Arquivo de abril de 2009

Mergulho no azul – Sexta-Feira da Paixão de 2009.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Semana Santa, Sexta-Feira da Paixão. Marcamos mais uma daquelas saídas para mergulhar no azul. Havia tempo que não mergulhava no “Pedregulho”, também conhecido como Falha de Fora ou Pedra do Negão, por conta da quantidade de Badejos existentes no local. Um pedrado extenso, 40 m de profundidade, mar aberto, que algumas vezes nos surpreende e nesse dia eu fui surpreendida.

O que seria apenas uma prática rotineira, com três amigos a bordo de um barco pesqueiro para fazer mergulhos independentes, se transformou em uma das mais difíceis situações que passei na vida. Me fez ver o quão pequena e insignificante sou diante da imensidão azul do mar, me fez rever alguns conceitos e principalmente relembrar que com o mar não se brinca. E não se brinca mesmo!

Saímos da Praia de Guarajuba numa embarcação, espaçosa, com capacidade para dez mergulhadores. Nosso grupo era de seis mergulhadores. Estávamos alegres e ansiosos por mais um daqueles mergulhos incríveis no azul. Pouco mais que uma hora de navegação até o primeiro ponto.

A maré estava grande e havia forte correnteza, nos forçando a bater pernas até chegar ao cabo da âncora, que também era o de descida. A água não estava tão limpa como de costume, assim mesmo o mergulho no Pedregulho correu bem, imagens foram feitas, respeitamos o tempo de fundo, de descompressão e na superfície, capitão e marinheiro, ambos pescadores, nos aguardavam com os peixes que haviam pescado de linha para nosso almoço.

Intervalo de superfície divertido, todos contentes, lanchamos enquanto aguardávamos o peixe ficar pronto, foi quando decidimos seguir para a Falha, um ponto com aproximadamente 26 m de profundidade e mais perto da costa, já no caminho de volta.

O mar continuava a “correr” bastante… eu, meio preguiçosa sem querer fazer o segundo mergulho, o que não é comum ocorrer. Foi quando decidimos cair logo na água e almoçar após o mergulho.

Um casal começou a descida, enquanto meu dupla terminava de se equipar e eu entrava na água por bombordo que estava livre. Achei que não encontraria obstáculos para chegar mais rápido ao cabo e lá aguardá-lo. Em seguida, caíram pelo outro bordo meu dupla e mais uma dupla de mergulhadores. Todos desceram, enquanto eu era arrastada pela correnteza à uns dois metros de profundidade, já perdida do cabo da âncora.

Como costumo mergulhar nesses pontos e sei que normalmente a correnteza ocorre na superfície enquanto no fundo fica tranqüilo e com boa visibilidade, tomei a infeliz decisão de descer até o fundo, pensando que seria mais fácil de encontrar o cabo preso a embarcação e o restante da turma lá embaixo.

Passei 10 minutos no fundo, procurando os companheiros. Avistei peixes grandes dos quais desconheço a espécie. Lá embaixo não corria, a água estava boa. Pensei em amarrar a carretilha num pedrado e soltar o deco marker, marcando o ponto onde eu estava. Mas me lembrei que lá na superfície corria muito, o cabo da carretilha poderia se partir e eu perder o deco marker. Foi quando avistei a linha e o anzol dos pescadores que comandavam nossa embarcação. Não pensei duas vezes e soltei o deco marker lá de baixo, iniciando lentamente minha subida.

Aos 10 m de profundidade já corria e eu me afastava cada vez mais da embarcação. Queimei um minuto da parada de segurança, mesmo tendo feito um mergulho de 40 metros de profundidade há menos de duas horas.

Quando cheguei à superfície e avistei o barco bem distante, a minha primeira reação foi xingar. Então pensei em abandonar o meu cinto com 5 kg de lastro. Mas, se eu precisar descer? E se eu precisar amarrar meus equipamentos? Nesse momento vários pensamentos me vinham à cabeça. Me lembrei dos tintureiras avistados de cima da embarcação após um mergulho que fizemos em Praia do Forte há pouco tempo atrás, pensei nos “bichos grandes”, pensei se eu conseguiria chegar até alguma praia, pensei no tanto de estórias sinistras que já aconteceram naquelas “redondezas”, pensei no resgate, pensei que o barco poderia estar com pouco combustível e talvez resolvessem voltar à terra para pedirem por ajuda, pensei na noite difícil que teria se tivesse de passar ali, que apesar da lua cheia eu estava sem lanternas e dificilmente seria avistada, na família, nas minhas cadelas, amigos (as), na vida, na morte, até que conclui que esses pensamentos não iriam me levar a lugar nenhum dos quais eu queria chegar naquele exato momento.

