Arquivo da Categoria ‘Bichinhos do fundo do mar…’

Rede para pescar vaquinhas, recontada por Buia

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Era uma vez um fazendeiro que criava bois e vaquinhas. Ele era conhecido por todos de sua comunidade como um importante trabalhador. Pois era quem fornecia parte da alimentação da região.

Certa vez esse fazendeiro, para facilitar seu árduo trabalho, resolver “pescar” com uma rede seus bois e vaquinhas.

Ao invés de mandar vaqueiros para recolher apenas os animais soltos nos pastos, ele lançou uma grande e resistente rede de arrasto. Com a ajuda de máquinas potentes, o fazendeiro mandou ir puxando aquela imensa rede no pasto, que na sua cabeça só iria pescar “bois e vaquinhas”.

Pois, a rede de arrasto, além de bois e vaquinhas, arrancou árvores e várias outras plantinhas, três cachorrinhos e outros bichinhos, pedras, uma escolinha rural… Até uma criança que estava brincando fora de sua casa foi puxada pela rede. A mãe desta criancinha, quando viu aquela cena, saiu correndo tentando salvar seu filhinho, mas também foi pega. Foi uma destruição inimaginável.

Assim é uma rede de arrasto. Não há escolha. Passa destruindo e pegando tudo o que estiver pela frente. E o pior, as atuais redes de arrasto são de nylon, levam muito mais tempo para se degradar e perder seu efeito destruidor, se comparadas com as antigas confeccionadas em seda. As redes de nylon são, também, mais baratas, o que proliferou seu uso e por serem baratas o pescador mais facilmente abandona a rede que se prender no fundo, pois é mais fácil comprar outra.

Com isso os antigos mestres artesões que costuravam as redes, feitas de fios de seda, perderam importância na comunidade pesqueira e com isso a nova geração deixou de aprender a milenar arte de construção de redes…

Quando essa história terá um final feliz?

Regalecidae: lenda ou realidade?

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008












Recebi estas fotos por email, como a fonte é desconhecida, fui aos especialistas questionar a veracidade dos fatos. A respostas de um especialista:

Salve Fialho!
Tudo bem?

Onde arrumou essas fotos? Interessantes…

São da família Regalecidae, composta por 4 espécies pelágicas e oceânicas, eventualmente são capturadas em anzóis ou redes destinados a outras espécies de maior valor comercial, sendo então, esse indivíduos, descartados no mar… Algumas vezes são encontrados mortos, encalhados em praias. Esses peixes não parecem ser comuns, sendo, até onde sei, conhecidos, digo examinados poucos exemplares.

No Brasil há raros e ainda não confirmados registros, pois ainda não há material depositado em coleções científicas do gênero Regalecus; embora jamais tenha examinado (ou mesmo visto) um bicho desses, as fotos enviadas parecem ser de um Regalecus glesne.

Essa espécie pode alcançar cerca de 11 m de comprimento total e pesar 270 kg, alimentam-se de pequenos crustáceos, lulas e peixes. É considerado o maior peixe ósseo do mundo.

Por conta do formato do corpo e grande porte, provavelmente deram inicio as lendas das serpentes marinhas gigantes…

Grande abraço!
Buia

Conduta consciente em ambientes recifais

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Folder produzido pela Secretaria de Biodiversidade e Florestas para a campanha Conduta Consciente em Ambientes Recifais.


Original:

http://www.mma.gov.br/port/sbf/dap/compcora.html

Convocação: aos Biólogos

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Estimados biólogos que frequentam este site…

Estou fazendo doutorado na Espanha. No departamento em que estou existe uma linha de pesquisa chamada “Simulação de Movimento Orientado à Indivíduo”. Estamos utilizando um modelo biológico muito simplificado para esta simulação. Porém, vemos a necessidade de ampliar este modelo às condições mais próximas da realidade.

Conseguimos simular cardumes na ordem de 600 mil peixes, porém em ambientes onde não existem predadores, obstáculos ou limites como solo, superfície ou outras estruturas (naturais ou não).

