem nenhuma adaptação. Caso ele tivesse a caixa plástica, haveria uma limitação na adoção dos cilindros e consequentemente do rebreather. É isso o que acontece os modelos que adotam esse tipo de configuração.

    Bruno

  6. mihael de oliveira disse:

    se vc conhecer michael silva netto fale pra ele ligar sem falta para michael de oliveria em umuarama .brasil.po favor e muito importante.urgente.

  7. kelvin disse:

    bruno se vc michael siuva netto manda ele entra em comtato com michael de oliveira em umuarama br

  8. kelvin disse:

    bruno se tiver contato com michael siuva netto manda ele entra em comtato com michael de oliveira em umuarama br

  9. [...] pergunta, Fagundes responde”, novamente sobre o mesmo tema, o primeiro se encontra aqui. Talvez porque Fialho continua sem conhecer de perto o funcionamento do rebreather, ou quem sabe [...]

Deixe um comentário