Comecei a pensar em situações semelhantes que tiveram finais felizes. Foi quando comecei a pensar em Deus e a falar com Ele. Foram quase duas horas controlando meus pensamentos e tentando manter a calma. O barco desaparecia e aparecia. Já estava tendo dificuldades em enxergá-lo. Balançava o deco marker e gritava, pois não tinha se quer um apito, mas não adiantava porque eu já estava a mais de um quilômetro de distância e o vento não permitiria que eles me ouvissem. Eu não entendia por que demoravam tanto tempo para fazerem o barco andar e virem atrás de mim.

Juntaram-se pensamentos positivos, fé, sorte (sei lá!) e comecei a enxergar o barco em movimento. Graças a Deus eles vinham em minha direção. Uma mistura de alívio, cansaço e muitas reflexões tomaram conta de mim. Meu corpo ficou pesado e dessa vez um banho de mar não retiraria aquele peso.

Ao se aproximarem ouvi alguém dizer: – se prepare para apanhar! Outro falava de lá: – agora você vai ouvir! Teve chororô!! Eu segurei o nó na goela!!! Outro pulou na água e ainda me deu uns “caldos”. – Chega de água salgada por hoje, disse eu que já tinha bebido “um tiquinho” suficiente para perder o apetite e abrir mão do peixe que já estava pronto a bordo. Já haviam ligado pra pegar telefone da Capitania dos Portos. Todos estavam tensos. Mas, o importante era que eu já estava ali.

Algumas coisas eu não entendi como puderam acontecer. O fato é que essas coisas simplesmente acontecem e ninguém está livre por melhor mergulhador que seja. Não conheço nenhum mergulhador auto-suficiente a ponto de nunca ter necessitado de uma ajuda por menor que seja.

Existem medidas que poderiam ter sido tomadas para evitar o ocorrido. Mas comparo com quem dorme de portas abertas. A gente só passa a tranca depois que é assaltado. A gente só começa a rever conceitos e condutas após passar por uma experiência como esta. Algumas pessoas aprendem também com as experiências dos outros.

Com certeza esses momentos ficarão registrados em minha memória e passarei a adotar mais algumas medidas de prevenção. Cautela, equipamentos de segurança e um bom planejamento de mergulho, antes de embarcar numa aventura dessa, talvez me poupasse desse susto.

Gostaria de agradecer aos companheiros sub de aventuras independentes e dizer que outras virão. Me desculpar pelo susto que preguei em todos, apesar do susto maior ter sido o meu.

Papai do Céu viu que estava muito cedo para eu deixar esse planeta, que tenho ainda muito o que aprender e muitos assuntos pendentes por aqui pra partir assim, tão cedo. Essa foi a minha Sexta-Feira da Paixão de 2009, hoje é Sábado de Aleluia, o amanhã a Deus pertence e 21 de abril, dia de Tiradentes, terá mais! Quem se habilita?

Beijos, abraços, bons mergulhos a todos e não se esqueçam do deco marker, espelhinho, apito, dive alert, spool, carretilha…………. e um bom planejamento.

Léia.

Perdeu a Exposição do Projeto na Associação? PEPA?

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Você não pôde participar do Evento Tarrafada, que incluiu a Exposição Fotográfica do Projeto PEPA (PROJETO DE ETNOPESCA NA ASSOCIAÇÃO DOS PESCADORES DA PITUBA)? Tudo bem, o PEPA é gente boa. Abaixo mais uma oportunidade para você ver parte da exposição. Mas, pegue uma boa lupa se quiser enxergar detalhes das fotos do Projeto.


