Ata da Fundação da Escola de Samba Marinheiro da Lua

26 de junho de 2008 por Leonardo Fialho

Samba, rock, salsa, merengue e tcha-tcha-tchá sempre fizeram parte do universo musical de Mário Mukeka (O Irrecuperável). Mesmo na época da Gang-Bang, seu som já era African-Pop. Tanto que, durante seu retiro espiritual na Ilha de Itaparica, ele também se dedicou ao estudo da percussão.

Mukeka, amigo de Fia Luna, tocava nos gigantescos tambores que Juvená mandara construir e que atualmente se encontram no Museu do Ritmo (Carlinhos Brown). Eram noitadas intermináveis, na Cabana do Juvená, que “mandava descer todas” (as bebidas) para incentivar o toque do tambor. Fia Luna subia em um tamborete para tocar no maior, pois conhecia todos os ritmos e não escondia como soltar os dedos em cima do couro. Com ele, Mukeka aprendeu que o tambor é um instrumento harmônico, além de percussivo, e pode ser dedilhado como se faz em um piano.

Nessa época, morava em Itapuã e andava nos ensaios do Malê de Balê, o primeiro bloco a sacar a batida dobrada do reggae. Mukeka relata: “Me debrucei muitas noites na banda, observando as suas evoluções e seus compassos variáveis. E hoje, muitas músicas nascem primeiro no tambor e só depois vem a harmonia do violão.”

A busca de uma levada corporal, uma ginga, uma transcendência de a gravidade no ir e vir de cada compasso levou Mukeka a descobrir a banda Buena Vista, um toque mais elegante que Fia Luna não o ensinara. Bem diferente da frenética música do Haiti, corrente que seu mestre mais se debruçara. A partir daí Mukeka deixou de fazer canções. “Talvez minhas músicas sejam mantras”, avalia o compositor.

A partir de um convite para tocar todas as quintas no Porto da Barra (o berçário de muitos), Mário Mukeka fundou a Escola de Samba Marinheiro da Lua. E está usando esse espaço, The Dubliners – Irish Pub, para ensaio da banda. Quem sabe ensina, quem não sabe pode aprender.


Gerônimo Santana e Mário Mukeka na apresentação do dia 19 de junho de 2008.

Ainda não foi definido, nem talvez seja, o tamanho da banda. Pois, a intenção é aglutinar os maravilhosos percussionistas da Bahia e formar novos Fias Lunas. No contrabaixo, o menino de ouro dos Novos Baianos, Didi Gomes. Na guitarra, Kaito Marques, dublê de músico e mergulhador. Na voz e violão, o próprio Mukeka. E canjas de Toni Duarte da Banda Mont Serrat, que também empresta o grande percussionista Tião Oliveira, além do Capitão Gerônimo, cantando a música do Holandês. E já se tem a promessa de Jauperi, Ed Fran, Renato Pasquacio e Orlandinho.


O percussionista Orlandinho já tocou com grandes nomes da MPB.

No aconchegante ambiente, além do som, você poderá jogar sinuca ou mesmo ficar navegando em seu laptop. Um lugar para encontrar a galera que gosta de misturar música com o mar. E se quiser “tomar umas”, setenta tipos de cervejas do mundo constam no cardápio da casa.

Cidade da Bahia, primeiro quartel do século XXI.


Ed Fran. Até Caetano Veloso já pediu a benção a esse cara.


Mukeka e Didi Gomes.


Toni Duarte e Tião Oliveira são peças-chave da banda Mont’ Serrat.

Fotos por Ludmila Senna e André Lima

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IMPORTANTE

Esta Ata também serve como convite aos mergulhadores interessados em assistir ou participar da Escola de Samba Marinheiros da Lua.

Os ensaios-shows da Escola de Samba Marinheiros da Lua começarão às 20:30h, todas as quintas.

O acesso ao The Dubliners – Irish Pub, durante os ensaios-shows custará apenas R$ 5,00.

Os preços das bebidas e comidas também preços diferenciados (a menor do que os praticados no cardápio).

Um comentário para “Ata da Fundação da Escola de Samba Marinheiro da Lua”

  1. Júlio disse:

    Onde exatamente fica o The Dubliners – Irish Pub? Perto da antiga escola do Abelha?

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