A história da vaca pescada

7 de março de 2008 por Leonardo Fialho

Após uma semana inteira de temporal, eis que amanhece o dia com um mar de almirante. Mar calmo, dia claro, gaivotas voando baixo. Já que a lancha (Carbrasmar 32 pés) estava apoitada no Iate clube de Ilhéus e abastecida com água e combustível, resolvemos sair para corsear, que é um tipo de pesca com o barco em movimento. Coisa que ja não fazíamos há uma semana devido ao mau tempo.

Diferente de Itacaré, que se aproxima muito da plataforma continental, Ilhéus é muito afastado e, portanto a chegada no pesqueiro é muito mais demorada.

Ao chegar-mos em águas azuis, diminuimos a velocidade da lancha e colocamos cinco linhas na água. As varas laterais, colocamos lulas artificiais, uma de cada lado, e as três varas da popa, três rapalas. E assim continuamos nosso trajeto em direção ao pesqueiro, que nós conhecemos pelo nome de beirada das canoas. Local de grandes peixes, Marlins, Dourados, Cavalas e etc…

Geralmente gosto de navegar no flybridge da lancha, que é o local mais alto da embarcação, e de lá da para ver toda extensão do mar. Sempre vejo enormes tartarugas, na flor d’agua.

Tão grande meu espanto, quando ao longe percebi algo muito estranho, pela forma e pela distância em que se encontrava, parecia uma baleia morta ou uma grande arbusto.

Logo comuniquei ao marinheiro, que mudou o rumo da embarcação, e navegamos em direção a esse objeto não identificado, pois possivelmente poderia ter algum peixe grande ao lado desse.

Cada vez que nos aproximávamos, o objeto tomava formas diferentes em nossas cabeças, chegamos mesmo a pensar em até um grande tubarão. Mas o a grande surpresa ainda estava por vir. Foi quando ao chegar-mos bem perto, pudemos constatar de que se tratava de uma vaca.

É sim, caro leitores,uma vaca!!! Surpreendentemente, esse animal se encontrava a 15 milhas da costa e ainda com vida.

Ao perceber a nossa presença, o animal começou a nadar em direção à lancha, na irreal esperança de subir à bordo.

Sensibilizados com a luta pela vida, resolvemos tentar salvar aquele animal. Desligamos os motores da lancha e traçamos uma maneira de poder reboca-lo até o porto de Ilhéus.

Ultilizando o bicheiro, passamos uma corda entre o pescoço e uma das patas da vaca, de forma que a corda não a enforcasse.

Foram as mais tensas e longas horas que passamos até a chegada no porto. A cada ondulação maior, o animal tomava um grande caldo, de até mesmo pensar, ” Que pena agora a pobre vaquinha morreu”. Que morrer que nada!!! Chegamos ao porto de Ilhéus. A medida em que nos aproximávamos, os funcionários portuários iam se aglomerando acompanhando a lancha, imaginado coisa tipo um enorme cação ou um
grande canapú…

Tiramos o laço do animal, pedimos ajuda a um funcionário portuário conhecido para retirar o animal da água e que fornecesse algum abrigo até que nós voltássemos da pescaria, pois pescador é tudo igual, saiu para pescar, tem que ir pescar.

Saimos do porto em direção ao pesqueiro, só que agora com os motores a todo gás, pois tínhamos ganho um grande tempo rebocando aquela vida, mas perdido horas de pescaria, hora que queríamos recuperar. Chegamos ao pesqueiro ainda a tempo de fazer-mos uma boa pescaria, tanto de corso como de fundo. Pegamos atuns, dourados, cavalas, olhos de boi, vermelhos, guaiúbas, ariacós, etc.

Ao retonar-mos da pescaria, ficamos sabendo que se tratava de uma vaca da raça pardo-suíço e que estava prenha. Ainda houve que dissesse,”Vamos matá-la, vamos fazer um grande churrasco!” Ô instinto maldoso de alguns humanos, não? Passamos horas tentando salvar e salvamos uma vida, e um imbecil diz para matar o animal.

Pois é, caros leitores. Esse animal viveu por muito tempo em nossa fazenda, dando uma cria por ano. Hoje “Sereia” não está mais entre nóis, pois morreu de velhice. E acreditamos que estamos aqui contando esta história para vocês porque, muito tempo após esse episódio , naufragamos em alto mar e fomos recompensados pela natureza, por ter-mos salvo uma vida.

Repassada por Dortas, de um ex-colega do Colégio Militar de Salvador, Robspierre (pierre31@terra.com.br).

Leia também “Rede para pescar vaquinhas”

http://www.nectonsub.com.br/item/553/

2 comentários para “A história da vaca pescada”

  1. Léia disse:

    Essa história da sereia é verdadeira? Essa sereia era guerreira e sortuda. Linda história! rsrs…

  2. Márcio disse:

    Já conhecia essa historia. Qdo era pequeno o sobrinho de Adami (nao lembro o primeiro nome) contava na rua e a molecada ria da cara dele dizendo q era mentira. rsrsrsrsr

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