Arquivo de agosto de 2008

Efeito colateral do Heliar 14

domingo, 31 de agosto de 2008

Scuba Doctor

sábado, 30 de agosto de 2008

A Scuba Doctor efetua serviços de manutenção em equipamentos para mergulho autônomo (reguladores, coletes equilibradores e torneiras).


Reguladores são equipamentos complexos, portanto, aconselha-se dedicar atenção especial a manutenção destes itens. E isso não significa apenas fazer a manutenção preventiva, mas também no momento de desmontá-lo após um mergulho.

Quando você observar no filtro do seu primeiro estágio pontos verdes ou vermelhos, leve-o o mais rápido possível a uma oficina especializada. Isso é indicação de que houve alguma penetração de água no sistema interno.

Para um mergulho mais tranqüilo, os fabricantes de reguladores aconselham anualmente uma manutenção preventiva, mesmo que você não tenha utilizado seu equipamento nesse período.

scubadoctor@hotmail.com
Tel.: (oxx71)9226 9316
Marcos de Paula

Vivendo (com alto astral) embarcado. Relato de Zé de Anchieta.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Fotos por Buia, Karina Casé e Zé de Anchieta

… a Ribeira é bem tranqüila, não tem moscas e nem mosquitos. No entanto é preciso estar sempre atento na hora de entrar e sair. Essa semana um veleiro ficou encalhado por mais de duas horas no banco, isso sem falar que a bóia é cega (sem iluminação), entrar no escuro é só para os experientes.

…muito bacana, paz total. O Pier Salvador tem uma estrutura atrativa.


Zé de Anchieta muitas vezes precisa mergulhar para atender às consultorias de biologia marinha

Eu sou Biólogo, foquei meus estudos na Biologia Marinha e trabalho com consultor. Fiz um curso de vela que durou três meses há dez anos atrás, depois disso velejei poucas vezes em um Marreco 16, ou seja minha vida como velejador está apenas começando!

Já pensava em morar em um veleiro há muito tempo, só faltava mesmo o barco. Muito provavelmente essa vontade nasceu ou se fortaleceu através das minhas leituras, família Schurman, Amyr Klink, André Melo, Aleixo Belov, Joshua Slocum, Hélio Setti e outros…

Escolhi a Ribeira por conta do preço e localização, Aratú é muito longe, Bahia Marina é muito caro, mas reconheço que preciso visitar o pier da cidade baixa e do Bonfim.

Tento limpar meu barco semanalmente, aqui tem muita matéria orgânica na água, as algas e cracas são danadas.


Karina Casé e Cláudio Sampaio “Buia” em visita à “Minha Ilha”

Um barco pode ser comparado de forma simples com uma casa: você pode ter dinheiro e morar em uma mansão, ou em um barraco no meio de uma favela. Na água você pode viver em um 40 pés (tamanho do barco = 12,2 metros) luxuoso, ou em um 19 pés sem banheiro. No meu caso moro em Atol 23 pés, minha maior dificuldade é que o pé direito (altura do barco) é baixo, quando entro na cabine preciso fazer tudo sentado, caso contrário a coluna vai passear na lua!

Minha casa é pequena, mas minha piscina é a maior de todas. As alegrias são muitas, contato constante com a natureza, canto das sereias, possibilidade de viajar com baixo custo, pra mergulhar é só pular na água, exercício constante, etc.


Cláudio Sampaio “Buia” no preparo de sua famosa moqueca

Passei todo o mês de agosto boiando aqui na Ribeira, realizando algumas manutenções, o vento aqui refresca, mas não balança quase nada. Nas primeiras noites acordava a toda hora, pois não estava acostumado com os barulhos dos veleiros, são muitos cabos batendo nos mastros, botes batendo nos cascos, cataventos cantando e o vento uivando nos estais. Nestes dias meu motor estava na popa, toda hora eu pensava que tinha alguém ‘mexendo’ no meu motor, sei lá.

No quinto dia já estava acostumado com os barulhos, meu motor eu guardei na marina e as noites agora estão mais tranqüilas do que no AP que eu morava.

Nos temporais o que faz barulho mesmo é a chuva que dá pra acostumar.

Na primeira semana a bordo estava sem luz na cabine, fazia tudo apenas com uma lanterna minúscula, como São Pedro não estava de brincadeira, eu me enrolava no saco de dormir e ficava quietinho curtindo o micro balanço. Micro porque aqui é muito tranqüilo, balança menos que uma plataforma que já trabalhei. Quando passa uns “lancheiros” sem vergonha é que balança tudo.

