Arquivo da Categoria ‘Pontos de Mergulho’

Parede do Beto

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Um ótimo ponto de mergulho, vem sendo continuamente visitado pelos mergulhadores esportivos baianos e pelas operadoras, é a famosa Parede do Beto, ou mais vulgarmente conhecido pelo nome de Buraco do Beto, nome recebido, devido ao ponto ter sido descoberto e revelado pelo mergulhador Beto Argentino, ao fundo na foto abaixo.

O ponto revela-se especialmente interessante por estar localizado à apenas 1 milha náutica do Porto da Barra, portanto bem pertinho, a poucos minutos de navegação e possuir um perfil de mergulho bem diferenciado, vez que seu fundo, inicia-se num platô rochoso a 37 m de profundidade, apresentando uma descida íngreme numa parede rochosa, até mais de 80 m de profundidade.

No local pode-se observar uma vida marinha exuberante, não só pelo aparecimento de grandes espécies de peixes e lagostas, como também, pelas explosões de cardumes de peixes de passagem. Outro fator interessante sobre o local, é que lá, já foram avistadas diversas ânforas holandesas do século XVII, o que nos faz suspeitar sobre existência de algum naufrágio naquela área.

Para os mergulhadores que desejam visitar o ponto, muito cuidado, recomenda-se fazer o mergulho aproveitando-se a parada da maré, pois mesmo nas marés de pequena amplitude, observa-se forte correnteza no local.

Cálculos descompressivos e misturas de gases a parte, ir até o fundo do buraco só para os mais experientes e preparados, como um colaborador desse site em foto abaixo, que já visitou o fundo do Buraco do Beto por duas vezes, mas há quem diga que o mesmo não gosta de mergulhar e sim de fazer descompressão… Não é a toa que é conhecido como Decomen.

As coordenadas do ponto são:
S 13º 00.614′
W 038º 32.870′

Um fundeio bem preciso no local é fundamental para um mergulho bem sucedido, para tanto é recomendado convidar o Comandante Carlinhos do Marline para a empreitada.

Bons Mergulhos!

Gaituba

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Uma objetiva descrição deste ponto, de acordo com os estudiosos Leo Dutra e Ruy Kikuchi: “O local é formado por pequenas estruturas recifais, medindo cerca de 5 m de diâmetro e 1 m de altura com cobertura predominante do coral Montastrea cavernosa. Colônias de Siderastrea stellata com forma cogumelar podem também ser vistas com freqüência, medindo até 80 cm de altura por 50 cm de diâmetro. Outras espécies comumente encontradas nesta área são Mussismilia hispida e Scolymia wellsi (2003).”


Montastrea cavernosa


Siderastrea stellata


Mussismilia hispida


Scolymia wellsi

Rodrigo Maia-Nogueira sempre presente com boas imagens.
Outras fotos de autores não identificados.

Queen

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Em um dinâmico fundo de areia a 19 metros de profundidade repousa soterrado o suposto galeão inglês Queen. Há quem advogue ser o navio Le Sable ou o Kent (gêmeo do Queen) ou mesmo o Java. O mergulho requer paciência e algum conhecimento específico para identificar o que se está vendo, pois trata-se de um navio de madeira que incendiou e afundou no dia 9 de julho de 1799. O local, a noroeste do Banco da Panela, é demarcado como área de fundeio de navios (O QUE É UM ABSURDO, TRATANDO-SE DE UM IMPORTANTE SÍTIO ARQUEOLÓGICO) por isso requer certos cuidados. Tempo estimado de navegação: 25 minutos.
Localização:
Lat. 12° 57.530′ Sul
Long. 038° 32.286′ Oeste


Em amarelo no canto superior à esquerda.

Cascos

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Região atípica fora da Baía de Todos os Santos. É um conjunto rochoso que sai dos 28 e vai até os 14 metros de profundidade. Bom cenário para foto e filmagem, em especial com a presença de peixes de passagem. Tempo estimado de navegação: 130 minutos.
Localização:
Lat. 13° 07.452′ Sul
Long. 038° 38.292′ Oeste

Utrecht

terça-feira, 31 de julho de 2007

Naufrágio de 28.09.1648, uma fragata dos Países Baixos (Holanda no costume popular, mas não correto) a serviço da Companhia Unida da Índias Orientais. Foi a pique por explosão proposital do Galeão Nsa. Sra. do Rosário (português). Situado em uma zona de areia de 21m de profundidade, com diversos canhões, lastro e âncoras. É um mergulho que requer cuidado para não danificar o madeirame em decomposição. Infelizmente é um naufrágio que teve grande parte de sua carga saqueada, inclusive por piratas internacionais. Tempo estimado de navegação: 130 minutos.
Localização:
Lat. 13° 07.828′ Sul
Long. 038° 39.225′ Oeste

Na época, a supremacia da frota holandesa fez com que o rei de Portugal estabelecesse a seguinte ordem: Quando dois navios inimigos encostarem é para tocar fogo no próprio paiol (depósito das munições, pólvora e outros apetrechos de guerra). Assim, os holandeses perderiam duas embarcações e Portugal apenas uma. A figura acima representa o Utrecht à esquerda, o Nossa Senhora do Rosário no meio (explodindo) e Huys Nassau (também neerlandês) à direita.

