Posts com a Tag ‘dortas’

Coluna Social Carnavalesca do Necton Sub

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Lavagem das Escadarias da Igreja do Nosso Senhor do Bonfim

Alguns dos 453.784,2 mergulhadores baianos (Censo Necton Sub de 2004) marcaram presença na festa popular que abre o carnaval da Cidade da Bahia, mas que originalmente “Bom Fim” representa a chegada do barco em terra firme. Coisa que qualquer mergulhador entende bem, principalmente quando enjoa.


As mergulhadoras Anna Paloma e Ludmila Senna (acompanhada de sua fiel escudeira mãe) vestidas de Orishalá “Deus Ama o Povo do Candomblé”.


Os marítimos André Lima, Mário Mukeka e José Dortas cumprimentaram a autoridade máxima do Carnaval (Rei Momo), o saveirista Gerônimo Santana.

Apesar do intenso marketing dos políticos baianos, como acontece na festa do “2 de Julho”, a tradicional Lavagem do Bonfim sempre é um sucesso. Desta vez até o padre da paróquia cantou com as baianas.

* * *

Para você parar de reclamar que o editor deste blog anda preguiçoso (o que é uma grande verdade), Dona Karina Cazé.

Viagem ao fundo do mar – Jornal A Tarde, 31 de março de 1991

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Lazer & Informação, página 6

*Nem só de poluição vivem as águas dos mares baianos. Um tesouro incalculável está submerso e as pesquisas mostram que 600 navios estão afundados entre Morro de São Paulo, Baía de Todos os Santos e Barra de Jacuípe aguardando uma legislação mais coerente para trazer esse acervo para chão firme, a fim de que seja exposto contando sua história. E até mesmo essa história já enfrenta dificuldades para ser contada porque o que seria o Museu do Mar, no Forte São Marcelo está com suas obras ameaçadas de serem concluídas com a extinção da Secretaria do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (SPHAN), que conduzia os trabalhos, mesmo a passos lentos.

As descobertas dessas embarcações afundadas são geralmente casuais. E o navio inglês “Queen” foi o último achado, sendo responsável uma equipe de mergulho comandada por César Freitas de Oliveira e Pedro Augusto Mota Santana, em 1985. Obedecendo a lei da época, eles solicitaram à Marinha a autorização para exploração do navio, mas não obtiveram resposta. Antes, a lei permitia que 80% do achado pertencesse ao mergulhador e 20% fosse para a União. A nova legislação entende que o galeão achado pertence à União. Para os dois mergulhadores, isso faz aumentar a pirataria e lamentam que a União hoje tenha direito a 100% de nada, quando antes tinham 20% do total achado.

Muitas peças já foram resgatadas nas águas baianas, e o que foi entregue à União não se encontra na Bahia como os pesquisadores acham que deveriam acontecer. Esse acervo está no Rio de Janeiro, mas muita coisa acabou no exterior, leiloada por mergulhadores de fora que tiveram acesso até as primeiras moedas cunhadas no Brasil em 1646, preferindo leiloar ou vender fora do País onde os mergulhadores baianos reivindicam o maior contato para que essas questões sejam discutidas, a fim de que a legislação de fato funcione. A Bahia, inclusive, é a região brasileira mais rica em navios naufragados.

Enquanto os mergulhadores esperam uma resposta do Ministério da Marinha, o acervo do “Queen” vem sendo depredado por mergulhadores que dispensam qualquer autorização, como constataram Pedro e César ao revisitar a área onde a embarcação encalhou. O “Queen” ou o que restou dele, encontra-se entre Salvador e Itaparica. Essa embarcação chegou à Bahia em 1° de julho de 1800, junto com o “Kent”. O incêndio foi atribuído a um acidente quando um oficial adormeceu enquanto lia e a vela acesa provocou as chamas que causaram a morte de 80 pessoas e perda de uma carga no valor de 150 mil libras esterlinas.

Pela história, D. Fernando José de Portugal foi governador e capitão-general da Capitania da Bahia entre 1788 e 1801. Durante seu governo o porto baiano foi visitado por diversas esquadras estrangeiras. Em 1795, por exemplo, 15 navios da Companhia Inglesa das Índias Orientais aqui estiveram. No caso do “Queen”, foram salvos alguns objetos, como um caixote contendo quatro pistolas, uma espingarda e um baluarte destinados a um dos potentados da Ásia. Os marinheiros sobreviventes que aqui ficaram esperando condução também saquearam os despojos da nau portuguesa cujo casco foi cobiçado durante muitos anos.

Quando uma embarcação afunda, principalmente em se tratando de construção antiga como as que existem no fundo do mar baiano, com o tempo os destroços se espalham e o pesquisador tem grande trabalho para delimitar o sítio e chegam a um mapeamento do quadrado a ser dragado. Durante muitos anos, devido a correnteza que é grande no Nordeste, constituindo-se no grande inimigo dos mergulhadores, peças foram arrastadas até a costa. Do “Queen” chegaram a Itaparica, Jaguaribe e outras praias, algumas caixas, arcas e outros pertences do navio, o que fez dom Francisco José de Portugal expedir correspondências alertando para a necessidade de devolução desses bens, a ponto de ameaçar com prisão e castigo aqueles que ocultarem “qualquer coisa das referidas”, efetuando diligências na área em busca dos objetos.

*Texto digitado de parte da matéria. Os outros assuntos serão publicados em breve.

Dortas complementa:
Esta história de museu náutico data desde 1976. Nós explorávamos o Nossa Senhora do Rosário e Ailton Lyra, um mergulhador pernambucano que assolava esta paragens e que gostava muito de aparecer, inclusive foi sócio de Pedro Santana, derrubou a posição do Sacramento, indicando o marcador que sabia o local para a Marinha (Não tinha GPS).

Assim, levou o pessoal do Gastão Moutinho lá na Boa Viagem a mando do Almirante Carneiro Ribeiro, de quem recebia benesses, que alegando que iria fazer um museu na Bahia explorou os dois, em flagrante esbulho, e depois deu de bandeja para a Presmar e Salvanave do Denis Albanese e o material recolhido foi em grande parte, talvez para o Rio. Quem sabe?