O barco de vidro

9 de julho de 2008 por Leonardo Fialho

No verão do ano 2000, eu estava sentado na balaustrada do Porto da Barra. E, com certa melancolia, observava a linha do horizonte. Pois, há anos, consertava barcos de fibra e não tinha nada de novo no front. Era sempre a mesma coisa!

Aí me parece, do outro lado do passeio, gritando “Oh, Mukeka!” o meu amigo instrutor de mergulho Marcelo Rosário, que tinha acabado de chegar do Caribe. Vendo a minha cara de insatisfação pessoal, perguntou qual era o problema. Eu lhe expliquei o que estava a pensar.

Sabendo que eu tinha um pequeno barco, que era usado em incursões no Galeão São Rafael (bairro de Amaralina), ele me contou sobre uma atividade que rolava nas praias do Caribe. Colocando-se uma placa de vidro no fundo do barco, marinheiros saiam mostrando o fundo do mar para turistas. Eu entrei na viagem e partir para loja de fibra com o mesmo espírito de anos atrás.


Barco com fundo de vidro em Rangiroa

Com o material na mão, fui para a Colônia de Pesca do Rio Vermelho, onde se encontrava meu pequeno barco, o “Garuda”, nome de um semideus indiano, ministro de todos os transportes sobre a Terra. E comecei a fazer as modificações necessárias para transformá-lo em um barco com fundo de vidro. Quando pronto, partir para o Porto da Barra. Ninguém acreditou no que estava vendo. Era o primeiro barco baiano com fundo de vidro.


Barco com fundo de vidro em Moorea

O que viria acontecer mudaria para sempre o rumo da minha vida. Criando um roteiro do Porto até o naufrágio Maraldi, um pequeno navio a vapor que fica na enseada do Farol da Barra, eu comecei a fazer passeios. Nunca tinha visto nada igual! O turista me pagava para eu mostrar os peixes, corais e o navio. Nada disso era meu! Não guardava o peixe no armário, não tomava conta, não dava comida, não botava pra dormir… Já estava tudo lá! E ganhava para apenas para mostrar. Tinha me transformando em um pescador de imagens. Nunca mais eu quis saber de consertar barcos.

Mário Mukeka, O Irrecuperável

3 comentários para “O barco de vidro”

  1. A idéia é ótima, digna de ser copiada e é isto que quero fazer e para tanto conto com a ajuda de vocês no sentido de conseguir nome e endereço e se for possível o telefone também deste inovador do barco com fundo de vidro e com custo baixo pelo que dá para perceber. Obrigado! Pylade

  2. André Lima disse:

    As imagens acima não são do barco “Garuda” de Mário Mukeka, cujo telefone é (71) 9208-0828. Sucesso.

  3. robson santana disse:

    Gostaria de saber quem constrói um barco com fundo de vidro, meu telefone de contato (71) 9952-2575

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