Nos anos de chumbo…

16 de outubro de 2008 por Leonardo Fialho

Um mergulhador bêbado passava pela frente de uma joalheria que acabara de ser assaltada. Naquela época não era incomum haver assaltos para financiar os movimentos revolucionários. E o infeliz borbulhador estava no lugar errado na hora errada. Então o levaram para o DOPS para o interrogatório. Chegando lá o delegado chefe:

- Hum. Quer dizer que o sujeito tem um documento de mergulhador!? Vamos ver. Cabo Soares, aplique nele o procedimento para mergulhadores!

O meganha pegou a cabeça do mergulhador e enfiou num tonel cheio de água por um minuto. Repetiu o procedimento algumas vezes e em seguida gritou:

- Cumé, vamu entregando o serviço! Cadê as jóias?

Depois de algum tempo o infeliz, ainda bêbado, respondeu convicto:

- Podem até contratar outro mergulhador, mas aqui não tem jóia. Já fiz uma varredura pelo fundo todo!

Contada por Gilson Rambelli

Um comentário para “Nos anos de chumbo…”

  1. Ideilton Ramos disse:

    Jóia, Gilson! Era assim mesmo na época da ditadura. Naquele período se vivia um misto de excesso de autoridade e uma grande falta de cultura. Mas, graças a Deus, os tempos hoje são outros. Conta-se que em Feira de Santana – cidade que se notabilizara por sua resistência ao regime ditatorial-, um cidadão de nome Osvaldo Ataíde fora conduzido de Feira até o Quartel General, aí em Salvador, para ser interrogado a respeito de suas atividades suspeitas. Sala trancada, mesa rodeada de oficiais, o interrogatório começa: o senhor é comunista? Perguntou um jovem Coronel. “Deus me livre!” respondeu Osvaldo. “Vá embora meu filho”, disse o General em voz alta ao interrogado e completou “Se souber de alguém que esteja atuando no comunismo nos informe”. O detalhe é que Osvaldo Ataíde era comunista de carteirinha, amigo fiel do prefeito da cidade, Chico Pinto, deposto pelos golpistas que assumiram o poder. Osvaldo apenas enganara os “milicos”, pois sabia que se dissesse acreditar em Deus seria salvo, conforme deu certo. Um abraço!

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