A possibilidade de viver uma vida sem muito consumismo, pra mim, é uma grande alegria, a natureza agradece!

… para aqueles que estão na dúvida ou para aqueles que faltam coragem, tem que ter muita força de vontade, nem tudo é mil maravilhas, mas vale à pena.

Hoje em dia é até possível alugar veleiros para conhecer esta experiência e partir daí se decidir realmente.

Basta pronunciar o nome do veleiro (Minha Ilha) que vai ver que a ilha é sua também… !!

Zé de Anchieta

SCUBAFORTE = Mergulho em Praia do Forte

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

A SCUBAFORTE está localizada no coração da Praia do Forte, possui acesso fácil e é possível parar seu carro (se for de carro) em frente para descarregar os seus equipamentos, que seguem para praia num carrinho. Da praia pega-se um barquinho para outro barco (antigo Snoop), completamente reformado, pintado e equipado, rumo aos mais variados endereços no azul oceânico.


Foto por Mateus

SCUBAFORTE – Escola e Operadora de Mergulho
Alameda da Felicidade, S/N, Praia do Forte
Mata de São João – Bahia – Brasil
Tel: 3676-0462 / 9909-6653

Cleanup Day 2008

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

O evento de limpeza dos mares e oceanos, o Cleanup Day, será organizado pelo NEM e Biota Aquática. Já conta com a parceria das escolas e operadoras Necton Sub, Dive Bahia, Bahia Scuba, Underwater e Sun Dive.


Reunião dos colaboradores na Dive Bahia, que contou com a participação e apoio do Projeto Meros do Brasil.

As atividades começarão a partir das 11h do dia 20 de setembro de 2008 na praia do Porto da Barra, sendo que dia 12 de setembro vai haver uma exposição e provavelmente um coquetel de abertura do evento.


Mais de 300 camisas serão distribuídas.


A cada ano há um aumento de colaboradores, apoios, parceiros… haja pano para tanta logomarca!

Em breve mais notícias do Cleanup Day

Salve Lopes!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008


Hoje um dos pioneiros do mergulho do Brasil aposentou eternamente as nadadeiras. Saiba mais sobre Lopes clicando na foto acima.

Eng. José Francisco Geiger Dortas:
É, porém o velho Lopes não era só parceiro e professor de mergulho. Me aproximei dele quando, por imposição da situação naquele momento, montamos uma empresa com mais três mergulhadores e fomos trabalhar juntos na reconstrução da ponte do TEMADRE. Logo ele foi em minha casa e disse a minha mãe “com mergulho se ganha dinheiro, porém não é uma atividade constante e tem que se administrar isto”.

A equipe de trabalho só tinha loucos, começando pelo Waltinho Acarajé, extremamente forte, nadador, (nadou até no Canal da Mancha), O Manuel, nativo da ilha de Maria Guarda, um armário com 1,80m e um cavalo para trabalhar, (levava, Mário, sobrinho do Lopes, que era mergulhador de novo, amarrado nele para não subir), o Carlos Figueiredo, o Maluquinho, que colocava bombas na Ribeira e morreu vitimado por uma em Cações, já aposentado da Petrobrás, quando então o Lopes disse “viveu como maluco e morreu como tal” e eu, na minha porra louquice da idade e bastante força física para extravasar. E Lopes administrando todos.

Meu pai faleceu em 1963 e eu tinha 17 anos e comigo ficaram uma viúva, quatro irmãs com idade de 12 a 1,5 anos e sem casa própria. Estudava e logo fui trabalhar, quando também remava, nadava, namorava, mergulhava bem, brigava na rua, me julgava imortal e não tinha no momento nenhuma referência paterna, se não a lembrança de meu falecido pai que era vaga e não formativa.

Aí chega o Lopes. Na profissão que eu queria ingressar, consciente, maneiro, excelente e conceituado profissional nas empresas em que trabalhava, extremamente honesto e com uma particularidade que era de finalização nos trabalhos a que se propunha executar. Adotei-o em silêncio como meu segundo pai e nos aproximamos mais.