Gostaríamos de contar com a ajuda de vocês para poder incluir um pouco mais de “realismo” nesta simulação, ou seja: utilizar modelos mais sofisticados ou mesmo trabalharmos em conjunto para definir estes modelos (caso não existam).

Aguardo notícias!

Abraços,
Leonardo Fialho
Correspondente Internacional do Necton Sub (atualmente na Espanha)

Oxyurichthys stigmalophius (Mead & Böhlke, 1958)

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Coletado em um mergulho, ao largo da Barra Grande de Camamu, numa profundidade de 23-25 m.


No ambiente

Nota: Essas imagens foram enviadas por Cláudio Samapaio “Buia” para um grupo de pesquisadores. Abaixo algumas mensagens de retorno, que de certa forma explicam o porquê as publicamos.

1) João Luiz Gasparini:

Maravilha, Buia.

O único registro desse bicho para o Brasil era meu, de Guarapari.

E tinha neguinho me zuando, falando que eu havia comprado de algum aquário do Caribe.

Belíssimo peixe.
Abraços,
Gaspa

2) Raphael Macieira:

Muito bom Buia!!!!

Esse bicho é bastante difícil de achar (pelo menos no ES)! Só temos um bicho na coleção, que foi capturado pelo Gaspa.

O Jean vai adorar!

Um abraço,
Raphael

3) Cadu

Lindão mesmo!!!!!!

Buia complementa:
Beleza pessoal!
Assim que puder voltarei lá para coletar mais dados, inclusive exemplares para a UFES. Já temos alguns censos na área, falta agora umas observações…
O bicho é lindão mesmo! Não sabia do que se tratava… Gaspa em que tipo de substrato você encontrou esse bicho no ES?
Abraços,
Buia

A resiliência dos recifes corais na mesa de bar, por Amanda Ercília Nascimento

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Palavrinha que anda na moda ultimamente , resiliência significa a capacidade que o recife de coral possui de sofrer uma agressão, seja ela natural ou causada pelo homem, e ainda assim conseguir resistir a esta agressão e restaurar a sua condição bacana inicial, assim, igualzinho a você quando toma um porre, faz besteira, chora, chama pela mãe, e ainda assim está vivo, pronto pra outra!

Os recifes de corais estão em progressivo declínio, cerca de 30% dos recifes mundiais estão seriamente danificados, e estima-se que 60% deles estarão extintos até 2030 (Hughes et al, 2003). A pesca excessiva, a poluição, o aquecimento global, a eutrofização, sedimentação, doenças (UFA!), são apenas alguns processos que contribuem para a perda da biodiversidade nos recifes. Acho que não vou ter mais emprego….

A redução dos estoques de peixes, sobretudo os herbívoros (budiões, barbeiros) e a adição de matéria orgânica proveniente das atividades humanas (leia-se esgotos) tem provocado um fenômeno denominado “mudança de fase”, onde a antiga dominância dos corais em um recife dá lugar a uma dominância de algas. Agora quem come as algas??? Os peixes herbívoros. E se não tiver mais peixes herbívoros, quem come as algas??? Eu não como!!! As algas competem diretamente por espaço com os corais e as suas larvas, então xô corais. E ainda por cima, matéria orgânica aduba as benditas verdinhas…..

Como se não bastasse, o aquecimento global (sim, ao contrário do que Bush diz, isto não é um mito) aquece anormalmente as águas superficiais dos oceanos (rasas), onde os corais adooooram crescer, fazendo-os expelir os seus simbiontes denominados zooxantelas, que provém uma grande parte da comidinha necessária ao seu desenvolvimento e saúde e conferem a eles aquela cor linda. Com isto, os corais se tornam brancos, expondo a coloração do seu esqueleto (que obviamente é branco), por isso o nome “branqueamento de corais”. Sem comidinha, os corais se tornam mais susceptíveis a doenças ou podem, simplesmente, morrer de fome mesmo.


