O que circula na NET

21 de janeiro de 2009 por Leonardo Fialho

A invasão do veleiro de bandeira francesa por bandidos que roubaram e agrediram seus tripulantes no mês passado, em Itaparica, foi mais um dos vários incidentes em 2008 envolvendo embarcações na Baía de Todos os Santos. Pela crueldade, vitimando um casal estrangeiro e idoso, o crime chamou a atenção da mídia nacional e internacional. Pela internet a notícia correu o mundo, triste referência a nosso estado.

A preferência de navegadores franceses pela Bahia não se dá ao acaso. Intenso trabalho de divulgação das potencialidades da costa baiana foi realizado na Europa, atraindo algumas das mais importantes provas e eventos mundiais da vela, como a Around Alone, Jacques Vabre, Clipper e Îles du Soleil, dentre outros. Com isso, velejadores de países com cultura e tradição marítima, foram motivados, e a travessia do Atlântico até o Farol da Barra se tornou uma das principais rotas internacionais para cruzeiros.

Mudou o governo, e o Centro Náutico da Bahia que coordenava ações no setor foi praticamente extinto. As ações nesta área estão atualmente sob o comando de um ex-jogador de futebol que considera a vela um “esporte de ricos”. Como conseqüência da desorganização e incompetência que se estabeleceu, os promotores dos eventos internacionais cancelaram Salvador como destino, escolhendo outros países. Perdemos precioso espaço na mídia espontânea de todo o planeta, geração de renda e oportunidades de emprego para centenas de pessoas na recepção das provas internacionais.

Após mais um ato de pirataria envolvendo embarcação estrangeira, centenas de navegadores certamente desistirão de vir até a Bahia, e os sites especializados alertam sobre o perigo de aportar num local aparentemente tranqüilo e acordar sob a mira de uma arma. No dia seguinte ao assalto, em Itaparica, barcos estrangeiros já içavam as velas no rumo de retorno, assustados com a falta de segurança.

Agressões e invasões de barcos estão se tornando comuns na Baía de Todos os Santos, deixando em sobressalto um grande número de pessoas, famílias que nos finais de semana se deslocam para remotas e bucólicas localidades das águas interiores, em busca de lazer e descanso.

A falta de policiamento, não só em Itaparica como nas localidades da Baía, é inaceitável. Se não há viaturas, nem efetivo suficiente, como esperar que se tome alguma atitude para proteger cidadãos que pagam impostos e que fazem do mar seu lazer, ou até sua moradia? Apesar da sua grande potencialidade, o setor náutico em nosso estado está sem rumo e pode decair ainda mais com a insegurança. A criação de uma unidade tática embarcada da Polícia Militar, a exemplo da Polícia Ambiental e destacamento aéreo, traria mais tranqüilidade a essa Baía que deveria ser de todos nós.

http://www.mardabahia.com.br/img/assalto.gif

Matéria do Jornal A Tarde de 15.01.09
Assinada por Jorge Nogueira – Comodoro do Aratu Iate Clube

6 comentários para “O que circula na NET”

  1. Anonymous disse:

    Adorei o texto, concordo com tudo, estou triste com a situação!
    E não esqueça de Peter Blake …

  2. Anonymous disse:

    E o desgoverno não para por aí!
    Basta sair para mostrar o que a bahia tem a algum turísta para se sentir até envergonhado com a imundisse que na Capital se encontra. Tráfico de drogas no “Cristo” da Barra, mendingos e muita merda no Forte – Barra, Porto da Barra naquele estado, Elevador Lacerda com mal cheiro… sem falar na falta de segurança e sinalização no transito! O pior é que ainda me incomoda ouvir alguém falar mal da minha terra. Onde nos acostumamos a ser mal tratados até em restaurantes… PROTESTO!

  3. moramos na Ilha de Itaparica…fomos ontem a Salvador (coisa rara) e ficamos impressionados com o estado de abandono da parte baixa…tudo cheirando mal, mendigos por todo o lado abordando turistas, e agora essa noticia de ´vela ser esporte de ricos´ e passar a segundo plano é de uma ignorancia tremenda. Perdemos todos com isso….vai ficar só o ruim como lembrança….
    Há que mudar

  4. esta semana na VEJA:
    “Ciência
    Aquecimento global deixará áreas oceânicas sem peixes
    25 de janeiro de 2009
    LINKS RELACIONADOS
    • Em profundidade | Aquecimento global
    Com agência France-Presse

    O aquecimento global pode multiplicar por dez as zonas oceânicas carentes de oxigenação suficiente, o que colocaria em perigo a vida de peixes e crustáceos, afirmam cientistas dinamarqueses em um estudo que será publicado na edição virtual desta segunda-feira da revista Nature Geoscience.

    O aumento das temperaturas provocado pelas emissões de gases do efeito estufa aceleraria a desoxigenação de amplas zonas oceânicas, o que “aumentaria a frequência e a gravidade de fenômenos de grande mortalidade de peixes e crustáceos, como por exemplo nas costas do Oregon (Estados Unidos) ou Chile”, destaca o coordenador do estudo, Gary Shaffer, da Universidade de Copenhague.

    Os cientistas estabeleceram modelos dos efeitos do aquecimento provocado pelos gases do efeito estufa para os próximos 100.000 anos e concluíram que um aumento da temperatura produziria uma perda de oxigênio na superfície dos oceanos, diminuindo a solubilidade deste gás na água salgada.

    No entanto, acrescenta Gary Shaffer em um comunicado, “apesar de ser possível eventualmente fazer reviver zonas costeiras controlando o que é vertido, as zonas carentes de oxigênio pelo aquecimento global seguirão assim durante milhares de anos, prejudicando a pesca e os ecossistemas durante muito tempo”.

    “Além disso, a zonas mal oxigenadas se propagariam na superfície, e inclusive na profundidade”, advertem os cientistas. As águas com oxigênio suficiente próximas da superfície seriam empurradas assim para grandes profundidades.

    Os cientistas concluem que “as futuras gerações precisam realizar reduções substanciais no uso de combustível fóssil, caso desejem evitar uma grave redução da oxigenação dos oceanos durante milhares de anos”.

  5. Time disse:

    O clima a cada dia que passa fica mais louco, o tempo a cada dia passa, passa mais rápido, os homens poluindo cada vez mais e tudo isso numa velocidade assustadora! É por essas e outras, muitas outras, que minha geração se depender de mim vai parar por aqui. Filhos,,,, nem pensar!

  6. O Observador disse:

    O aquecimento é um efeito inverso ao real .

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