Tinha uma avidez fantástica pela cultura inobjetiva, que eu assim chamo porque é alheia a profissão ou atividade que se pratica, e como lia muito e não tinha com quem conversar, fui então o escolhido, quando discutíamos sobre o Vietnam, a batalha de Dien Bien Phu, onde os franceses foram derrotados, sobre a ditadura no Brasil, sobre a Rússia e a China que já achava ser um pais emergente pela cultura milenar, falávamos sobre os monges budistas que se atearam fogo e o seu controle sobre a dor e suas viagens astrais, a política americana, religião, que malhava com a seguinte declaração: “Se você passar de carro e ver em uma cidade um bocado de igrejas é bonita e também atrasada, agora se ver chaminés lançando fumaça no ar, é progresso, que é o que o povo precisa” , e tudo mais, sobre tudo e todos. Lia avidamente e sabia de tudo bem antes da globalização e pelos seus olhos passavam livros diversos, inclusive a americana Seleções, com a sua variedade de assunto.Como eu também sou assim, era o parceiro que ele procurava e ai as conversas eram longas se estendiam em sua varanda até tarde, com os pernilongos criados nos alagadiços de Paripe, local onde morava, nos atacando. Quando eu não tinha ainda carro, ia de trem conversar com ele, quando retornava no último horário. Se entusiasmava com os OVNI, com a suburbana recém construída, com o petróleo agora descoberto na Plataforma Continental e tudo mais.

Ultimamente conversávamos mais sobre o espiritualismo e o porque do viver, quando contestando declarava ser uma grande vaidade de um casal querer por um filho no mundo, quando só iria sofrer, desde o choro na hora do parto, furar orelha, no nascer e no ter a dor de dentes, ter de tomar banho, estudar e trabalhar, “Se o homem pensar na vida, abomina a hora de ter nascido”. Quando lhe disse que ia me casar em 1973 ele me perguntou se a mulher era bonita e eu lhe disse que sim e ai retrucou: “Se lembre que ela não vai só. Vai também sogro, sogra, cunhado, primo amigos e tudo o mais e desejo-lhe sorte que todos sejam legais, honestos e trabalhadores”. Nisto eu dei sorte.

De vez em quando e ultimamente eu almoçava lá, quando ele reservava uma garrafa de vinho e uns assados gostosos que eu temperava com mais um pouquinho de sal, que agora ele não mais comia, e passávamos momentos inesquecíveis, comendo e rindo na copa de sua casa, por ele construída. Devo a ele hoje o que sou porque ele foi a minha faculdade na vida e continuo sendo até hoje mais mergulhador do que engenheiro e com muito mérito, pois nele vi o enobrecimento desta profissão e como eu sempre digo, a maior parte do que tenho foi chupando ar de umbilicais, o que soma um considerável volume, realizando trabalhos na profissão que escolhi e até hoje com quase 62 anos, me realizo e tento passar com humildade para os mais novos.

O Diabo Loiro (versão completa), por Mário Mukeka

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

O barco do mais famoso pirata do rio Paraguaçu afundou na região no século XVII ao bater em algumas pedras da borda. A história conta que Van Den Bergh conseguiu fugir em outra embarcação. Mas seu barco ficou no leito do rio, segundo historiadores, com 150 mil moedas de ouro e muitas outras riquezas.

Uma manobra infeliz

Chovia muito. No céu não havia estrelas. E, com uma tempestade se formando pelo sul, o “miseravão” resolveu entrar no Rio Paraguaçu. Contava com a escuridão para não ser visto e aumentar o impacto do seu ataque surpresa.

Van Den Bergh era da primeira leva (de marinheiros) que chegou com Mauricio de Nassau, tinha todas as cartas náuticas disponíveis do Paraguaçu e a experiência de vários ataques ao longo de sua carreira. Assim, não via problema em entrar no rio nessa situação, em tese adversa.

Como previsto, passou despercebido pela principal bateria no pequeno Forte da Salamina que, mesmo sem grade poder de fogo, servia para os alertar engenhos, rio acima, de algum perigo eminente. Com o caminho livre tomou o rumo do mais rico engenho da região e, numa manobra infeliz o vento sul lhe jogou de encontro à borda do rio. A embarcação montou em um cabeço de pedra, tombando de lado e, em uma fração de segundo, afundou no canal de navegação. E lá ficou enterrada na lama com tudo que havia dentro.

Como não foi dado nenhum tiro, tudo que a população percebeu ao amanhecer foi o sumiço de uma chalana, uma pequena embarcação que foi usada na fuga de Van Den Bergh.