Competição entre algas frondosas e coral, foto por Igor Cruz

Apesar desse placar de 1000 x 0, algumas espécies de corais conseguem desenvolver uma capacidade de regeneração, mecanismos adaptativos, que permitem a eles tomar na cara e dar o troco, acabam virando uma espécie de “couro de rato” mesmo. Mas veja bem, só algumas espécies. Dentro da Baía de Todos os Santos, já se pode notar o declínio ou mesmo ausência de espécies relatadas em pesquisas feitas anteriormente, e os que sobraram são poucas espécies ultra-mega-blaster-adaptadas às condições severas da Baía.

Mass….vocês podem estar se perguntando, e eu com isso? Tudo bem, recifes de corais não são gordos e fofos como as baleias, não possuem a graça e o nado dos golfinhos bailarinos e tartarugas , não tem aquela cara de cotadinho dos ursos panda (leia-se altíssimo índice de fofulência), mas ainda assim formam um dos ecossistemas mais ricos do mundo , superando até mesmo as florestas tropicais em termos de biodiversidade. Sabe todos aqueles animais que vivem no mar? Todos, todinhos mesmo? Cerca de 25% deles estão nos recifes, sendo que os recifes representam menos de 0,2% da área oceânica. São responsáveis por oferecer abrigo, alimento , proteção, médico (!) para muitos grupos de peixes, lagostas, polvos, caranguejos, moluscos, e tudo que há de mais lindo em bichos e gostoso em comida neste mundo, inclusive aquele badejinho que você adora. Além disto, possuem uma incomparável beleza visual, tornando a vida de nós, mergulhadores, muito mais alegre, colorida e viva! Então…vida longa aos recifes. Brindem a eles na próxima vez que foram tomar algo com mais de 0,5% de teor alcoólico (xarope tem menos).

E chega de tanta seriedade nos artigos científicos!

Amanda Ercília Nascimento
Grupo de Pesquisa em Recifes de Corais e Mudanças Globais
Instituto de Geociências – Universidade Federal da Bahia – Rua Barão de Geremoabo, s/n – Federação CEP 40170-290 – Salvador – Bahia

Mergulhos da Biota Aquática, por Rodrigo Maia-Nogueira

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Mergulhos da Biota Aquática em dois naufrágios de Salvador como parte do Projeto de Caracaterização da Ictiofauna nos Naufrágios de Salvador.

Farol da Barra, domingo 18 de novembro de 2007

À tarde foi a vez do naufrágio do Maraldi na enseada do Segundo Distrito Naval, Farol da Barra … caimos na água às 15:20h e a água estava muito boa, bem clara (o que ja era de se esperar, se estava clara no Blackadder, imagine na Barra) … fomos até o naufrágio onde registramos alguns novos recrutas como os dos Labrideos Halichoeres brasiliensis (Foto 4) e Bodianus rufus.

Como também ja era de se esperar a espécie mais abundante foi a maria-preta (Stegastes fuscus) que também apresentava muitos indivíduos com ectoparasitos apesar da presença de neons (Elacatinus sp.) (Fotos 2 e 3) nas colônias de Montastrea cavernosa próximas ao naufrágio. Um aimensa agregação de barbeiros (Acanthurus bahianus) (Foto 1), cirurgiões (A. chirurgus) e barbeiros-azuis ( A. coeruleous) com mais de 100 indivíduos foi observada “atacando” as fazendinhas de algas das marias-pretas (S. fuscus).

Ficamos na água por quase uma hora e às 16:15h ja estavamos nos preparando para sair … estava comigo na água apenas o Yuri.

Em nome de toda a Biota Aquática eu agradeço o apoio das operadoras Necton Sub, Underwater (UWBahia) e Dive Bahia que tornaram possível os mergulhos do litoral norte e nos naufrágios de Salvador nos últimos dias. É o mergulho baiano de mãos dadas com a ciência e a conservação dos ecossistemas aquáticos.






Blackadder, domingo 18 de novembro de 2007

O tempo parecia que ia fechar, mas o mar se mantinha calmo e a água aparentava estar bem clara olhando da areia da praia da Boa Viagem … preparamos os equipamentos e caimos na água … na laguna a água não estava tão limpa quantono dia anterior, o que ja me deixou preocupado, mas não estava lá a passeio e tinha que fazer os censos do Projeto de Caracterização da Ictiofauna dos Naufrágios de Salvador … para a minha surpresa, foi so passar o recife que a água se mostrou transparente, com uma visibilidade incrível … o que resultou além dos censos em mais de 215 fotos!!!!

