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Correio Mar

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Pessoal,

Depois de muitas tentativas para abrir um maior espaço, mais digno e merecido para os esportes náuticos na imprensa da Bahia, finalmente o Correio da Bahia, numa atitude muito legal fez um convite para assumirmos uma página inteira, a contra-capa!!!!, todos os sábados, no jornal.

Não podia deixar passar, pois vejo isto como uma coisa nossa, de toda a comunidade náutica: vela, mergulho, pesca, saveiros, cultura náutica, etc.

Desta forma, peço apoio e ajuda: enviem seus comentários, críticas, sugestões, informações, notícias, enfim, tudo que se passa, o que vai acontecer, opiniões, etc., etc.

Iremos distribuir da maneira mais equilibrada possivel este espaço entre os esportes, os clubes, as marinas, as classes, as flotilhas, etc..

Vamos fazer juntos desta página, Correio Mar, um sucesso, e assegurar a divulgação de nossas atividades, informar, atrair mais pessoas para os esportes náuticos, levar um conteudo interessante e de qualidade ao leitor.

Conto com voces,

Grande abraço

Pedro Bocca

* * *

Peço licença em utilizar este espaço apenas para dizer algumas palavras. Sempre tive paixão pelo mar, pela vida a bordo, por tudo que dissesse respeito a este mundo das águas. Por sorte, destino e por que não, também talento, entrei para este “seleto” grupo de um esporte dito, para cavalheiros.

Não, não sou velejadora, mas acompanhei e vivi de perto incontáveis conquistas, regatas e projetos de gente esforçada em fazer o melhor na náutica da Bahia. Não, eu nunca ganhei prêmios nem qualquer troféu que coroasse o meu, na maioria das vezes estressante, mas apaixonado trabalho em ajudar a divulgar o que é muito mais que um esporte, através de reportagens, matérias, coberturas. Mas até hoje, apesar de uma certa desilusão em ter presenciado e vivido tantos episódios e discussões lamentáveis em coquetéis, regatas, eventos e até mesmo aqui nesta lista, nunca consegui me ver longe do mar. Não me lembro de um mês sequer em que não boiasse sobre um pedaço dessa BTS ou outras águas. Como jornalista, poderia – e posso – continuar fazendo o que mais sei: viver e escrever sobre uma paixão. Por isso, sigo no contínuo, mas saboroso esforço de reportar para revistas e sites especializados, as minhas matérias, fotografias, registros da vela como um todo. Mas no último sábado (31), confesso, me surpreendi.

Qual não é a minha surpresa em ver divulgado que estava sendo lançado o Correio Mar. Seria, sim, um motivo de alegria para a comunidade náutica e, sobretudo para mim, não fosse um enorme detalhe: esse projeto tinha “pais”, mas foi batizado por alguém alheio a qualquer consentimento da nossa parte. Esse projeto havia sido idealizado, pensado, formatado e feito no próprio jornal com data, piloto e boneca prontos, faltando apenas ser lançado. O projeto  e a ideia são do publicitário e velejador Dica Paranhos em parceria comigo. Afora questões políticas, editoriais e burocráticas, o projeto tem – ou tinha – uma assinatura de duas pessoas que investiram muitos meses nisso. Mas é claro que, surpreendentemente, vocês devem saber que enquanto uns trabalham, outros colhem os louros, os aplausos, as manchetes. Quantas vezes já vimos isso por aí? Uma coisa é certa: ninguém gosta, né? Ou alguém será capaz de dizer que gosta de perder sequer uma regatinha porque o outro foi desleal e burlou o rating, queimou uma bóia ou permaneceu com o barco na raia para ser abalroado? Levante a mão quem concordar com essas ignóbeis desonetidades.  Pois é este o motivo que me traz aqui. Não concordar. Indignar-me. Porque algumas coisas, embora veladamente silenciadas por muitos, precisam de vez em quando ser faladas e, sobretudo, esclarecidas.

Flávia Figueiredo

Viagem ao fundo do mar – Jornal A Tarde, 31 de março de 1991

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Lazer & Informação, página 6

*Nem só de poluição vivem as águas dos mares baianos. Um tesouro incalculável está submerso e as pesquisas mostram que 600 navios estão afundados entre Morro de São Paulo, Baía de Todos os Santos e Barra de Jacuípe aguardando uma legislação mais coerente para trazer esse acervo para chão firme, a fim de que seja exposto contando sua história. E até mesmo essa história já enfrenta dificuldades para ser contada porque o que seria o Museu do Mar, no Forte São Marcelo está com suas obras ameaçadas de serem concluídas com a extinção da Secretaria do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (SPHAN), que conduzia os trabalhos, mesmo a passos lentos.