Apesar de ser temido, sem um barco cheio de canhões e “com a guia totalmente quebrada” a liderança de Van Den Bergh perdeu o sentido e sua tripulação se espalhou pela Baía de Todos os Santos.

Foram alguns sobreviventes que relataram o episódio da perda da embarcação, pois Van Den Bergh nunca mais foi visto.


Imagem de Maurício Gonçalves. Clique na ilustração para entrar no site original.

A partir desse trecho, para proteger conhecidos; nomes, locais e datas não serão necessariamente verdadeiros.

Consta em relatos no Arquivo Público do Estado da Bahia que a tripulação de Van Den Bergh passou a vender a única coisa que tinha, o que se chama hoje de logística. Assim cada pé-de-chinelo que navegou com o piratão se transformou num grande especialista em ataques aos engenhos do Paraguaçu.

Dois acidentes geográficos colaboravam com as táticas de ataque, o Morro de Santo cristo, na região que se chama boca do Paraguaçu, e a Ilha do Francês a menos de uma milha rio acima.

Atravessada no rio, a pequena Ilha (do Francês) era um biombo perfeito. A partir de sinais vindos do topo do Morro do Santo Cristo, o ataque acontecia. Entrando ou saindo do rio era ali que o “bicho pegava”.

Em 2002 se formou uma conexão: biólogos, historiadores, aglomeradores matemáticos e mergulhadores especializados em água de baixa visibilidade passaram a se reunir em uma antiga boate na Ladeira da Preguiça e começaram a trocar informações.

Hoje o Paraguaçu é um rio modificado. A barragem de Pedra do Cavalo criou um novo padrão de comportamento. Sua flora e fauna se desorganizaram (ou organizaram de outra forma), muita coisa desapareceu, como as lindas águas vivas que pareciam disco voadores e em grandes quantidades povoavam a Baía de Todos os Santos.

A desorganização desse rico ecossistema também modificou a qualidade da água e, em determinados momentos, a visibilidade melhora sensivelmente. A partir de informações meteorológicas pode se prever um padrão na vazão das comportas e programar um mergulho. Sondagens magnéticas indicaram que, em volta da Ilha do Francês, existe uma grande quantidade de entulhos. Porém, por ser a parte mais funda do rio, só é possível exploração desses vestígios materiais com o emprego de tecnologia de ponta. Isso implica na legalização da busca, coisa quase impossível com a atual legislação, que favorece às grandes empresas de caça ao tesouro. Mas, os destroços que se encontram agarrados nas suas bordas como o de Van Den Bergh podem ser explorados com tecnologias de baixo custo.

Fibra, moedas de ouro e cachos de banana

Quando o governo, numa medida populista-eleitoreira, forneceu canoas de fibra de vidro para os pescadores locais se criou um mercado de reparos dessas embarcações de quinta categoria, que se desmancham sem bater.

Essas canoas estão sempre precisando de consertos. Foi assim que apareci, como um especialista em fibra de vidro. Fui apresentado por lideranças locais e passei a fazer serviços de reparo em fibra a preço de banana – literalmente. Muitas vezes fui pago com cachos dessa fruta, siri catado, lambreta e sururu. Com todos esses elementos conspirando a meu favor, comecei a fazer perguntas despretensiosamente.

Um dia me trouxeram uma garrafa antiga, cor verde escura, com um selo de vidro gravado o nome de Van Den Bergh. Eu já vinha pesquisando esse nome por 16 anos e, em 1990 encontrei a primeira citação sobre sua tragédia no Arquivo Público da Bahia. O documento dizia que Van Den Bergh tinha planejado um ataque que não dera certo. Era tudo que se sabia e que sua tripulação se espalhara vendendo seus serviços.

Agora, mais de trezentos anos depois, estava nas minhas mãos uma garrafa personalizada da sua adega. Naquele momento percebi que eu podia descobri o barco do “miseravão”. Enfim tinha encontrado o Diabo Loiro.

Acompanhado de um especialista com grade prestígio na região, fomos até a casa do pescador, que supostamente encontrara a garrafa. Para minha surpresa, o pescador era uma marisqueira que trabalhava na beira do rio.

Informações de pessoas ligadas às ciências naturais dão conta que o nível do Paraguaçu baixou após a construção da barragem. E hoje, as marisqueiras pescam na beira do peral.

