Bióloga ensina como tratar um pinguim perdido

22 de julho de 2008 por Leonardo Fialho

Uns animaizinhos que muita gente nunca viu de perto andam aparecendo em grande número no litoral baiano. São os pingüins.

Somente neste domingo (20), 21 animais foram recolhidos em Salvador. O número total de pingüins encontrados no litoral baiano já chega a 85.

Por isso, a partir de agora, é bom tomar conhecimento de como reagir, caso seja surpreendido por um deles.
A bióloga e coordenadora do Instituto Mamíferos Aquáticos, Sheila Serra, explica que, primeiramente, não é recomendável pegar o animal quando ele ainda está na água porque é onde ele tem mais mobilidade e pode se sentir ameaçado e acabar bicando.

Quando o animal estiver mais próximo da areia, a pessoa deve usar uma mão para pegar pelo bico e outra pelo corpo. Deve, então, colocá-lo numa caixa de papelão, com cobertor, toalha ou algum pano que o esquente.

Dentro da caixa, explica a bióloga, é bom colocar uma garrafa com água quente para manter a temperatura. Eles precisam se recuperar da hipotermia, por terem ficado tanto tempo na água. Se o animal não for acondicionado da maneira correta, pode acabar morrendo. Tão importante quanto aquecê-los é NÃO alimentá-los, ressalta a especialista.
Os pingüins geralmente não esboçam reação, de ficar se batendo, por exemplo. Eles estão debilitados, o que torna a captura mais fácil. Quando o animal vai se aquecendo, e se recuperando da hipotermia, começa a reagir, mas não costuma atacar, explica a bióloga.

Depois de fazer esses procedimentos, a pessoa deve imediatamente ligar para o resgate pelos telefones 3461-1490 ou 9198-2620. O carro do Instituto Mamíferos Aquáticos vai buscar o animal. Dois carros estão sendo usados diariamente.

Perdidos – A bióloga explica que o tipo de pingüim que tem aparecido por aqui não mora em local tão gelado como os pólos, por isso podem se adaptar ao nosso clima.

Esses animais vieram do Estreito de Magalhães, na Argentina. O problema é que eles pegaram a corrente marinha errada e acabaram se perdendo. No sul do país, é comum aparecerem alguns pingüins porque a região ainda está na rota dos animais.

Os especialistas do Instituto estão atribuindo estes aparecimentos repentinos aos efeitos do La Niña nas correntes marítimas e nos ventos.

Depois que está totalmente recuperado, o Instituto envia os animais para o Centro de Reabilitação de Animais Marinhos, no Rio Grande do Sul.

4 comentários para “Bióloga ensina como tratar um pinguim perdido”

  1. Ideilton Ramos disse:

    Eu nunca soube tanto a respeito do pingüim como agora.Apesar de ser comum a aparição desses”bichinhos” em nosso litoral,conforme atestam os especialistas,no entanto é fantástico o carinho e a dedicação com que a bióloga e outros de vocês tratam a questão em si.Parabéns!!! Continuem mandando brasa,ou melhor,água quente na garrafa, enquanto eu, daqui de Feira de Santana,anuncio aos deuses o amor que nutro por vocês.

  2. vanessa disse:

    Eu pessoalmente adorei o texto sobre os pinguins,………..eu adorava ser biologa terrestre, mas nâo sei como faze-lô, gostaria que a sheila me ajudaria.!!!

  3. Clarice Fukuoka disse:

    Neste final de semana encontramos um pinguim próximo ao Saco do Ribeira, Ubatuba, São Paulo.
    Lembrei-me da reportagem dos encontrados na Bahia.
    O pior de tudo é que não tinha telefone algum para avisar.
    A sua orientação é de grande valia.
    Gostaria se possível de saber mais como resgatar se necessário animais marinhos. Navego constantemente e quanto mais conhecimento, mais fácil conseguiremos ajudar.
    Onde posso conseguir este tipo de orientação?
    Abraços,
    Clarice

  4. Cesar disse:

    Fiquei bastante esclarecido , pois encontramos um pingüim aqui em Bertioga- SP , na praia do Indaía , ele foi encaminhado para o corpo de bombeiro.

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