A Exposição contou com a presença da Liga Baiana para Conservação dos Ambientes Recifais – LIBA


Priscilla (Piu), Vitor e Simone

Convite do PEPA

terça-feira, 7 de abril de 2009

Exposição fotográfica do Projeto PEPA (PROJETO DE ETNOPESCA NA ASSOCIAÇÃO DOS PESCADORES DA PITUBA)

Local: Tarrafa Botequim e Galeria, Rio Vermelho, próximo ao Nhô Caldos
Data: 09/04/2009 / quinta-feira
Horário: 17:30h

Conto com a participação de todos vocês nesse evento

Atenciosamente,
Priscilla Malafaia

Mais mergulhadores na área

terça-feira, 7 de abril de 2009


Mais 11 mergulhadores certificados em Salvador. Sob o comando dos instrutores Jorge Galvão e Davi Durães os alunos mergulhadores passaram, neste domingo 05.04.09, com sucesso pela avaliação final de mar. O primeiro mergulho foi no Quebra Mar Norte e o segundo foi no Vapor do Jequitaia.





Não é todo dia que um navio entra quase espremido pela parte sul do quebra mar e o Forte São Marcelo. Fortes emoções para quem estava num barquinho pescando nesta área








Fotos por Jorge Galvão

Sete Pontos Mágicos de Salvador

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Apesar da credibilidade duvidosa dessas enquetes oficiais (lembram do Oceanário que iria ser construído na área do antigo Clube Português?) a Prefeitura de Salvador, o Governo do Estado da Bahia, a Saltur, o Cbtur, o Sebrae, o Cluster de Turismo Costa dos Coqueiros e a Câmara Bahia de Todos os Santos lançaram mais uma: Sete Pontos Mágicos de Salvador.


Clique na imagem para acessar o site da votação

A enquete consiste em escolher 7 de 14 pontos de Salvador que mais encantam os turistas. O site não explica quem elegeu os 14 pontos iniciais, nem como vai ser usado o resultado dessa pesquisa. De qualquer modo, vamos votar, das 7 escolhas pessoais, na Baía de Todos os Santos, pois dela nasceu nossa Cidade e merece mais atenção dos órgãos públicos (competentes?).

* * *

Durante uma conversa no Bar Damasco, vizinho ao Elevador Lacerda:

- Ô Macedão! Que estória é essa de pontos mágicos de Salvador? Eu ouvi falar que tem alguma coisa a ver com turismo.
- Se ligue Djalma, os caras vão escolher os sete locais de Salvador que mais somem bolsas, jóias, celular, máquina fotográfica, óculos de sol… dos turistas.

A difícil missão de vetar o mergulho

sábado, 4 de abril de 2009

Os médicos têm no seu cotidiano de dar más e boas notícias. Em algumas especialidades, a exemplo da oncologia que trata de pacientes com câncer, infelizmente a balança pende para as más. Em outras, como na obstetrícia, o número de boas notícias aliada à expectativa da chegada de um novo membro para a família, torna o ambiente mais agradável mas não menos emocionante.

Tive a grata chance, por obra do acaso ou do destino, de me especializar em medicina do esporte o que nos últimos 14 anos me permitiu trabalhar nos mais variados ambientes inclusive fora de clínicas e hospitais, desde estádios de futebol até em pistas de corrida ou ginásios de esportes.

O mergulho autônomo
Em 2003 descobri o mergulho autônomo e em 2005 a DAN que me forneceu o treinamento necessário para avaliar candidatos a mergulho. É fantástico (sem querer plagiar o slogan do programa de mesmo nome) ver o brilho no olhar das pessoas que estão iniciando seus cursos à espera de descobrir um mundo maravilhoso e cheio de surpresas. De 2005 para cá tive a oportunidade de avaliar diversas pessoas que estavam iniciando ou continuando seu processo de educação sub o que de certa forma me permitiu, como médico, contribuir para a realização de um sonho.

Entretanto, algumas vezes por dever profissional e por questões de segurança fui levado a contra-indicar o mergulho scuba. É difícil ver aquele brilho da expectativa de uma descoberta se apagar quando nós médicos informamos ao “futuro” mergulhador que ele não poderá ter a sensação de respirar sob a água. Pior ainda quando se trata de uma pessoa jovem, cheia de saúde, sem qualquer problema físico aparente e que por isso mesmo às vezes fica privada de entender o por quê do veto, embora tentemos muitas vezes em vão explicar os motivos científicos para tal conduta.

Acho que todo médico deveria ter no seu dicionário a palavra “desculpe”. Se desculpar por não conseguir atender às expectativas daquela pessoa em particular pode amenizar um pouco a decepção, e por que não dizer o sofrimento, de ambos: médico e candidato a mergulho. Nós médicos também não devemos nos esquecer de um outro personagem importante nestes momentos: o instrutor. Este também se decepciona mas o dever de manter seus alunos em segurança acaba por diminuir um pouco seu sofrimento.