Símbolo da Companhia Unida das Índias Orientais ou simplesmente VOC de “Vereenigde Oost-Indische Compagnie”.


Diversos canhões e âncoras compõem o sítio. Foto de Marcelo Adães.


Fábio Marconi (Olhar Filmes) possui excelentes imagens do Utrecht.

Vapor do Jequitaia

terça-feira, 24 de julho de 2007

Suposto navio Paraguassu (primeira barca a vapor do Brasil), naufrágio praticamente inteiro, em posição de navegação, com 25m de comprimento total e em média 6m de profundidade. A alheta de boreste encontra-se destruída por pesca de bomba (2007). Há uma pequena balsa afundada próxima ao Vapor, basta nadar 30m em direção à Feira de São Joaquim. Tempo estimado de navegação: 25 minutos.
Localização:
Lat. 12° 56.846′ Sul
Long. 038° 30.273′ Oeste


Foto do Rebocador Bento Gonçalves. Uma boa referência do Vapor do Jequitaia.

Cabos

terça-feira, 24 de julho de 2007

De 12 a 30m de profundidade. Como o nome já diz, há diversos cabos de aço nesta região. E também algumas pedras, garatéias, garrafas novas e antigas. É possível mergulhar saindo do Porto da Barra, mas sempre na maré de enchente e, de preferência, em fases da lua quarto-crescente e minguante. Tempo estimado de navegação: 45 minutos.
Localização:
Lat. 13° 00.110′ Sul
Long. 038° 32.108′ Oeste

Correnteza Porto da Barra ao Farol da Barra

terça-feira, 24 de julho de 2007

Boa variação de tipos de fundo, possibilidade de passar pelos navios da Barra: Germânia, Bretagne e Cap Frio, variação de 6 a 18m de profundidade. Não raras vezes o percurso ultrapassa 1 quilômetro de extensão. Tempo estimado de navegação: 50 minutos.

Rebocador do Porto

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Pequeno rebocador em águas abrigadas. Profundidade média 11m.
Meia hora de navegação.
Localização:
Lat. 12° 57.185′ Sul
Long. 038° 30.423′ Oeste

Galeão Santíssimo Sacramento

sábado, 14 de julho de 2007

O Galeão Sacramento até 1973 era um pesqueiro de nome Capitanha, uma corruptela de Capitânia (o navio guia de uma frota). Nesse ano, “Americano”, um pescador do Porto da Barra, levou dois mergulhadores, “Juca” e “Chico Diabo” para lá praticarem pesca submarina, quando se deu a surpresa da descoberta.

Após a retirada de diversas peças desse sítio arqueológico por esses e talvez outros mergulhadores desportistas, a Marinha do Brasil resolveu assumir a tarefa de realizar uma pesquisa arqueológica. Dado seu prestígio, o arqueólogo Ulisses Pernambucano de Mello Neto, sem molhar os pés, conduziu os trabalhos de campo através de equipamento de fonia do Navio de Salvamento Submarino Gastão Moutinho. Isso foi possível pois a pesquisa arqueológica limitou-se a um levantamento planimétrico do sítio e ao resgate de peças, incluindo algumas de material ferroso, que logo se perderam.

O que sobrou depois desses saques e/ou resgates e que pode ser visto pelo mergulhador visitante: canhões e âncoras de ferro, lastro (pedras de granito), cacos de cerâmica (faiança e botijas de barro) e parte do madeirame que está ligeiramente enterrada pela areia.


Dois canhões do Galeão Sacramento estão no terraço do Farol da Barra, onde atualmente funciona o Museu Náutico da Bahia.

O Galeão Sacramento partiu de Portugal com destino ao Brasil, com mais de 500 pessoas, entre religiosos de diversas ordens, ministros de governo e outras autoridades, como o general Francisco Corrêa da Silva, que vinha substituir Alexandre Freire no governo da Colônia, cuja capital era Salvador da Baía de Todos os Santos.

Sua carga incluía munição, cerâmicas, instrumentos de navegação, moedas, selos, objetos decorativos, produtos têxteis e mercadorias diversas destinadas ao Reino e à Colônia.

O Galeão Sacramento guiava uma frota de 55 navios de Lisboa a Salvador, de acordo com o poeta, historiador e advogado Sebastião de Rocha Pita, e era considerado um dos melhores navios de Portugal, um raro vaso transocênico de guerra. Afundou em 5 de maio de 1668 por causa de um temporal que o fez bater no Banco de Santo Antônio.

Esse sítio arqueológico está localizado em uma região de areia, alcançando 31 metros de profundidade. Note, na figura abaixo, uma marca “X” em vermelho. Esta referência está sobre o sinal oficial que indica a posição do Galeão Santíssimo Sacramento encontrado nas cartas náuticas. Porém há um erro de 580 metros da posição real.
Localização:
Lat. 13° 02.539′ Sul
Long. 038° 29.967′ Oeste

Assista o filme da Olhar Filmes aqui.


Provavelmente o Galeão Santíssimo Sacramento era assim.


Parte do desenho feito pela Marinha Brasileira, indicando a posição das peças da embarcação, incluindo os canhões que foram oficialmente “resgatados”.

Matéria sobre o Museu Náutico da Bahia.