
O Café Científico, promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Ensino, Filosofia e História das Ciências (UFBA/UEFS) e pela LDM – Livraria Multicampi, continua na LDM neste mês de dezembro de 2008 com o evento:
1 de dezembro de 2008 – 18:30
Gilson Rambelli (Depto. de Antropologia e Etnologia, UFBA)
Arqueologia subaquática na Baía de Todos os Santos
O Café Científico é um local em que qualquer pessoa pode discutir desenvolvimentos recentes das várias ciências e seus impactos sociais. Ele oferece uma oportunidade para que cientistas e o público em geral se encontrem face a face para discutir questões científicas, numa atmosfera agradável.
Estamos procurando implantar uma conduta ambientalmente responsável no café. Assim, pedimos à nossa audiência que leve suas canequinhas, copos etc. para beber o café e a água oferecidas durante o evento. Assim, poderemos não usar tantos copinhos de plástico, que têm custo ambiental considerável, visto que não podem ser devidamente reciclados.
O evento é inteiramente gratuito e não necessita de inscrição. O local é a LDM – Livraria Multicampi, na Rua Direita da Piedade, 20, Piedade. O Café Científico ocorre na segunda semana de cada mês, sempre às segundas-feiras, às 18:30 horas. O telefone da livraria é (71)2101-8000. Informações podem ser conseguidas também no telefone (71) 3283-6568.
Maiores informações sobre o café científico de Salvador podem ser encontradas no blog Café Científico Salvador (clique na imagem no início do texto).
Informações gerais sobre a iniciativa dos Cafés Científicos podem ser conseguidas no sítio Café Scientifique (clique na imagem abaixo).

Comissão Organizadora do Café Científico:
Charbel Niño El-Hani (Instituto de Biologia, UFBA. Programa de Pós-Graduação em Ensino, Filosofia e História das Ciências, UFBA/UEFS. Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Biomonitoramento, UFBA).
Primo Maldonado (LDM).
Ana Maria Rocha de Almeida (Instituto de Biologia, UFBA).
Claudionor Silva Souza (LDM)
Débora Menezes Alcântara (Jornalista)
Fabiano de Souza Vieira (Programa de Pós-Graduação em Ensino, Filosofia e História das Ciências, UFBA/UEFS).
Juliane Lopes Ferreira (Instituto de Biologia, UFBA)
Leila Costa Cruz (UNIME/FTC EAD)
Liziane Martins (Instituto de Biologia, UFBA)
Luana Maldonado (LDM)
Nei de Freitas Nunes Neto (Programa de Pós-Graduação em Ensino, Filosofia e História das Ciências, UFBA/UEFS).
Sidarta Rodrigues (Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, UFBA)
Valter Alves Pereira (Colégio da Polícia Militar)
Vanessa Carvalho dos Santos (Programa de Pós-Graduação em Ensino, Filosofia e História das Ciências, UFBA/UEFS).
Arqueologia Subaquática na Baía de Todos os Santos
Por Gilson Rambelli, Professor Visitante do Departamento de Antropologia e Etnologia da UFBA
A Arqueologia Subaquática é Arqueologia! Esse é o ponto de partida de nossa reflexão.
Durante muito tempo o ambiente aquático, sobretudo o marinho, foi considerado um ambiente intransponível. Essa concepção, carregada de simbolismos, foi construída ao longo de milênios, em diferentes sociedades, e irá influenciar na maneira como as pessoas, hoje, pensam o mar, e, em particular, o fundo do mar.
Os testemunhos da aventura humana sobre o planeta que se encontram submersos, por diferentes motivos, foram considerados como coisas perdidas, até bem pouco tempo. Assim, a possibilidade de se fazer estudos arqueológicos desses vestígios foi substituída pela fantasia de se recuperar tesouros perdidos.
O problema dessa visão romântica sobre os sítios arqueológicos subaquáticos é que ela tem contribuído para a destruição desse patrimônio cultural, principalmente aqui, em Salvador, e na Baía de Todos os Santos.
Todo sítio arqueológico é patrimônio público! Pertence a todos nós! E com uma característica que deve ser ressaltada: eles são únicos e não renováveis. Ou seja, uma vez destruídos, é para sempre. Não podemos mais conceber, em pleno século XXI, que o fundo do mar e os testemunhos de atividades humanas pretéritas, como os restos de naufrágios, por exemplo, sejam considerados terra de ninguém.
Ora, o ambiente aquático não é mais tão intransponível assim. Ele está cada vez mais acessível. O mergulho recreativo comprova bem isso. Cada vez mais pessoas aprendem a mergulhar, de forma que, hoje, ninguém mais pode, e nem tem esse direito, explorar esses bens submersos em benefício próprio, como se fazia no século XIX e no começo do século XX.
Quem deve estar atento a esse tipo de problema é a sociedade, merecedora de todos os esforços da Arqueologia, da Arqueologia Subaquática, para a produção do conhecimento sobre esse patrimônio cultural, e não somente os especialistas.
Urge uma mudança de mentalidade e de atitude em prol do patrimônio cultural subaquático, se não ele desaparecerá, literalmente, debaixo de nossos olhos.
Leituras:
Bass, George F.. Arqueologia subaquática. Lisboa: Verbo, 1966.
Rambelli, Gilson. Arqueologia até debaixo d’água. São Paulo: Maranta, 2002.
Mais textos e informações sobre esse assunto em:

