O Mestre dos Metais

20 de outubro de 2008 por Leonardo Fialho

Por Marcelo Rosário

Certa vez, em 1987, durante um dos mergulhos de pescaria, conheci Juta. Lembro que ele fez um comentário sobre mim “Como esse moleque desce fundo em apnéia!”. Pois eu frequentemente mergulhava abaixo dos 20 metros com a pequena nadadeira Spinta (da Cobra Sub). Daí surgiu a nossa amizade.

Eu sempre ouvia as dicas de Juta, pois ele gostava das coisas bem feitas, e criticava os “armengues” que tínhamos a bordo. E na sua pequena oficina, nas proximidades da Ladeira da Praça, muitas peças foram confeccionadas para nossa embarcação.

Acredito que a paixão desse serralheiro, quase artista, pelo mar e mergulho lhe deu mais sabedoria para torná-lo no Mestre dos Metais da galera do mergulho. Chamo de mestre, pois a perfeição e o excelente nível de acabamento de suas peças (obras de arte?) lhe transformaram no melhor.

Hoje com sua oficina em frente a Bahia Marina, Jutaí confecciona peças, principalmente em aço inox, para as melhores embarcações de Salvador, incluindo praticamente todas as operadoras de mergulho. Como um bom exemplo a maravilhosa escada do Necton Sub. Para mim, uma pessoa que trabalha nos bastidores do mergulho baiano, e com um serviço de alta qualidade não poderia deixar de ser apresentada.

A história do Diabinho
Uma vez pedi para ele fizesse um diabinho. “O que? Um diabo?” retrucou ele, que é uma pessoa cristã. “Estou muito ocupado, não posso fazer isso!” completou, se esquivando da tarefa inusitada.

Eu não deixei por menos e disse “Só saio daqui quando você fizer o meu diabinho!”. E Juta, percebendo que eu falava com convicção, aceitou “Tá bom! Vá embora que eu faço esse caramulhãozinho!”.

Dito e feito. No dia seguinte lá estava o diabinho com nadadeiras, máscara e um tridente. Tinha até um local para acender uma vela. “Marcelo! Leva esse negócio daqui! Desde que eu o fiz, nada tem dado certo na oficina!!!” gritou Juta, logo que me viu.

Agradeci e fui embora direto para a Dive Bahia. A primeira pessoa de lá que me viu foi Glorinha, nosso braço direito, a quem eu tinha pedido para comprar um diabinho na Feira de São Joaquim e tinha negado. “Nossa, como ele é lindo! Dê ele pra mim!” ela exclamou de felicidade.

Desse dia em diante, o diabinho ficou acorrentado ao nosso compressor e eu, que nessa época vivia em Londres, dizia a todos, que ele era o meu representante.

2 comentários para “O Mestre dos Metais”

  1. Artur Barrio disse:

    Jutaí é um MESTRE,………………………
    Os metais que fez para o meu veleiro, Pélagos, provam-no!
    No Brasil, o melhor,de longe.
    Muito bem lembrado Marcelo.

  2. Isac Meirelles disse:

    eu desde sempre pude observar essa grande figura, afinal ele é meu pai, hehehe

    vejo a dedicação dele à seu trabalho, sempre acreditando que pode fazer mais e melhor, vi também as melhorias que ele fez na oficina desde que a comprou afim de poder fazer serviços cada vez mais intrincados e de qualidade cada vez mais apurada.

    fico muito feliz em poder conviver com essa pessoa singular que é meu pai em todos esses anos e poder compartilhar de seu conhecimento e sabedoria (fora invejar o que o “véio” faz no mar, eu que sou 20 anos mais novo não faço nem a metade).

    fiquei muito feliz que tenham feito uma matéria sobre ele reconhecendo todo o esforço e dedicação a o espetacular trabalho que ele faz que deixa até a mim mesmo boquiaberto muitas vezes.

    e parabéns meu véio, você realmente arrepia nos metais!

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