Esta é a segunda edição do “Fialho pergunta, Fagundes responde”, novamente sobre o mesmo tema, o primeiro se encontra aqui. Talvez porque Fialho continua sem conhecer de perto o funcionamento do rebreather, ou quem sabe porque Fagundes evoluiu a configuração do equipamento, a questão agora é segurança.
Como se sabe, segurança debaixo d’agua é fundamental, para isso fazemos treinamentos, praticamos algumas manobras, e temos sempre equipamentos redundantes, ainda que este equipamento esteja sendo utilizado pelo nosso dupla de mergulho.
Numa imersão de mais de nove horas, sozinho no Cavo Artemidi, eu, Fialho, conclui que não havia um dupla. Sabia que a imersão era para testar um equipamento redundante. Entretanto, redundância é uma coisa mais complexa do que dois equipamentos nas costas. Estes equipamentos devem estar configurados para entrarem em operação substituindo o outro, ou o mergulhador deve ter como identificar o mal funcionamento de um e poder substituir pelo outro.
Fialho: uma falha no sistema de injeção de O2 poderia levar a duas situações: a) apagmanento por falta de O2 ou intoxicação por CO2 (se o sistema deixasse de fornecer O2), ou b) intoxicação por O2 (caso o sistema injetasse O2 em excesso). Que medidas esta configuração fornece para evitar estes dois cenários?
Bruno: problemas na injeção de O2 podem ocorrer sim, mas são perfeitamente percebíveis pelo mergulhador. O principal é a solenóide aberta (b), que é percebida pelo barulho constante de ingresso de gás no sistema. E há também o contrário, a solenóide fechada, onde não entra gás nenhum. Nos dois casos, além de ser percebível pelo som (solenoide fechada é percebida pela ausência de som), pela monitoração da PpO2 através do instrumental eletrônico o mergulhador consegue perceber. O que pode levar ao apagamento é a falha na injeção de O2 por solenóide fechada em razão da hipoxia. Mas como eu disse, isso é perfeitamente monitorável por um mergulhador competente. No Mega Meg há dois sistemas totalmente independentes de fornecimento de O2 para as solenóides, que tb são independentes. E caso haja falha num deles, como por exemplo, um vazamento catastrófico em um dos cilindros de O2, é possível transferir oxigênio para o outro rebreather através de válvula de adição manual. Cada rebreather do Mega Meg tem uma solenóide, uma válvula de adição de O2 no CL expiratório, um cilindro e mangueiras totalmente independentes.
Fialho: hum… não consegui visualizar o diagrama disso, mas entendi a idéia. Outra questão é: alagamento. Fazendo umas reações químicas na cabeça, creio eu que a cal sodada com água vira soda cáustica, nao? Respirar isso nao deve ser nada legal. Neste caso, interligar os dois circuitos seria um erro, pois no caso de alagamento, alagaria os dois sistemas. Que opções existem para este cenário?
Bruno: é possível ao mergulhador se recuperar de um alagamento de um rebreather porque no Megalodon há dispositivos water trap (armadilhas de água) nas peças em T do loop que barram o ingresso de água no canister principal onde está a cal sodada, fazendo com que grande parte desse ingresso de água se aloje no contra-pulmão expiratório e assim possa ser expelida do sistema pelas OPV (válvulas de alívio de sobrepressão). Fora isso, em cada canister há uma outra armadilha de água em seu fundo, que permite o uso do rebreather por várias horas, mesmo parcialmente alagado, em caso de emergência. Além disso, no Mega Meg em particular, os rebreathers são independentes e caso haja uma falha total nesse quesito, o loop que alagou não passa água para o outro. As bolsas respiratórias são totalmente independentes.



