As descobertas dessas embarcações afundadas são geralmente casuais. E o navio inglês “Queen” foi o último achado, sendo responsável uma equipe de mergulho comandada por César Freitas de Oliveira e Pedro Augusto Mota Santana, em 1985. Obedecendo a lei da época, eles solicitaram à Marinha a autorização para exploração do navio, mas não obtiveram resposta. Antes, a lei permitia que 80% do achado pertencesse ao mergulhador e 20% fosse para a União. A nova legislação entende que o galeão achado pertence à União. Para os dois mergulhadores, isso faz aumentar a pirataria e lamentam que a União hoje tenha direito a 100% de nada, quando antes tinham 20% do total achado.

Muitas peças já foram resgatadas nas águas baianas, e o que foi entregue à União não se encontra na Bahia como os pesquisadores acham que deveriam acontecer. Esse acervo está no Rio de Janeiro, mas muita coisa acabou no exterior, leiloada por mergulhadores de fora que tiveram acesso até as primeiras moedas cunhadas no Brasil em 1646, preferindo leiloar ou vender fora do País onde os mergulhadores baianos reivindicam o maior contato para que essas questões sejam discutidas, a fim de que a legislação de fato funcione. A Bahia, inclusive, é a região brasileira mais rica em navios naufragados.

Enquanto os mergulhadores esperam uma resposta do Ministério da Marinha, o acervo do “Queen” vem sendo depredado por mergulhadores que dispensam qualquer autorização, como constataram Pedro e César ao revisitar a área onde a embarcação encalhou. O “Queen” ou o que restou dele, encontra-se entre Salvador e Itaparica. Essa embarcação chegou à Bahia em 1° de julho de 1800, junto com o “Kent”. O incêndio foi atribuído a um acidente quando um oficial adormeceu enquanto lia e a vela acesa provocou as chamas que causaram a morte de 80 pessoas e perda de uma carga no valor de 150 mil libras esterlinas.

Pela história, D. Fernando José de Portugal foi governador e capitão-general da Capitania da Bahia entre 1788 e 1801. Durante seu governo o porto baiano foi visitado por diversas esquadras estrangeiras. Em 1795, por exemplo, 15 navios da Companhia Inglesa das Índias Orientais aqui estiveram. No caso do “Queen”, foram salvos alguns objetos, como um caixote contendo quatro pistolas, uma espingarda e um baluarte destinados a um dos potentados da Ásia. Os marinheiros sobreviventes que aqui ficaram esperando condução também saquearam os despojos da nau portuguesa cujo casco foi cobiçado durante muitos anos.

Quando uma embarcação afunda, principalmente em se tratando de construção antiga como as que existem no fundo do mar baiano, com o tempo os destroços se espalham e o pesquisador tem grande trabalho para delimitar o sítio e chegam a um mapeamento do quadrado a ser dragado. Durante muitos anos, devido a correnteza que é grande no Nordeste, constituindo-se no grande inimigo dos mergulhadores, peças foram arrastadas até a costa. Do “Queen” chegaram a Itaparica, Jaguaribe e outras praias, algumas caixas, arcas e outros pertences do navio, o que fez dom Francisco José de Portugal expedir correspondências alertando para a necessidade de devolução desses bens, a ponto de ameaçar com prisão e castigo aqueles que ocultarem “qualquer coisa das referidas”, efetuando diligências na área em busca dos objetos.

*Texto digitado de parte da matéria. Os outros assuntos serão publicados em breve.

Dortas complementa:
Esta história de museu náutico data desde 1976. Nós explorávamos o Nossa Senhora do Rosário e Ailton Lyra, um mergulhador pernambucano que assolava esta paragens e que gostava muito de aparecer, inclusive foi sócio de Pedro Santana, derrubou a posição do Sacramento, indicando o marcador que sabia o local para a Marinha (Não tinha GPS).

Assim, levou o pessoal do Gastão Moutinho lá na Boa Viagem a mando do Almirante Carneiro Ribeiro, de quem recebia benesses, que alegando que iria fazer um museu na Bahia explorou os dois, em flagrante esbulho, e depois deu de bandeja para a Presmar e Salvanave do Denis Albanese e o material recolhido foi em grande parte, talvez para o Rio. Quem sabe?