Minha velhinha, como eu passei a chamar a marisqueira que eu conheci, me contou que uma comadre dela tinha achado uma peça que ela chamou de caçarola cor de rosa. Conversa vai, conversa vem, depois que minha velhinha garrou confiança, resolveu me levar na casa de sua comadre, porque eu disse que queria copiar a caçarola, usando o barro da região.

A tal caçarola é um maravilhoso candeeiro aromatizante, com a marca de um barco com vela de junco. Uma jóia em porcelana cor de rosa por fora e branca por dentro. Usando óleos aromatizantes e uma bucha de algodão ela voltou a espantar os mosquitos da região.

O barco de Van Den Bergh, que está coberto de areia e lama, depois da construção da barragem de Pedra do Cavalo, passou a ficar em seco durante a maré baixa. E hoje o banco de areia que ele formou serve como campo de futebol.

Anteriormente, quando ele ficava totalmente submerso, tinha se transformado em um grande pesqueiro e com o passar dos anos, como sempre tinha muito peixe no entulho que ele formou, passou a ser atacado por centenas de dinamite, uma infeliz pratica para matar peixe em toda a Baía de Todos os Santos.

O carma do homem dura até hoje e seu barco, mesmo repousando no fundo do Paraguaçu, não tem sossego. Essas explosões de dinamite partiram quase que a totalidade das suas peças de vidro e porcelana. Que se sabe, a garrafa e o candeeiro são os únicos objetos inteiros que apareceram.

Em dado momento, comecei a comprar cacos de porcelana, dizendo que uma amiga gostava de fazer mosaicos. Sacos e mais sacos apareceram. Em uma grossa análise dessas peças já se percebe a impressionante diversidade de procedências. São as mais finas porcelanas que eu já vi. Como Van Den Bergh pilhava muito, tem peça de vários cantos do mundo.

Pelo padrão do formato das peças, tudo indica que foram quebrados pela mesma força de impacto. Até porque a quantidade de dinamite é sempre a mesma. De certa forma a água amortece o impacto e os atuais cacos de louças podem fazer lindos mosaicos, ficando livres da tirania das suas formas originas.

Mário Andión Cortizo “Mukeka”
Cidade da Bahia, agosto de 2008.

Lagoa Misteriosa pode ser reaberta para turismo em 2009

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Tradicional ponto de mergulho na região de Bonito e Jardim, a Lagoa Misteriosa, pode ser reaberta para o turismo no segundo semestre do ano que vem, para isso o local passa desde o dia 12 deste mês pelo processo de mapeamento. Até o final do mês, 13 especialistas em mergulho em caverna, sob a supervisão de Tuta Barroco, que trabalha na modalidade desde 1995, fazem o mapeamento da lagoa como parte do Plano de Manejo a ser encaminhado para avaliação do Ibama. Para realizar o trabalho, a equipe conta com um arsenal variado de equipamentos, que vão desde roupas secas até dispositivos para mistura de gases em cilindro.

Segundo Tuta, o mapeamento está sendo feito até uma profundidade de 70 metros, mas não possuem estimativa da profundidade total da caverna. O mergulhador Gilberto Menezes (SBE 2395) atingiu a profundidade máxima de 220 metros. Através de um cabo preso em um flutuador mantido na superfície, os mergulhadores responsáveis pelo mapeamento conseguem nomear bases a cada cinco metros de profundidade para caracterizar a Lagoa. Através de um programa de computador, os dados conseguem construir o esqueleto do local, uma espécie de mapa que mostra medidas de profundidade, largura e formato. A Lagoa Misteriosa é um dos pontos mais tradicionais de mergulho no País. Para Tuta, o diferencial do lugar em relação a outros atrativos está na visibilidade da água, que permanece cristalina praticamente durante o ano todo. Além disso, o fato de ser uma caverna vertical permite que os mergulhadores avancem em profundidades maiores. Em espaços de mergulho aberto, como em mares, a visibilidade nem sempre é satisfatória. Como parte da expedição, a equipe ainda fará sugestões de modalidades de passeios dentro da Lagoa, como a flutuação e o mergulho livre com snorkel. “Sem dúvida é um passeio fantástico, um dos pontos de mergulho mais antigos de Bonito”, completa o mergulhador. A Lagoa Misteriosa fica a 36 quilômetros de Jardim e a 40 da cidade de Bonito. O proprietário da Lagoa Misteriosa investe mais de R$ 40 mil para reabrir o atrativo.