Logo na descida vi um grupo com cinco ciliares (Holacanthus ciliaris) próximo a popa do Blackadder; dentro das estruturas o cardume de sempre de salemas (Anisotremus virginicus) de diversos tamanhos davam vida aos destroços … alguns Carangoides bartholomaei e vermelos-rabo-abertos (Ocyurus crhysurus) investiam na multidão de alevinos que cobriam partes do naufrágio como se fossem particulas em suspensão … um badejinho (Mycteroperca bonacy ) de cerca de 50 cm também foi surpreendido na região da popa do naufrágio, porém acostumado com as visitas constantes dos caçadores o peixe logo fugiu … uma surpresa também foi a presença de jovens budiões-azuis ( Scarus trispinosus), peixes cuja presença é sempre um motivo de comemoração (porém, vale citar que uma armadilha do tipo “manzuá” com mais de 1,5m de comprimento foi encontrada no recife com mangas como isca, o que revela oseu alvo, os budiões) … muitos outros peixes foram observados hoje, a maria-preta ( Stegastes fuscus) foi a mais abundante, seguida pelo amboré (Coryphopterus glaucofraenun) … dentre os invertebrados, excluíndo as inumeras colônias de organismos sésseis como as enormes colônias de Montastrea cavernosa, de Carijoa sp., esponjas e ascidias se destacaram como sempre a aranha-do-mar (Stenorhynchus seticornis) e o camarão-palhaço (Stenopus hispidus).

Após 95 minutos de mergulho, às 10:59h saímos da água a contra gosto … não fosse a logística do dia secavamos os cilindros ali mesmo …

Mais fotos do mergulho de hoje podem ser vistas no álbum do Blackadder no meu Multiply: http://rodrigopivni.multiply.com/photos/album/33

Estavam comigo neste mergulho Gustavo, Yuri e Fabinho.




Almêijoa

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Almêijoa é um tipo de marisco encontrado e muito apreciado na Rússia.

No Brasil esse marisco seria motivo de brincadeiras pelo seu formato fálico.

Dizem ser afrodisíaco e nutritivo.

No prato a aparência é outra.

Cada bicho estranho que aparece no fundo do mar!!!

Osmar Luiz Jr. complementa (em 24/01/2008):
Já vi um documentário na Discovery ou NatGeo sobre a pesca destes moluscos.. é real sim..

Cadu, Sergião, Rocha, Buia e Gaspa estiveram recentemente em ilhas da costa Africana onde puderam apreciar ameijoas muito parecidas com estas…

Aplatophis chauliodus

domingo, 28 de outubro de 2007

Bom dia pessoal!

Estou enviando algumas fotos do Aplatophis chauliodus coletado por um pescador no interior da Baía de Todos os Santos. Ele “guardou” o peixe vivo por alguns dias e me deu de presente!

Não sei, mas essas fotos parecem ser os primeiros registros dessa espécie viva!

Assim como muitas espécies de Ophichthidae, A. chauliodus também fica enterrada, somente com a cabeça, olhos e boca (dentes) visíveis. Como tive medo de perder o bicho não deixei ele se enterrar todo!

Abração!
Buia

Nota: As fotos foram editadas por André Lima na tentativa de corrigir as cores e adequar o tamanho ao espaço desse blog.

Acabei esquecendo de comentar que esse é o primeiro registro confirmado em águas brasileiras dessa rara espécie de mutuca (ou mututuca, como queiram). Era conhecida do Golfo do México até a Venezuela, entre 33 e 91 m dde profundidade, todavia o exemplar baiano foi pescado em águas mais rasas!

Abraços! Buia

Espécie rara de polvo no Porto da Barra

sexta-feira, 31 de agosto de 2007


Foto de Cláudio Sampaio “Buia”