Patrick Muller relata sobre o acidente ocorrido em Fernando de Noronha

9 de outubro de 2008 por Leonardo Fialho

Amigos da Lista, (lista Dive-Net)

No dia 24/09/2008, as 16:00, aconteceu um grave acidente durante nossa saída de mergulho na Corveta V17. Esse acidente poderia ter sido fatal e representou o maior “perigo” registrado em 15 anos de operação.

Compreendo perfeitamente a situação vivida pela Sra. Márcia que presenciou um tenso e impressionante resgate. Além da preocupação com o próprio marido e outro amigo que estavam realizando suas paradas descompressivas.

Felizmente, o mergulhador Alexandre esta bem e já se encontra na Sua residência (Porto Alegre). Conversei demoradamente com Ele por telefone antes da sua saída da cidade do Recife (PE).

Na época, o instrutor responsável pela operação elaborou um relatório sobre o ocorrido. Até agora, os laudos médicos disponíveis não esclareceram totalmente a origem dos fatos. Não foi definido ainda o que provocou o “forte sangramento” nos pulmões do mergulhador.

No entanto, o mergulho transcorreu normalmente até voltar à profundidade de aprox. 34 m.

O Sr Alexandre confirmou que se submeterá à exames complementares em Porto Alegre.

A seguir, estou encaminhando o relatório do Instrutor Ricardo Castro, que liderou a operação e resgatou o mergulhador. Em momento oportuno, acrescentarei um relatório da parte “terrestre” e “aérea” do acidente.

O ACIDENTE:
Após o mergulho de 15 minutos de fundo, o grupo (3 clientes e 2 instrutores) iniciou a subida pelo cabo de fundeio. Havia correnteza e todos já estavam segurando no cabo de fundeio desde os 35 metros. Em seguida aos 34 metros o mergulhador Alexandre me sinalizou que estava sem ar. Imediatamente, entreguei o meu regulador (de mangueira longa) e o coloquei em sua boca. Ele tentou respirar mas estava ofegante e começou a vomitar muito sangue pela boca. Por estar sufocando com o próprio sangue, ele entrou em pânico. Então, depois de se debater muito, ele perdeu a consciência aos 30 metros. Imediatamente, executei com ele uma subida de emergência.

A instrutora Zaira continuou guiando os outros 2 mergulhadores do grupo.

Como Alexandre estava inconsciente e sem respirar, o coloquei na posição vertical, levantei seu queixo para liberar as vias aéreas e o levei para a superfície. Para tal, foi necessário descumprir todas as paradas descompressivas.

Na superfície, ainda inconsciente, o desequipamos e o deitamos no convés do barco. Iniciei os procedimento de RCP; em poucos segundos, o restante do sangue, que estava obstruindo as vias aérea, foi liberado e o Alexandre voltou a respirar. Imediatamente, peguei o Kit DAN, e apliquei Oxigênio; em aproximadamente 10 minutos, o mergulhador recobrou a consciência.

PLANO DE EMERGÊNCIA
Neste momento, comecei à seguir os procedimentos do nosso Plano de Emergência, acionando a Loja, o Hospital, os médicos e o Patrick.

Enquanto monitorei e apliquei o Oxigênio, Zaira realizou as paradas obrigatórias com os outros 2 clientes, evitando assim mais acidentes.

Apos 30 minutos, com todos a bordo, o mestre Daniel conduziu a embarcação até o porto onde chegamos aproximadamente às 16:30 hs. O Alexandre, respirou O2 até a chegada ao porto onde esperava a ambulância. A equipe de resgate avançada assumiu o mergulhador e o levou até o Hospital.

CÂMERA HIPERBÁRICA
Por razoes de segurança, mesmo não tendo sintomas de DD, fui levado à Câmera Hiperbárica em Natal. Uma funcionaria do hospital me acompanhou durante a viagem.

Em Natal, fui examinado pelo médico hiperbárico já que não realizei as paradas de descompressão. Fui submetido à uma sessão curta de câmara hiperbárica (aprox. 02:00) e liberado em seguida. No outro dia de manha, voltei para FN.

Um abraço,

Patrick Muller – Atlantis Divers
Fernando de Noronha Island
Brasil
++55 (81) 9979 0110
patrick@atlantisdivers.com.br
www.atlantisdivers.com.br
diving the lost continent

5 comentários para “Patrick Muller relata sobre o acidente ocorrido em Fernando de Noronha”

  1. Jomar disse:

    André e demais, pelo relato do instrutor é possível pensar num sangramento por barotrauma do tecido pulmonar ou um caso (raro) de edema pulmonar de imersão. Vejam o link http://www.diversalertnetwork.org/medical/articles/article.asp?articleid=82.
    Felizmente o instrutor que realizou o resgate não teve problemas ao “queimar” as paradas de descompressão. Talvez, em operações deste tipo, seja possível usar um mergulhador de segurança que tenha gás suficiente para o resgate e que não entre em “deco” obrigatória. Com certeza, pelo relato acima, se o resgatador não tivesse colocado sua vida em risco o outro mergulhador estaria morto. Se essa conduta foi certa ou errada não cabe a ninguém julgar. No final das contas ambos estão bem. E se tivessem morrido os dois? Fica para reflexão de cada um de nós, principalmente os rescue divers, dive masters e instrutores. Abraços.

  2. Artur Barrio disse:

    No cálculo das probabilidades………………………………….
    ………………………………………………………quelle chance !

  3. Bruno Fagundes disse:

    Na minha opinião o instrutor agiu certo, como um herói. É assim que se deve proceder os verdadeiros mergulhadores !!! O principal objetivo de um bom mergulhador é voltar com vida. E se trouxer o seu dupla, melhor ainda. Mas concordo com a proposta de um mergulhador de segurança.

  4. Marcelo Adães disse:

    Vocês sabem o endereço da Dive-net?

  5. Tomas disse:

    Caros Mergulhadores,
    além da definição do perfil do mergulho e do planejamento, temos de ter consciência do nosso estado físico para determinados mergulhos. Estou afastado dos mergulhos devido a problemas de saúde, e só voltarei quando realmente estiver em condições de fazer os mergulhos com a segurança necessária.

Deixe um comentário