A medicina evolui e espero que a medicina do mergulho evolua ao ponto de podermos tratar eficazmente condições que hoje não permitem a algumas pessoas descobrir o mundo maravilhoso que há sob as águas.

Abraços,

Jomar.

Jomar Souza

http://lattes.cnpq.br/5475358085340623

Lançamento do livro “Guia para Identificação de Peixes Ornamentais Brasileiros”

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Foi lançado, em Brasília, durante os festejos dos 20 anos da criação do IBAMA o Guia para Identificação de Peixes Ornamentais Brasileiros de autoria de Cláudio L. S. Sampaio e Mara C. Nottingham.


O autor Cláudio L. S. Sampaio é muito conhecido como Buia

O livro será enviado para os centros de pesquisa, universidades e pesquisadores, mas tem como principal objetivo auxiliar os trabalhos de fiscalização; além da versão impressa, estará dentro em breve, disponível, no site do IBAMA em formato PDF.

O Brasil é um país de megadiversidade, ou seja, possuidor de inúmeras espécies endêmicas; muitas delas com formas e cores encantadoras, bastante atrativas ao comércio ornamental. No ambiente marinho não é diferente, nossos peixes figuram entre os mais belos animais marinhos e se destacam não apenas pela sua graça, mas também pelo comportamento dócil e sua rusticidade. Os ambientes recifais e estuarinos brasileiros guardam verdadeiras jóias vivas, sendo essas espécies bastante valorizadas pelo crescente comércio aquarista.

Atualmente 136 espécies de peixes marinhos brasileiros são permitidas para captura e comércio com finalidade ornamental. A lista de espécies permitidas e suas normas para utilização foram definidas num trabalho conjunto, coordenado pelo IBAMA, com a participação de gestores públicos, pesquisadores e setor produtivo.

O Guia para Identificação de Peixes Ornamentais Brasileiros, Volume I, Espécies Marinhas, publicado pelo IBAMA, mais que um livro realçado pela beleza das imagens nele contidas e informações inéditas, foi elaborado com o objetivo fundamental de fornecer informações práticas e visuais sobre os peixes marinhos brasileiros permitidos ao comercio ornamental para que a fiscalização ambiental identifique as espécies em suas ações. Essa obra, ainda, servirá como referência para consulta pelo público em geral, mais especificamente aos aquaristas, pescadores, lojistas, empresários, pesquisadores e estudantes.

Mais fotos da soltura do mero

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Salve pessoal,

… Irei pontuar algumas de nossas ações, na quinta feira fui com o Vinícius no mercado municipal, onde ele foi muito bem recebido. Distribuímos cartazes, adesivos e trocamos algumas informações com os comerciantes e alguns clientes, fiz diversas fotos que estão com o Vinícius.

Na sexta fomos para a Praia do Forte e no final do dia coletamos amostras de três meros, o tecido foi retirado da nadadeira caudal. Como haviam poucas marcas, tags, optamos em marcar o próximo Mero a ser libertado e que não está em exposição.

No sábado ficamos aguardando a imprensa, mas apenas dois repórteres apareceram, sendo que um deles está criando uma revista, como trabalho de conclusão de curso e ficou de entrar em contato conosco. Fizeram algumas perguntas e fotografias, mas nada sei sobre a publicação de qualquer matéria, além daquela no site http://www.nectonsub.com.br/item/985/

O Mero foi marcado horas antes da sua soltura, que ocorreu com sucesso. Antes da soltura, como Vinícius disse, fizemos uma breve palestra, informando ao público presente os motivos que levaram o Mero a ser considerada uma espécie em extinção, o que aconteceu com aquele indivíduo, como foi feita sua reabilitação nas instalações do TAMAR, como podemos ajudar os Meros e sua importância ecológica. Vinícius falou mais sobre a atuação do Projeto Meros do Brasil e depois de sua apresentação levamos o Mero de maca até a praia, onde foi solto. O animal saiu nadando bem e até hoje não recebemos qualquer noticia de sua avistagem na área de soltura. O público bateu palmas e ficamos todos muito felizes!

Tenho mais fotos, caso necessitem, por favor…

Bem, todos estão de parabéns pela soltura, foi um sucesso!
Abraços, Buia

Algumas fotos da soltura do mero

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Por Léia Oliveira