Fonte: Campo Grande News 20/08/2008.

Mauricio Andrade Sales “Maurição”

sábado, 23 de agosto de 2008

Um dos últimos a entrar na turma de mergulhadores do Canela, Mauricio ainda pegou a fase da fartura de peixes na Barra, em meados da década de 80. Na época, a bíblia do mergulho livre no Brasil era o “Super – Sub” de Américo Santarelli, recordista mundial de profundidade, e todos usavam equipamentos da Cobra Sub ou Orca. Teve um breve período de mergulho em 1984, mas somente começou a mergulhar regularmente a partir de 1986 com André Lima (AML), Pequinho e Tuí, amigos com quem aprendeu técnicas da caça submarina.

Após a fase de mergulho livre, que nunca foi totalmente abandonada, fez curso básico de mergulho na Submariner e em seguida tornou-se monitor deste curso a convite de AML, então gerente da escola e loja. Continuou com outros cursos avançados e constante monitoria do curso básico, tornando-se Instrutor Categoria 1 Estrela pela CMAS, entidade então certificadora da Submariner.


Mauricio Sales, em Barra Grande – Bahia, pescando na Plataforma P-16.

“Maurição”, também conhecido como Sapato (apelido do apelido Sapatão), é engenheiro mecânico com atuação nas área de sistemas térmicos e mecânica dos fluidos. Seus conhecimentos de engenharia facilitaram seu papel de instrutor na área de física e fisiologia do mergulho, assuntos dos quais se encarregava nas aulas teóricas dos cursos oferecidos pela Submariner.

No mar, levava a sério a regra de nunca mergulhar sozinho, mesmo antes dos cursos de mergulho que fez. Quando sua dupla desaparecia, largava o que estava fazendo e passava a procurar o companheiro. Com essa atitude em prol da vigilância atenta deixou de aproveitar alguns mergulhos, mas teve a oportunidade de salvar um amigo em um apagamento. Apesar de gostar de se aventurar em alguns mergulhos “punk” (como diria Marcelo Pato e Marquinhos Conspirador), sempre foi chamado por alguns como o “juízo da galera”.

Sua profissão sempre foi priorizada em relação ao mergulho, atividade que viveu numa febre até o final dos anos 90. Quando abriu sua própria empresa de engenharia foi se afastando aos poucos da atividade, mas nunca perdeu o contato com os amigos e o mar. Mesmo hoje com problemas de coluna e afastado do esporte, seu equipamento continua preparado e pronto para uso imediato. Como diz AML, “o baiano tem uma aquacidade fantástica”. Talvez por isso, mesmo mergulhando pouquíssimo nos últimos anos, o assunto sempre é presente na sua vida.

Divemaster

sábado, 23 de agosto de 2008

Um guia de turismo entrou em uma operadora de mergulho e perguntou: – Tenho um grupo de 10 mergulhadores, quando poderemos mergulhar?
O dono respondeu: – Daqui a 5 minutos, se quiser.
O guia não acreditou, pois sabia a grande quantidade de trabalho que dá para arrumar um barco de mergulho. Mas, conversou com seu grupo e todos toparam mergulhar naquela hora. Fez o acerto com o dono da operadora e ficaram esperando a arrumação do barco.
O dono gritou: -Divemaster!!! Prepare o barco pra dez mergulhadores!
Em 5 minutos o barco estava pronto. Todos embarcaram, mergulharam e foi um serviço impecável. Divemaster ajudou a todos na montagem dos equipamentos, mostrou a vida marinha local, conversou sobre o último capítulo da novela, poesia concreta, física quântica…
Quando em terra, o guia foi cumprimentar o dono da operadora: – Rapaz, essa foi a melhor saída de mergulho de que já participei. Divemaster fez isso, e aquilo… Parabéns!

Um ano depois.

O guia entra na operadora, reencontra o dono e pergunta: – E aí, tudo bem? Trouxe outro grupo de mergulhadores. Podemos fazer uma saída daqui a 5 minutos?
O dono respondeu: – Será que a gente pode combinar a saída para o próximo domingo?
O guia: – Daqui a 5 dias! E cadê o eficiente Divemaster? Ainda trabalha aqui?
O dono: Trabalha, mas agora ele está gordo e preguiçoso. Precisa de 5 dias para preparar o barco.
O guia: O que foi que houve com ele?
O dono: Não sei. Ele está assim desde que começou a ser chamado de instrutor.